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Cannes 2013: Dia 03 – Tiros de festim, um índio na psicanalise e Jackie Chan

20130517204947688547uChristoph Waltz e Daniel Auteuil em programa francês, antes dos tiros

Parece que os ladrões de jóias do segundo dia do Festival estão fazendo escola. Enquanto Christoph Waltz e Daniel Auteuil, membros do júri da Palma de Ouro, davam entrevista a um programa do canal francês Plus, um membro da plateia disparou dois tiros de festim para o alto, alertando a policia, que rompeu a barreira da multidão e rendeu o sujeito, logo em seguida ordenando a evacuação, pois o suspeito tinha uma granada (também falsa) nas mãos. Waltz e Auteuil foram tirados as pressas do local, o homem foi preso e a transmissão do Plus, que ganhou um pouco mais de ação do que se esperava, foi retomada três minutos depois.

000_dv1478343Benício Del Toro em Cannes

Um simpático (e abatido para os seus 45 anos) Benício Del Toro parecia em casa em Cannes, onde venceu o prêmio de melhor ator pela performance no biográfico Che em 2008, ao apresentar para a imprensa o novo Jimmy P. Depois de uma temporada emprestando o talento para Hollywood (em O Lobisomem e Selvagens), o vencedor do Oscar por Traffic retorna ao cinema europeu sob o comando do francês Arnaud Desplechin, já em sua quinta seleção para a disputa pela Palma de Ouro. Dessa vez, o cineasta conta a história do índio americano Jimmy Picard (Benício), que volta da Segunda Guerra traumatizado e com fortes dores de cabeça. Quem o ajuda é o famoso antropólogo Georges Devereaux, no filme interpretado Mathieu Almaric (Quantum of Solace).

O roteiro de Desplechin é baseado em um livro do próprio Devereaux, que registrou suas sessões com Jimmy literalmente, transcrevendo diálogos e diagnósticos. Por essa razão, o diretor declarou na coletiva de imprensa realizada após a sessão aplaudida do filme, que o livro lhe pareceu “um roteiro quase pronto”. Enquanto isso, um Del Toro mais calado consentiu: “Eu leio muitos roteiros todo ano, e esse me pareceu muito original, brilhava no escuro. Me aproximei de Jimmy como uma pessoa se aproxima da outra”. Embora aplaudido, Jimmy P. não teve a mesma recepção calorosa que Le Passé, exibido ontem, que segue o favorito.

nicole-kidmanNicole Kidman em Cannes

Nicole Kidman, não se contentando em ser a musa do júri de Cannes 2013, também resolveu brilhar na tradicional coletiva de imprensa dos irmãos Bob e Harvey Weistein, ex donos da Miramax e atuais chefões da Weinstein Company, para anunciar os futuros (e sempre potencialmente oscarizáveis) projetos que lançarão. A atriz australiana conseguiu se retirar dos deveres de júri para falar de Grace of Monaco, biografia dos anos de princesa de Grace Kelly em que ela interpreta a lendária estrela de Janela Indiscreta. Sobre a eterna princesa de Mônaco, Nicole afirmou: “Pude conhecer e pesquisar muito sobre Grace e acabei me apaixonando por ela”. Grace of Monaco estreia 27 de Dezembro nos EUA.

Os Weinstein também promoveram dois projetos que nós aqui d’O Anagrama já falamos sobre: The Butler (aqui), com um elenco mega-estrelado (Forest Whitaker, Alex Pettyfer, John Cusack, Robin Williams, Terrence Howard, James Marsden, Alan Rickman, Minka Kelly, Liev Schreiber, Cuga Gooding Jr, Melissa Leo, Jane Fonda, Vanessa Redgrave, Mariah Carey, Oprah Winfrey, Lenny Kravitz), sobre o mordomo chefe da Casa Branca que serviu a quase uma dezena de presidentes diferentes ; e August: Osage County (aqui), estrelado por Meryl Streep, Julia Roberts e Ewan McGregor, sobre uma família disfuncional do Meio-Oeste americano.

jackie-mainJackie Chan faz graça com a câmera em Cannes

Com quase 120 filmes no currículo e completando 60 anos no ano que vem, Jackie Chan parece decidido a diminuir o ritmo dos filmes de ação que permearam sua carreira (e o tornaram famoso). Segundo o astro, a idade não permite mais que ele se recupere fácil das lesões inevitáveis que ocorrem nos sets, especialmente porque o chinês sempre faz suas próprias acrobacias: “Eu não sou super-herói. Realmente quero ser mais como um Robert De Niro asiático, capaz de fazer todo tipo de coisa – comédia, drama, papéis pesados. Quero que o público saiba que eu sou um ator que sabe brigar, não um astro de ação que sabe atuar”.

Ao mesmo tempo, a conversa da imprensa com Chan resvalou na participação dele em Os Mercenários 3, continuação a super-série de ação de Sylvester Stallone que está em fase de produção. Sobre a proposta, Chan comentou: “A equipe do filme entrou em contato comigo, mas até agora não li o roteiro. Eu adoraria trabalhar com Stallone, mas só quando eu voltar na próxima semana aos EUA e me encontrar com ele e meu agente é que eu posso dizer se vai acontecer”. O produtor de Os Mercenários 3 revelou que também quer adicionar Harrison Ford, Clint Eastwood e Wesley Snipes ao elenco.

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Review: Doctor Who, Season Finale – The Name of the Doctor

DOCTOR WHO SERIES 7B EPISODE 5

por Andreas Lieber

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Depois de muito tempo, muita especulação, teorias e spoilers – vale lembrar que o blu-ray da sétima temporada foi entregue para alguns americanos antes do tempo – o season finale da sétima temporada de Doctor Who chegou! E não é estamos desapontados, não, o que estamos mesmo é confusos. E longe de mim falar que foi um episódio ruim, foi absolutamente incrível ao rumo a que a série se propôs nessas últimas semanas. O problema é que, vendo esse finale, é impossível não lembrar de outros, em temporadas passadas, como o tristissimo “Doomsday”, da segunda, e a dupla finale da quarta temporada, “The Stolen Earth” e “Jorney’s End”, que fizeram os fãs arrancarem os cabelos e pularem das cadeiras de 5 em 5 segundos.

Em “The Name of the Doctor”, descobrimos que o grande vilão do finale é ninguém menos, ninguém mais do que a Great Intelligence, aquele mesmo alien que sussurrava “Don’t talk to them, they’re silly!” através do boneco de neve do especial de Natal do ano passado. Retornando no corpo do Dr. Simeon (Richard E. Grant), essa entidade planeja sua vingança contra o Doctor ao sussurrar nos ouvidos de Madame Vastra que o maior segredo do Doctor foi revelado. Mas engana-se quem acha que é seu nome (ufa! Até mesmo porque esse segredo já não é mais segredo há anos por motivos de: River Song! Hello, sweetie!), não, o segredo final do Doctor se chama Trenzalore, a tumba do Doctor. Seu túmulo.

No final da sexta temporada, os Silence e Dorium Maldover disseram que Trenzalore seria o lugar em que “the Eleventh would fell”, e, verdade, ele caiu. No centro de uma TARDIS moribunda está a linha temporal do Doctor, todas as suas lembraças, todas as suas encarnações, tudo o que ele é e será. Em belas luzes brancas que cospem voltas e floreios, a Great Intelligence pretende encontrar o descanço eterno e, assim, destruir tudo o que o Doctor é em seu mais íntimo ser; mudar todas as suas memórias, alterar todas as suas vitórias e azedar todas as suas amizades.

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Feito isso, sobra um Doctor frio e perdido, uma Jenny morta (pela segunda vez no episódio), um Strax honrando sua raça ao tentar matar Madame Vastra e um mundo em que constelações e planetas somem com o piscar dos olhos. Mas, acima de tudo isso, sobra Clara, the impossible girl, com sua resposta. Vendo, desde o começo do episódio ninguém menos que a própria Dra. River Song, Clara descobre sobre a esposa falecida do Doctor, que aparece nesse episódio apenas como um holograma de sua memória no mundo biblioteca – lembrando que vimos a morte de River ainda na quarta temporada, no “Forest of the Dead”.

Estávamos com saudades da maravilhosa Alex Kingston interpretando a não menos maravilhosa River Song, mas não sei como me sinto – como nos sentimos, como fãs – ao vê-la apenas como um memória e com um discurso final que pode indicar que nunca mais a veremos na série. Ou não, nunca se sabe nada quando o assunto é Steven Moffat. Com isso, vemos a nossa explicação, assim como Clara a vê, do porquê ela nasceu para salvar o Doctor: naquele momento, ela, e ninguém mais, entra também na própria linha temporal do Doctor, restaurando as memórias, vitórias e amizades do último Gallifreyan. A própria Clara, nossa Clara, do presente, se ramificou como a governanta vitoriana e como a astronauta futurista presa no asilo dos Daleks para salvar seu Doctor.

Com isso, Jenny e Strax revivem, River esvai-se (goodbye, Sweetie!) e Clara fica presa no âmago do Doctor, vendo suas antigas personas em um mundo esfumaçado e embaçado, até que o próprio Eleventh entra para salvá-la. Mas há mais alguém lá, alguém que será, e não que já foi. Enquanto o episódio termina com Matt Smith segurando sua companion Jenna-Louise desmaiada, vemos a sombra virar-se na forma de John Hurt (nomeado ao Oscar por Elephant Man) e uma legenda aparecer ao lado: “Introducing: John Hurt as The Doctor”. No que isso vai dar, no entanto, só descobriremos no especial de 50 anos da série, em Novembro. So much for a finale!

5/5(****)

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Próximo Doctor Who: Especial de 50 anos da série (sem nome ainda), 23/11

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Review: Da Vinci’s Demons, 01x06 – The Devil

DaVinci's Demons, 2013

por Andreas Lieber

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Quando a gente vai suspeitando que Da Vinci’s Demons já havia atingido a cota de histórias um tanto quanto não verossímeis – uma descoberta das terras do Oeste e possível feat. com Cabral, aliança entre Medici e a União Ibérica, representada por Fernando de Aragão e Isabel de Castela – a série nos mostra que não, está longe de. Em “The Devil”, sexto episódio de Da Vinci’s Demons, nós somos apresentados a um parente bem próximo do próprio diabo, como o pintam: Vlad III, o Impalador da Valáquia. Pois é, isso, mesmo, a origem do Conde Drácula em carne e osso (mas sem alma, nada de alma pro Vlad).

Se de um lado temos Lorenzo fazendo alianças com o Conde de Urbino para proteger Florença, do outro vemos Lucrezia em Roma contando isso pessoalmente ao Papa, que se enfurece e, proporcionando uma das cenas mais engraçadas e clássicas da série até agora, esmurra Riario diversas vezes enquanto grita: “Kiss this ring!”. Embora de importância estratégia para a série, esses plots são subjugados por Da Vinci indo para a Valáquia atrás do cartógrafo responsável pelo mapa que o levará ao Book of Leaves. Ao chegar lá, quem mais ele encontra se não o próprio Vlad III, famoso por seu sadismo e fervoroso guerreiro contra o Império Otomano.

A partir desse momento, é como se entrássemos em um mundo diferente, um castelo medieval do vampiro mais famoso da história em um estranho crossover com o gênio Leonardo. Desde a aparência sinistra e demoniaca de Vlad (uma ótima, ótima, atuação de Paul Rhys), passando pelo clima de mistério e opressão do castelo, com seus esqueletos, ossos e recantos obscuros, “The Devil” vai se construindo em cima de histórias como a do anfitrião sinistro, que afirma ter vendido a alma à Lucifer, e de, talvez, a engenhoca mais inteligente da série até agora: um globo de lanças à la Jogos Mortais que prende em seu interior o próprio homem que Da Vinci procura.

Como toda boa história de vampiro (opa, pera!), temos os mocinhos em caminhadas sinistras pelo castelo e uma aparição ainda mais sinistra de Vlad, que mostra que altura, estacas, fogo e uma cruz não são capazes de matá-lo. Mesmo. Bem sucedido em salvar o cartógrafo de sua prisão, mas incapaz de mantê-lo vivo, Leonardo descobre nas cenas finais (em um cenário meio “estamos a caminho de Mordor”) que sua mãe ainda está viva e é a portadora do Book of Leaves. Em diálogos perdidos pelo episódio, como “It’s not where, but when” e “You have already made the decision, you make it every time”, o roteiro de Da Vinci’s Demons nos aponta para uma provável direção em que viagem no tempo será uma possibilidade.

Em outras notícias, vemos em “The Devil” mais uma vez o quão esperta Clarice pode ser e uma ótima prova de como um bom roteiro salva um personagem, vide Giuliano. E falando em Giuliano… será que um ship estpa se formando entre ele e Vanessa? Para fechar um importante episódio quanto a notícias sussurradas, temos um Riario extrapolando na vontade própria e ordenando a morte de Lucrezia escondido do Papa. O único problema é que ela não parece uma moça que se deixa enganar facilmente, como já vimos.

5/5(*****)

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Próximo Da Vinci’s Demons: 01x07 – The Hierophant (24/05)

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J-Lo transforma a passarela em palco no clipe de “Live it Up”

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por Caio Coletti

Apesar dos boatos de que devido ao desgaste de sua imagem Jennifer Lopez começaria a trabalhar apenas com singles em vez de álbuns, parece que a moça julgou ainda ter fôlego para mais uma empreitada de estúdio. Depois de "Dance Again" (single de uma coletânea de sucessos de J-Lo) e o menos visto "Goin In" (usado para a trilha de um dos filmes da série Step Up), agora é a vez da nova-iorquina se arriscar em “Live It Up”.

O vídeo para o novo single saiu hoje (18) e conta com J-Lo vestida em alta costura e tranformando a passarela (e mais tarde a praia) em palco enquanto canta mais um hino hedonista ao lado do seu fiel escudeiro Pitbull. A fórmula está começando a mostrar sinais de cansaço, é verdade, mas por enquanto estamos felizes mesmo com a notícia de que teremos um novo álbum de Jennifer em breve.

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Review: Hannibal, 01x08 – Fromage

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por Andreas Lieber

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Em toda série sempre há aquele episódio em que a história explode e vira um marco para o plot completo da temporada – ou como dizem em inglês, é quando “sh*t goes down!”. Desde o brilhante sexto episódio, “Entrée”, Hannibal vem construindo essa história com momentos de tensão e pontas de histórias sendo amarradas aqui, desamarradas ali. Hoje, finalmente, em “Fromage”, o oitavo episódio da série, esse plot tomou proporções de ápice e apresentou uma evolução surpreendente. Fromage, no francês, é um tipo de creme feito com queijo – algo como o recheio para creamcheese – que pode ser servido sozinho, com mel ou ainda ser uma cobertura para alguns tipos de sobremesas.

Em “Fromage” temos a continuação das interações entre o Dr. Lecter e seu paciente Franklin, enquanto somos apresentados mais a fundo a Tobias, o amigo de Franklin que conhecemos em “Sorbet”. Com um roteiro brilhante, descobrimos que Tobias é o próprio caso da semana, ao matar um membro da orquestra de Baltimore, removendo seus intestinos para fazer cordas para instrumentos de corda e inserindo um em sua boca, afim de tocar suas cordas vocais. A série, inclusive, atingiu um incrível novo nível do senso de bizarro em suas cenas ao mostrar Will fazendo exatamente isso: tocando um “violino humano”, onde as cordas são as próprias cordas vocais na garganta da pessoa.

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No outro lado da trama, temos Will, que começa a escutar estranhos barulhos de animais inexistentes em sofrimento e pede ajuda à Alana. Durante suas procuras juntas, os dois acabam por beijarem-se –  e um viva para o ship da série!. O beijo, no entanto, não leva à lugar nenhum, uma vez que os dois admitem que não seriam bons um para o outro. Enquanto as histórias se entrelaçam e descobrimos que Tobias apenas utilizava Franklin para chamar a atenção de Hannibal, vemos esse último em mais uma de suas sensacionais sessões com a Dra. Bedelia, onde nos aprofundamos mais na personagem. Ela parou de praticar a profissão ao ser atacada por um paciente (e, insinua-se, matá-lo durante o ataque).

Com Tobias atrás de Hannibal a procura de um amigo e Hannibal finalmente admitindo que vê em Will a possibilidade única de um, já que o último, apesar de ver o mundo de forma diferente, consegue colocar-se na pele do canibal. Mais uma vez atingimos o clímax máximo do episódio após uma tentativa de Tobias de matar Will, correndo em seguida para o consultório de Hannibal, em plena sessão com Franklin. Em uma falha tentativa de análise por parte de Franklin, Hannibal finalmente o mata e se engaja em uma luta – sim, corporal, física, de murros, chutes e porradas! O próprio Dr. Hannibal Lecter, minha gente! – com Tobias, que acaba com Hannibal machucado, furado e cortado, mas vivo. Enquanto isso, Tobias está com o braço, e o crânio, quebrados no chão.

Hannibal mostrou mais uma vez a sua capacidade de transformar cenas horripilantes em belos trabalhos de arte, vide o homem-violino e Tobias fazendo cordas a partir de intestinos. Aproximando-se aos poucos de seu season finale e enfrentando ameaças de cancelamento, a série chega a um ponto da história em que cada episódio será mais frenético e eletrizante do que o outro. Todos as cartas estão na mesa: um amor errante entre Will e Alana; um Hannibal criando vínculos enquanto temos Will e Jack irrequietos com o sentimento de “algo errado”; uma Dra. Bedelia se tornando mais importante com uma história que se assemelha com a atual de Hannibal e, acima de tudo, um sentimento de encaminhamento da história.

5/5(*****)

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Próximo Hannibal: 01x09, Trou Normand (23/05)

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Cannes 2013: Dia 02 – Tom Cruise em animação, assaltantes e Berenice Bejo

congress-mainRobin Wright filma sua atuação para uma das cenas animadas de The Congress

por Caio Coletti & Andreas Lieber

O aclamado diretor israelense Ari Folman retorna a Cannes cinco anos depois de Valsa com Bashir seu “documentário em animação” sobre o conflito do Oriente Médio que concorreu a Palma de Ouro. Dessa vez, ele está na disputa da Quinzena dos Realizadores, mostra paralela a competição principal que celebra diretores de destaque do mundo todo. E o novo filme é The Congress, uma complexa fantasia de ficção científica baseada em um livro de Stanislaw Lem (Solaris), mais uma vez misturando animação e live-action.

No novo filme, a protagonista é Robin Wright, que interpreta a si mesma em um futuro em que é possível “vender” sua imagem aos estúdios, que a usam por 20 anos, durante os quais é pedido que o “cliente” desapareça do mapa. Essa é a parte live action, que conta ainda com Harvey Keitel com oum chefão dos estúdios. A segunda metade do filme utiliza a técnica de captura de performance (uma evolução da usada em Beowulf, com a mesma Robin Wright) para retratar a atriz, depois dos tais 20 anos, comparecendo a um congresso de atores pintado com cores fantasiosas pelo diretor Folman.

O elenco é completado por Jon Hamm (Mad Men), Paul Giamatti, Kodi Smit-McPhee (A Estrada), Danny Huston (30 Dias de Noite), Sara Shahi (Person of Interest) e, claro Tom Cruise interpretando a si mesmo em forma de animação. Imperdível, sim ou com certeza? Uma pena que o filme ainda não tem data de estreia no Brasil.

161503144BD00009_Top_Of_TheA neo-zelandesa Jane Campion

Vencedora de duas Palmas de Ouro e uma das primeiras cineastas mulheres a ser indicada ao Oscar de direção (por O Piano, em 1993, que ainda lhe rendeu o prêmio de roteiro), Jane Campion foi homenageada nessa edição do Festival de Cannes, levando a Carruagem de Ouro da Quinzena dos Produtores. A descrição do prêmio celebra “a independência, ambição e ousadia” dos premiados. Definição mais do que merecida para a diretora de 59 anos, conhecida por filmes sexualmente carregados como o próprio O Piano e Em Carne Viva. Seus últimos projetos foram o romance vitoriano Bright Star e a minissérie televisiva Top of The Lake.

Enquanto isso, nos cofres de Cannes

O escândalo dessa edição do Festival (porque Cannes não é Cannes sem um) já está estabelecido: em uma operação à la Ladrão de Casaca, o cofre contendo as jóias valiosíssimas que algumas atrizes usariam no tapete vermelho foi assaltado durante a noite. De acordo com a polícia local, o prejuizo pode chegar a mais de US$ 1 milhão de dólares, enquanto os organizadores do Festival se preocuparam mais em assegurar que a Palma de Ouro, a ser entregue no final dos 15 dias de Cannes, está a salvo.

O diretor chinês Zhangke Jia é considerado um dos contemporâneos mais importantes do seu país, e já está na terceira seleção para competição oficial de Cannes. Conhecido fora da China por Unknown Pleasures e Em Busca da Vida, Jia retrata uma história mais urgente e ainda mais atual no novo A Touch of Sin. Através de quatro histórias baseadas em acontecimentos reais que estiveram nos jornais chineses, ele pinta um retrato de uma população atingida de frente pelo capitalismo desenfreado. “Antes, em meus filmes, eu tentava relatar a vida cotidiana. (…) Com o desenvolvimento fulgurante da sociedade chinesa, há muitas coisas que se tornaram extremas”. Os protagonistas das quatro histórias são uma prostituta em um bordel de luxo, um trabalhador revoltado contra a corrupção de seus patrões, uma recepcionista em uma sauna, e um jovem pressionado pela família que não consegue arranjar emprego.

4ca96723-636c-4f65-85f9-b8e9ca869864-620x372Tahar Rahim e Berenice Bejo posam com os atores mirins de Le Passé

No segundo dia de Cannes, também escutaram-se aplausos para o novo projeto do iraniano Asghard Farhadi, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e diversos outros prêmios pelo seu incrível A Separação. Dessa vez, ele nos traz o drama familiar Le Passé (O Passado). De produção e locação francesas, o filme conta com Bérénice Bejo (nomeada ao Oscar por O Artista) e Ali Mosaffa (The Last Step); na trama, Marie (Bejo) recebe de volta em sua casa, na França, o ex-marido (Mosaffa), que atualmente mora no Teerã, para oficializarem o divórcio.

Em meio a dramas e um pesado segredo de família, Farhadi constrói sua história em cima da carga que o passado tem em nossas vidas, e que muitas vezes ignoramos. Com uma filha em depressão e três relacionamentos cataclísmicos, Marie tem agora de lidar com as decisões de uma vida perdida em segredos. Altamente elogiado pela crítica e pelos jornalistas em sua primeira exibição hoje, Le Passé já se torna um dos favoritos dessa edição do Festival.

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Sara Bareilles quer que você dance like nobody’s watching no clipe de “Brave”

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por Caio Coletti

Sarinha Bareilles voltou! Intimidades a parte, a cantora-compositora pop rock/soul mais linda e diva do mundo finalmente resolveu seguir seu excelente EP do ano passado, Once Upon Another Time, com um novo álbum. Sara não lançava nada em estúdio desde 2010, quando saiu o Kaleidoscope Heart, e agora tá de data marcada para revelar ao mundo o lindamente intitulado The Blessed Unrest, destinado a ser o quarto álbum da discografia da moça: 16 de Julho.

Lançado a 15 dias, o primeiro single “Brave” ganhou clipe essa semana, bem ao estilo Sara, lembrando um pouco o nascido clássico "Gonna Get Over You". No vídeo, dirigido pela comediante Rashida Jones (Parks and Recreation), Sara e uma série de outros personagens aleatórios surpreendem a começar a dançar, literalmente, no meio da rua (ou de um shopping, ou de uma biblioteca). É divertido o segmento final com um transeunte sugerindo que um dos dançarinos “deve ter tomado a pílula errada”. Se sim, alguém me dê uma dessas.

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Cannes 2013: Dia 01 – Gatsby, Scarlett Johansson e The Bling Ring

DV1474985Na coletiva de imprensa de Gatsby, da esquerda para a direita: Tobey Maguire, Baz Luhrmann, Carey Mulligan e Leonardo DiCaprio

por Caio Coletti

O primeiro dia de Cannes 2013 teve de tudo: estreias aguardadíssimas, anúncios inesperados e até uma surpresa sul-americana. Mas tudo começou com O Grande Gatsby, é claro, exibido pela manhã antes mesmo da grande abertura do Festival, que ocorreu em grande estilo ontem (15) a noite. A recepção um pouco fria do público ao filme de Baz Luhrmann não casou muito com a estreia meteórica (US$ 50 milhões em um final de semana) do filme nos EUA.

O diretor, em entrevista ao site brasileiro UOL, reafirmou a relevância atual de seu filme: “O periódo moderno que conhecemos hoje começou nos anos 1920, que o livro retrata (…). Então, essa história do Gatsby poderia acontecer hoje. Wall Street ainda tem corrupção, está fora de controle e temos essas festas, a decadência”. Para DiCaprio, Gatsby é sobre “a tragédia desse americano em anos de opulência”. O filme estreia no dia 07 de Junho no Brasil.

DV1475180O júri de Cannes 2013, da esquerda para a direita: Lynne Ramsay, Ang Lee, Steven Spielberg, Nicole Kidman, Daniel Auteuil, Vidya Balan, Christoph Waltz, Maomi Kawasi e Christian Mungiu

A sempre diplomática coletiva de imprensa com o Juri da seleção oficial de Cannes não fugiu do script em 2013, embora abrilhantada pelo carisma de alguns de seus integrantes. O grande astro do ano, o presidente do juri, Steven Spielberg, comentou com franqueza e maturidade sobre ter concorrido apenas uma vez (com Louca Escapada, em 1974) a Palma de Ouro: “Isso é normal. Não podemos comparar maçãs com laranjas; filmes feitos para atrair o máximo possível de espectadores aos cinemas com filmes que mudam a sua maneira de ver a si mesmos, os outros, a vida”.

O diretor taiwanês Ang Lee e Spielberg trocaram elogios: “Eu o idolatro, o vejo como herói. Não sei como ele me vê”, disse o vencedor do Oscar por Brokeback Mountain. “Eu idolatro As Aventuras de Pi, portanto também idolatro você”, Spielberg retribuiu. O sempre charmoso Christoph Waltz, dono de dois Oscar de coadjuvante (Bastardos Inglórios e Django Livre), arrematou o clima do evento com uma comparação graciosa: “Uma boa psicanálise é a combinação entre um bom analista e um bom paciente. Da mesma maneira, seremos a combinação entre bons filmes com o nosso trabalho de juri. Terei a chance de discutir com essas oito pessoas maravilhosas, vindas de todo o mundo”.

Primeiro filme a ser exibido pela Seleção Oficial e, portanto, primeiro concorrente a Palma de Ouro visto pelo júri, Heli, filme mexicano, é o único representante latino-americano na disputa esse ano. Como Cannes não é Cannes sem um pouco de polêmica, a ultraviolência do diretor Amat Escalante, que já ganhou prêmio na mostra Un Certain Regard com Sangre, de 2005, dividiu opiniões. Houve jornalistas que deixaram a sala durante a exibição, especialmente após uma cena em que um animal de estimação é sufocado até a morte na frente de sua dona, uma criança. O diretor se defendeu: “Quando filmo esses atos de violência, não estou tentando impressionar, e sim traduzir a tristeza desses atos”.

127084355BG004_Dolce_GabbanScarlett Johansson em Cannes

Embora não participe de nenhum dos filmes em exibição nessa edição do Festival, Scarlett Johansson é sempre o centro das atenções por onde passa. Escalada para o novo filme de Jon Favreau, Chef, ao lado do próprio Robert Downey Jr com quem contracenou em Homem de Ferro 2 e Os Vingadores, a moça aproveitou todo o fuss da imprensa em Cannes para anunciar que, veja só, tem planos para estrear na direção em breve. E o projeto não carece de pedigree: trata-se da adaptação de Travessia de Verão, romance de Truman Capote publicado anos anos 90 sobre uma menina de classe alta na Nova York pós-Segunda Guerra. A única experiencia da ScarJo na direção é o custa These Vagabond Shoes, estrelado por Kevin Bacon, de 2009.

Emma-Watson-poses-during--001Emma Watson na mira dos fotógrafos na coletiva de The Bling Ring

As coletivas de imprensa da mostra Un Certain Regard poucas vezes são tão badaladas quanto a de The Bling Ring, novo filme de Sofia Coppola estrelado por Emma Watson. Assumindo o posto de uma das obras mais esperadas de todo o Festival, o filme jovem da filha de Francis Ford sobre uma gangue de garotas que rouba casa de celebridades teve gente ficando de fora da sessão graças a super-lotação. Graciosa como sempre, Miss Watson respondeu brilhantemente as perguntar sobre sua fase Harry Potter: “Essa fase já parece tão distante para mim, já se passaram três ou quatro anos. Mas ao mesmo tempo é tão presente ainda. Não quero fugir do meu passado, mas estou feliz de poder fazer novos papéis e trabalhar com gente nova”. Uma resposta elegantíssima.

A diretora Sofia Coppola, por sua vez, contou que quis narrar uma história simples e doce ao mesmo tempo que não deixou de lado a crítica a sociedade consumista e a obsessão dessas jovens pela fama: “A história toda aconteceu há dez anos, mas diz muito sobre a nossa cultura hoje. Los Angeles é o epicentro da cultura americana. Sempre me interessei por personagens que estão em busca da sua própria identidade, e de alguma forma perdem a inocência nessa busca”. The Bling Ring estreia dia 12 de Julho no Brasil.

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10 filmes que Cannes 2013 vai ver (e você também deveria)

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por Caio Coletti

Mais que qualquer outro acontecimento no mundo do cinema, o Festival de Cannes é um ritual que implica o acompanhamento de uma série de processos que vai definir a cara do evento no ano em questão. Parece burocrático, mas não poderia ser mais diferente disso: acompanhar cada passo da maior aglomeração de cinema do mundo na riviera francesa é um dos grandes prazeres anuais de qualquer cinéfilo de verdade. No ano passado, por exemplo, o festival completava 65 anos, tinha um diretor italiano (Nanni Moretti) na presidência do júri da competição principal, um (lindo) pôster em preto-e-branco estrelado por Marilyn Monroe e premiou o ríspido e brilhante Amour, de Micahel Haneke, com a Palma de Ouro.

Esse ano, pelo andar da carruagem, a conversa é outra: o poster aí em cima aponta para um Festival de Cannes mais colorido, luminoso e, porque não, plural (o casal, para quem está se perguntando, é Paul Newman e sua esposa Joanne Woodward). A dirigência do júri também parece indicara para isso: o escolhido da vez foi ninguém mais, ninguém menos do que Steven Spielberg. O diretor americano não disputa a seleção principal do Festival desde Louca Escapada, de 1974, e que não aparece na Riviera desde a estreia especial de E.T. em 1982. A seleção comandada por Spileberg se mostrou plural e inteligente como sempre, assim como a do diretor dinamarquês Thomas Vintenberg para a mostra paralela Um Certo Olhar, de onde sempre saem filmes inusitados (mas que esse ano parece em maior sincronia com a lista principal). Ao lado do diretor americano, o júri conta desse ano conta com Nicole Kidman, Lynne Ramsay (diretora e roteirista de Precisamos Falar Sobre o Kevin), o ator francês Daniel Auteuil, o diretor taiwanês Ang Lee (As Aventuras de Pi) e o ator austríaco com dois Oscar na prateleira, Christoph Waltz.

A gente não quer complicar pra você (nem ter o trabalho de cobrir os quase 50 filmes selecionados), então vamos fazer uma lista (relativamente) rápida de 10 filmes que vão passar pela Riviera Francesa, e deveriam passar pela sua casa também – não necessariamente nessa ordem:

Only God Forgives (Seleção Oficial)

Os fãs do queridinho cult Drive, de 2011, podem comemorar: o dinamarquês Nicolas Winding Refn não quer largar Hollywood tão cedo. Only God Forgives é o novo filme escrito e dirigido pelo moço de 42 anos que levou o prêmio de Melhor Diretor em Cannes por seu projeto anterior. Ryan Gosling, já estabelecido (em parte por Drive) como um astro de primeira grandeza na cadeia alimentar hollywoodiana, também volta à batuta do diretor como Julian, um traficante que vê sua vida ficar ainda mais complicada quando sua mãe (a sempre fabulosa Kristin Scott Thomas) o convence a vingar o recente assassinato do irmão mais novo. Entre os neons da cidade asiática e o realismo visto sob uma lente sedada de Refn, a gente pode apostar que vai ser um filme e tanto.

Inside Llewyn Davis (Seleção Oficial)

Já a três anos silenciosos (e a cinco sem aparecer em Cannes) os irmãos Coen prometem entregar um de seus melhores filmes com Inside Llewyn Davis, mas a verdade é que nunca se sabe, com eles, se teremos um Bravura Indômita ou um Queime Depois de Ler. A nova trama dos cineastas americanos por excelência retrata a vida decadente de um compositor folk em Nova York nos anos 60. O papel título ficou por conta de Oscar Isaac, que tem arquivado papeis coadjuvantes excelentes em filmes como Drive, Sucker Punch e W.E. e agora tem a oportunidade de assumir um protagonista. Como se trata de um filme dos Coen, o elenco é estrelado, contando ainda com Carey Mulligan, Justin Timberlake, Garret Hedlund (Tron: O Legado), John Goodman e Adam Driver (Girls).

Behind The Candelabra (Seleção Oficial)

Steven Soderbergh vai se aposentar. Depois de 24 anos de carreira e pouco mais de 30 filmes, o americano, que completou 50 anos em Janeiro, anunciou que está finalizando suas contribuições para o cinema. Behind The Candelabra, portanto, se essa decisão permanecer, está fadado a ser o último filme do diretor ganhador da Palma de Ouro por Sexo, Mentiras e Videotape e do Oscar de direção por Traffic. Não é a toa que Cannes resolveu trazê-lo de volta com esse filmes originalmente planejado para exibição na HBO, mas que deve ganhar distruibição em cinemas. A trama adapta uma novela autobiográfica de Scott Thornson, que foi amante de Liberace, o famoso pianista libertino, por tempestuosos seis anos. O papel de Thornson ficou com Matt Damon, enquanto Liberace caiu no colo de Michael Douglas. O elenco é completado por nomes como Rob Lowe, Dan Aykroyd, Debbie Reynolds e Scott Bakula.

The Bling Ring (Un Certain Regard)

A filha mais célebre do diretor Francis Ford Coppola caminha para o quinto longa-metragem na direção e roteiro, e para a segunda seleção para Cannes (o pai, embora tenha vencido duas vezes, teve três oportunidades de integrar a seleção durante sua longa carreira). The Bling Ring é talvez o estranho no ninho entre os independentes da mostra Un Certain Regard, contando com pelo menos dois nomes bem reconhecíveis no elenco e uma distribuição garantida em terras americanas (e provavelmente brasileiras). A trama do novo filme da diretora acompanha uma gangue de adolescentes obcecadas pela fama que usa a internet para descobrir o paradeiro de celebridades e invadir suas casas. Emma Watson, a própria Hermione Granger, lidera as garotas, e o elenco conta também com Leslie Mann (Ligeiramente Grávidos).

The Great Gatsby (Fora de Competição)

A gente não queria mesmo ser repetitivo, mas não há meios de se ignorar The Great Gatsby nas últimas semanas. Embora a adaptação do clássico de F. Scott Fitzgerald não tenha tido o poder de trazer Baz Luhrmann de volta a disputa pela Palma de Ouro, foi o bastante para que Steven Spileberg e companhia o selecionassem para a abertura do Festival (que ocorre hoje, dia 15, a noite, aliás). Com o risco de soar repetitivos, lembramos: o novo filme do diretor de Moulin Rouge! conta a história de um veterano de guerra (Tobey Maguire) que se vê subitamente envolvido pelo estilo de vida luxuoso de seu vizinho milionário (Leonardo DiCaprio). O elenco ainda conta com Joel Edgerton (A Hora Mais Escura), Isla Fisher (Home and Away) e Carey Mulligan, em sua segunda aparição na seleção do Festival desse ano.

Bombay Talkies (Sessão Especial)

Cannes abraça Bollywood pela primeira vez com esse “filme-coletânea” Bombay Talkies, feito para comemorar o centenário do cinema hindu e composto por quatro curtas-metragens que, segundo a sinopse, mostram o poder do cinema. A celebrada Zoya Akhtar conta a história de um menino fascinado por filmes que almeja se apresentar no palco (o que enfurece os pais); Dibakar Banerjee retrata as desventuras de um trabalhador com muita má sorte; Anurag Kashyap dirige o curta sobre um âncora de TV atrás de uma reportagem perigosa; e Karan Johar mostra o dia-a-dia de um relacionamento. Ao melhor estilo Paris Eu te Amo, Bollywood prova mais uma vez que é uma potência a ser ouvida no entretenimento mundial.

Le Passé (Seleção Oficial)

Quem viu O Artista e está com saudades da lindíssima (e talentosíssima) Berenice Bejo pode correr para Le Passé, representante francês mais proeminente da seleção oficial do júri. O principal motivo para o filme entrar no páreo, no entanto, vem do Irã: o diretor e roteirista Asghar Farhadi, que levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano passado com o celebradíssimo A Separação. Ele está no comando da história sobre um iraniano que deixa a França (e sua esposa e filhos) para trás ao retornar a terra natal, levando-a a começar um affair e pedir pelo divórcio. Os meandros familiares parecem ser a especialidade de Farhadi. Ao lado de Bejo no filme está Tahar Rahim, cuja atuação em O Profeta lhe rendeu vários prêmios.

Nebraska (Seleção Oficial)

Depois de uma aventura pelo drama mainstream com Os Descendentes, que lhe rendeu o segundo Oscar de roteiro, Alexander Payne retorna ao cinema independente com sua segunda seleção para Cannes (primeira desde 2002), Nebraska. O filme, sexto do diretor em quase 20 anos, é o primeiro que ele dirige sem ter assinado o roteiro: aqui, a história de pai e filho que fazem uma viagem de Montana a Nebraska (terra natal do diretor) para clamar meio milhão de dólares em dívidas antigas é conduzida pelo estreante Bob Nelson. Fotografado em preto e branco, o filme é protagonizado por Will Forte (Saturday Night Live) e Bruce Dern (Amargo Regresso).

The Great Beauty (Seleção Oficial)

Um preferido franco de Cannes desde 2004, com quatro nominações e dois prêmios especiais do júri, o italiano Paolo Sorrentino aparece de novo no Festival com The Great Beauty, descrito como “um retrato da Roma atual” pelos olhos de um escritor envelhecido que tenta recuperar as memórias da juventude. Esse é o filme italiano do diretor que segue sua nem tão bem sucedida estreia americana com o ótimo Aqui é o Meu Lugar. Troque um Sean Penn semi-travestido por um Toni Servillo fazendo o papel de turista rabugento, e mantenha a câmera contemplativa, e você tem The Great Beauty.

As I Lay Dying (Un Certain Regard)

As I Lay Dying já é o sétimo filme de James Franco na direção. Surpreso? A gente também ficou, uma vez que o moço preferiu se reservar ao cinema independente em suas investidas de cineasta. É também a primeira seleção de Franco para um Festival importante do circuito europeu: a trama compreende a jornada de dois irmãos em busa de honrar o desejo de sua mãe de ser enterrada perto da cidade de Jefferson. Franco dirige, assina o roteiro e protagoniza essa adaptação de uma clássica novela de William Faulkner. No elenco também estão o indicado ao Oscar Richard Jenkins (O Visitante) e o comediante Danny McBride (Trovão Tropical).

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Estreia: Pura nostalgia e fina ironia na nova Family Tree, da HBO

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por Caio Coletti

Family Tree se apropria de uma noção e um sentimento tão únicos a ela no atual panorama da televisão americana que é justamente essa noção e esse sentimento que a fazem especial: é uma espécie de nostalgia em processo de descoberta, uma procura por si mesmo que compreende, ao mesmo tempo, a noção de que nunca sabemos exatamente quem somos. Durante os deliciosos 25 minutos de seu episódio de estreia, a série nos entrega uma jornada pelo passado que diz muito sobre o presente, uma viagem pelo próprio processo de construção de uma identidade. E ainda tem tempo de conter algumas peculiaridades que só a tornam mais saborosa.

“The Box”, o episódio em questão, é escrito e dirigido pelo criador da série Christopher Guest. O nova-iorquino de 65 anos é conhecido por ter praticamente inventado o gênero hoje conhecido como mockumentary (uma narrativa ficcional que assume a forma de um documentário encenado) no lendário This is Spinal Tap, de 1984. Desde então, o moço seguiu com obras bastante pessoas e cheias de maneirismos, quase um Woody Allen menos mainstream, e só resolveu se aventurar pela TV agora, com Family Tree. É da célebre criação de Guest que a série empresta seu formato, incluindo no meio da narrativa entrevistas dadas pelos personagens diretamente para a câmera, como em um reality show. Embora a ideia não seja nova à TV (vide The Office), não há nada como a delicadeza e o fino sarcasmo do criador original da mesma para fazê-la funcionar.

A primeira meia hora da série nos apresenta Tom Chadwick (Chris O’Dowd), homem que acaba de sair de um relacionamento e está se dirigindo para a casa do pai com a irmã, Bea (a ventriloquista Nina Conti). Chegando lá, o patriarca conta aos filhos que uma tia-avó distante havia morrido e deixado um pedaço da herança para cada membro da família: para Tom ficou um enorme baú cheio de relíquias e lembranças de família, de tempos e tempos atrás. Nesse primeiro episódio, o que chama a atenção do moço é uma foto de um homem de idade trajando vestes militares, que seu pai acredita se tratar de um avô a muito tempo falecido, aclamado herói de guerra. Conforme Tom persegue essa história, no entanto, as coisas não parecem tão simples assim.

Entre a fina ironia da construção dos personagens e a hilária desventura amorosa do protagonista, “The Box” mostra-se uma série igualmente sensível com cada uma dessas figuras pitorescas. Desde Bea, que foi aconselhada quando criança a usar um boneco ventríloquo para liberar a ansiedade e nunca mais o deixou para trás; passando pelo pai de Tom, um guarda da rainha aposentado que hoje se contenta em tentar inventar engenhocas inúteis que nunca funcionam direito; até o estranho especialista em fotos antigas, o dono de um antiquário ao lado da casa de Tom e o melhor amigo do mesmo, o galanteador Pete (Tom Bennet). Family Tree se tornará, muito provavelmente, uma daquelas séries de comédia com inesgotável fonte de personagens pitorescos e deliciosos.

Mas quem segura tudo isso junto em uma unidade é, claro, Chris O’Dowd. Quem o conhece só pela participação em Girls como o irritante Thomas-John vai se surpreender com a sensibilidade e timing cômico impecável de sua atuação, e vai passar a pensar que o caráter enervante de seu personagem na série de Lena Dunham é só uma prova do quão bom ator e facilmente adaptável ao papel ele pode ser. Ele é um protagonista cativante sem fazer esforço para tal, e brilha com uma luz diferente da dos outros personagens, embora seja em última instância tão estranho (e tão patético) quanto eles. O’Dowd não faz questão de esconder isso. Só quer provar, assim como Family Tree aparentemente também quer, que o patético também pode ser extraordinário.

***** (4,5/5)

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Próximo Family Tree: 01x02 – Treading The Boards (19/05)

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Review: Bates Motel, 01x09 – Underwater

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por Caio Coletti

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

É usual ouvir-se dizer que determinada série, filme, livro ou qualquer produção cultural “é melhor quando não é levada a sério”. Na opinião desse humilde escriba que vos fala, trata-se de uma presunção muito grande de poder do espectador frente ao produto artístico colocado a sua frente. Não está nas mãos de quem assiste levar ou não a sério aquilo que está assistindo, nós somos meras bóias em alto-mar, levados para onde a maré nos empurra. Portanto, talvez, o correto seria dizer não que Bates Motel, para a instância desse review, é tão melhor quanto menos é levado a sério, mas sim que é tão melhor quanto menos se leva a sério.

Mas semânticas a parte, há vários pontos que fazem de “Underwater” um dos melhores exemplares da temporada de estreia de Bates. É mais fácil concentrar-se nas atuações e nos talentos individuais envolvidos na trama, assim como no eventual suspense sério que se infiltra em meio a ela, quando temos uma série de subplots como os que vemos aqui: de Norma lidando de sua maneira particular com os convidados drogados trazidos por Dylan ao motel (a cena toda passada na varanda entre ela e os hóspedes é sem nenhuma dúvida o nosso “momento Farmiga da semana”, especialmente o close-up em que a atriz destila todo o seu veneno e frustração com a cidade de White Pine Bay) até, acreditem, uma storyline toda envolvendo Emma comendo um cupcake de maconha. “Underwater” é uma hora de televisão mais divertida do que se poderia esperar.

A profundidade psicológica da proposta do show, quando ela consegue ser produzida, fica nas mãos do roteiro, de Freddie Highmore e do diretor Tucker Gates. O script dessa semana é assinado pelos criadores e developers Carlton Cuse e Kerry Ehrin, e além dos deliciosos prazeres culpados que nos proporciona, acha o equilíbrio certo para lidar com as sombras da psiquê do jovem Norman. A ótima Keegan Connor Tracy no papel da professora do garoto, Miss Watson, é sempre um elemento bem-vindo nesse sentido, e há uma cena lindamente filmada em que Norman sonha estar afogando Bradley em uma banheira. O próprio Highmore, embora nem sempre bem servido pela própria série, vem fazendo um trabalho excelente de pequena cena em pequena cena. O destaque aqui é o diálogo entre ele e Dylan no quarto do mais novo: “I’ve never wanted to hurt anyone… Except you once in a while”.

Bates consegue pela segunda semana seguida, aqui, e talvez até melhor do que o anterior “A Boy and His Dog”, ser suspense intrigante, drama psicológico interessante e uma série que incansavelmente borra as linhas entre o kitsch e o “regular”. E tudo isso sem se levar a sério demais. De todos os seus subplots, o único que não funciona tão bem é o da estranha relação que está se formando entre Dylan e Bradley, muito embora tanto Max Thierrot quanto Nicola Peltz se esforcem para dar sentido a uma combinação de personagens feita, obviamente, para despertar engrenagens futuras na trama. De uma forma ou de outroa, a gente mal pode esperar pelo finale semana que vem.

***** (4,5/5)

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Próximo Bates Motel: 01x10 – Midnight SEASON FINALE

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Review: Vicious, 01x03

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por Andreas Lieber

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Seguindo a premissa de seus dois episódios anteriores, Vicious é uma sitcom que, embora já venha com sua história formada e pronta, é a cada novo episódio que descobrimos certos meandros e características dos personagens. Além das cutucadas e questiúnculas (o famoso “bickering”, em inglês) de Freddie e Stuart, da felicidade de Ash e da luxúria cômica de Violet, vamos descobrindo aos poucos características mais únicas de cada um.

Quando Ash anuncia que está insatisfeito com o seu trabalho em um restaurante, Freddie dá a notícia de  que irá fazer uma audição para a famosa série britânica Downton Abbey e oferece para ensinar ao jovem algumas técninas para que ele, também, possa investir na carreira. Encorajado por Violet, principalmente porque, segundo ela é requerido de jovens atores varias cenas sem camisa, Ash começa a ajudar Freddie no ensaio de sua – única – fala no roteiro.

Enquanto isso Violet discute seu relacionamento a distância e a beira da falência com Stuart, que a aconselha um término imediato. A felicidade de Freddie por ter conseguido o papel é desgastada, no entanto, quando Ash aparece dizendo que, em sua primeira audição, conseguiu papel em um filme independente. Caindo em profunda depressão, o que ocasiona com que seja gentil com todo mundo, Freddie começa a ter uma crise de realização profissional. Enquanto Stuart e Vi tentam acabar com a auto-estima de Ash para que ele recuse o papel e Freddie volte ao normal, vemos que, mesmo com as disputas constantes, esses velhos amigos ainda fazem de tudo um pelo outro.

A série se mantém com falas engraçadas e ageis, além de apresentar uma tonelada de referências à cultura britânica em cada episódio. Um toque engraçadíssimo que deve ser notado também são as infinitas dúvidas de Freddie e Stuart sobre se Balthazar, o cachorro de 20 anos, continua vivo a cada cena.

4/5(****)

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Mais uma emissora libera trailers de novas séries: conheça as 9 apostas da Fox!

ALMOST HUMAN: Executive-produced by Emmy Award winner J.J. Abrams and creator J.H. Wyman and starring Karl Urban (C), Michael Ealy (second from R) and Emmy Award nominee Lili Taylor (R), ALMOST HUMAN is a high-tech, high-stakes action drama set 35 years in the future, when police officers are partnered with highly evolved human-like androids. An unlikely partnership is forged when a part-machine cop (Urban) is forced to pair with a part-human robot (Ealy) as they fight crime and investigate a deeper cover-up in a futuristic new world.  ALMOST HUMAN, the high-tech, high-stakes action drama premieres late fall on FOX.  Also pictured L-R: Michael Irby, Mackenzie Crook and Minka Kelly. ©2013 Fox Broadcasting Co. Cr: Kharen Hill/FOX

por Caio Coletti & Andreas Lieber

Depois da NBC revelar suas apostas para a temporada 2013/2014, é a vez da Fox nos mostrar o que tem guardado na manga para Setembro. Entre policiais futuristas, comédias improváveis e mais policiais nem-tão-originais, a emissora americana promete algumas boas novas séries por aí. Conheça abaixo os 9 previews já liberados:

Almost Human

A nova série adotada por J.J. Abrams, Almost Human é uma ficção científica que promete trazer algumas questões interessantes e uma mistura de drama de parceiros policiais e ação futurista. Os créditos pela criação do conceito ficam com J.H. Wyman, que tem vários episódios de Fringe e o recentemente lançado Dead Man Down, filme estrelado por Colin Farrell, no currículo. O elenco é encabeçado por Karl Urban como um policial que sofre um acidente e, quando volta a ativa, se depara com o desafio de lidar com um parceiro andróide, interpretado por Michael Ealy (Sleeper Cell). No cast também estão Minka Kelly (Friday Night Lights) e Lili Taylor (A Sete Palmos).

Sleepy Hollow

Sleepy Hollow é uma modernização da lenda do cavaleiro sem cabeça que inspirou Tim Burton a fazer seu filme de 1999 estrelado por Johnny Depp e homônimo a nova série. Nas mãos de Roberto Orci e Alez Kurtzman, os escritores responsáveis pelo recente reboot de Star Trek e por todos os filmes da série Transformers, além da criação da série Fringe, a lenda ganha ares de trama policial de suspense: Ichabod Crane, o lendário soldado americano que primeiramente decapitou o cavaleiro sem cabeça, acorda no século XXI para descobrir que a assombração voltou a cidade de Sleepy Hollow, e recebe a ajuda de uma policial negra na missão de capturá-lo. A série é protagonizada por Tom Mison (Amor Impossível) e Nicole Beharie (Shame), e tem participação especial de John Cho (Star Trek).

Dads

O formato de sitcom ainda está longe de se esgotar e os nomes envolvidos em Dads são prova disso. Dois dos responsáveis pelo hit cômico absoluto Ted, do ano passado, estão no comando da série: Alec Sulkin e Wellesley Wild criaram essa trama sobre dois caras de trinta e poucos anos bem-sucedidos que tem sua vida jogada de cabeça para baixo quando seus respectivos pais passam a morar com eles. Os papéis principais foram agarrados por Seth Green (Austin Powers) Giovanni Ribisi (que participou de Ted), e os pais ficam por conta de Martin Mull (Sabrina) e do veterano da TV Peter Riegert. A série conta ainda com Brenda Song, conhecida como coadjuvante de Zack & Cody, na pele de uma funcionária dos amigos.

Brooklyn Nine-Nine

Aparentemente a comédia mais esperta da futura grade da Fox, Brooklyn Nine Nine combina sitcom de local de trabalho (vide The Office, 30 Rock, Parks and Recreation) com comédia de ação policial, retratando um grupo de detetives em um precinto do Brooklyn que precisa se adaptar a um novo e mais rígido capitão. O papel do comandante linha dura ficou com Andre Braugher (Homicide), enquanto o detetive brilhante e bagunceiro Jake Peralta fica por conta de um surpreendentemente charmoso Andy Samberg (Saturday Night Live). O elenco ainda tem o ótimo Joe LoTruglio (Reno 911!), Terry Crews (Everybody Hates Chris) e Melissa Fumero (One Life to Live).

Rake

Greg Kinnear tem uma indicação ao Oscar (por Melhor É Impossível, em 1997) e uma enxurrada de papéis coadjuvantes (destaque para Pequena Miss Sunshine) no currículo, e é com certeza um daqueles talentos que Hollywood não sabe aproveitar como deveria. Rake pode mudar isso: na pele de um advogado cuja vida é uma bagunça – de problemas com dívidas de apostas a se apaixonar por uma prostituta e ter uma ex-namorada psicopata espreitando – e cujos casos criminais são os mais espinhosos (no primeiro capítulo o moço se torna defensou de um assassino canibal), ele pode apostar no efeito Hugh Laurie e, de repente, construir toda uma aura em torno de si. A gente torce para que funcione, porque pelo trailer Rake vai ser uma série e tanto.

Enlisted

Enlisted, a nova série de Kevin Biegel (Cougar Town) tem de tudo para ou ser muito engraçada, ou muito ruim. Revivendo o clássico plot de disputa entre times, temos a FOX com uma nova proposta de comédia ao incluir nessa já conhecida história um elemento adorado pelos norte-americanos: o Exército. Contando com um dos poucos roteiros em que esse elemento é, na verdade, motivo de risos, Enlisted é baseada na relação do próprio Kevin Biegel com seus irmãos ao mostrar como o Sgt. Pete Waits (Geoff Stults, de The Finder) fica encarregado do treinamento de um pelotão na Flórida e tem de lidar com as maluquices de seus irmãos: Chris Lowell (Private Practice), um desajustado sem respeito (e ainda sem nome divulgado) e o super-ultra-mega orgulhoso de ser um “soldado pela pátria”, Randy Waits (Parker Young, de Suburgatory). Junto a um grupo sem coordenação ou muita disciplina, Enlisted e a FOX podem arrancar algumas risadas sinceras do público, mas só se o roteiro conseguir lidar com o plot de competição por um período maior do que o de duas horas.

Us & Them

Pra quem sentiu saudades, como a gente, Alexis Bledel voltou! A queridinha de Gilmore Girls retorna ao mundo das séries com a aposta de comédia-romântica da FOX, Us & Them. A trama, que gira em torno das dificuldades de se encontrar o amor no mundo tecnológico e de sites de relacionamento de hoje em dia, conta também com Jason Ritter (Parenthood) e promete ser um charme nas sutilezas do dia-a-dia. Baseada na britânica Gavin & Stacey, a série narra como os personagens de Bledel e Ritter decidem se encontrar em um “blind date” onde as coisas vão do estranho ao esquisito e, na manhã seguinte, do bizarro ao inacreditável. Cercados por suas famílias um tanto quanto paranóicas e nada ortodoxas, esses dois vão provar que quanto menos convencional for o relacionamento, melhor ele é. Com um preview trailer genuinamente fofo e engraçado, Us & Them talvez esteja aí para mostrar que as adaptações americanas nem sempre são as piores coisas do mundo.

Surviving Jack

Após mais de uma década vivendo o durão detetive Stabler em Law & Order: SUV, Christopher Meloni protagoniza a aposta da FOX de uma comédia ambientada nos anos 90. Em uma era pré-Google, Twitter, Facebook, iPhones e todo esse aparato tecnológico, os Dunlevy sofrem uma alteração na rotina familiar quando Joanne, a mãe (Alex Kapp Horner, de The New Adventures of Old Christine) decide ir para a temida Law School (universidade nos EUA é uma coisa complicada) e coloca Jack (Meloni) a cargo dos dois filhos adolescentes do casal: o desajustado e tímido Frankie, cheio de problemas com as garotas, e a loira e esperta Rachel, sem nenhum pingo de problema com os garotos. No básico modelo de “single parenting sitcom”, Surviving Jack inova ao trazer um single pareting não tão single assim, já que a mãe é apenas muito ocupada. Ponto alto da série mesmo, acreditamos, vai ser a capacidade do roteiro de se relacionar com os telespectadores: a maioria de nós somos da “geração dos anos 90” e lembramos bem de como era.

Gang Related

Pra quem gosta de ação, gangues, tiros e Los Angeles, a aposta policial da FOX é um prato cheio! Do mesmo roteirista do primeiro filme da franquia Velozes e Furiosos, Gang Related traz o agente infiltrado no departamento de polícia de San Francisco, Ryan Lopez (Ramon Rodriguez, de Day Break) tendo que lutar contra o senso de lealdade com sua gangue de infância, uma das mais poderosas de Los Angeles, e o novo que ele está desenvolvendo pelo seu trabalho como policial. O time policial, liderado por Sam Chapel (Terry O’Quinn, de Lost), promete trazer as intrigas das gangues e máfias da California, juntamente com os meandros e articulações da polícia de uma forma que vai agradar os fãs mais extremos do gênero ação clássico.

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Skylar Grey se vinga do seu assassino no vídeo de “Final Warning”

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por Caio Coletti

A gente já destacou que a Skylar Grey tá de data marcada, depois de quase três anos, para lançar o álbum de estreia. O segundo single promocional da gravação, intitulado “Final Warning”, ganhou hoje (13) videoclipe que precede em quase dois meses o lançamento do álbum, Don’t Look Down, marcado para 09 de Julho.

No vídeo um tanto críptico, Skylar retorna para casa suja de lama, seminua e com os olhos sangrando, uma visão atterrorizante para a família que está comemorando o casamento da irmã da moça e pensava que ela estava morta. O máximo que a gente pode interpretar das imagens é que a história sugere um affair entre Skylar e o noivo da irmã, que a matou para encobrir o caso.

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Um primeiro olhar nas 6 apostas da NBC para a nova temporada

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por Caio Coletti

A atual temporada de séries ainda nem acabou por inteiro, e a NBC já está nos dando um primeiro gostinho das novas apostas do canal para Setembro, quando o ciclo das séries recomeça. Até o momento, a emissora disponibilizou 6 trailers dos mais diversos gêneros e para os mais diversos gostos. A gente te dá um guia desses projetos para você saber pelo que já pode começar a babar. Vem!

The Blacklist

Começamos com The Blacklist, que parece ser a aposta maior da emissora para a temporada 2013/2014. Com um piloto dirigido por Joe Carnahan (A Perseguição, A Última Cartada) e o pedigree de John Bokenkamp (A Estranha Perfeita, Roubando Vidas) como criador e roteirista dos primeiros episódios, a série mistura O Silêncio dos Inocentes e The Following: James Spader interpreta um criminoso da lista dos mais procurados do FBI que, sem explicação nenhuma, se entrega. Sob custódia do bureau, ele clama e prova ter uma lista de outros criminosos, “aqueles que vocês não conseguem prender porque nem mesmo sabem que existem”, e exige tratar com a agente novata Elizabeth Keen (a promissora Megan Boone) na missão de capturar, um por um, esses criminosos.

The Michael J. Fox Show

Ok, nós somos absurdamente, inexplicavelmente e inalienavelmente suspeitos para falar, mas estamos explodindo de felicidade com a notícia do The Michael J. Fox Show, outra aposta da NBC para a nova temporada. Primeiro, porque a gente ama esse tipo de comédia cheia de subtextos sobre a vida do próprio protagonista (e essa é uma fórmula que ainda funciona, vide Two and a Half Men). E segundo, simplesmente porque Michael J. Fox is back, bitches! Sob o comando de Will Gluck (Amizade Colorida) e Sam Laybourne (Cougar Town), a nova série do ícone da TV e do cinema americano o traz como Mike Burnaby, um âncora de telejornal aposentado por causa do Mal de Parkinson que resolve voltar ao trabalho. Betsy Brandt (Breaking Bad), Juliette Goglia (Easy A) e os novatos Conor Romero e Jack Gore completam a família construída à imagem da família Fox.

Ironside

Se séries policiais são sua praia mas você estava esperando por algo com mais crueza e um protagonista realmente original e interessante, seja bem vindo a nova encarnação de Ironside produzida pela NBC. A série original teve oito temporadas entre 1967 e 1975, e aqui Raymond Burr (Janela Indiscreta) é substituido por Blair Underwood (L.A. Law) como o detetive Robert Ironside, um dos policiais mais durões de Nova York que se vê subitamente preso a uma cadeira de rodas. A direção do piloto é de Peter Horton, veterano de Grey’s Anatomy e The Shield, e a criação e roteiro ficam por conta de Michael Caleo, que esreveu para Rescue Me e The Sopranos.

Sean Saves The World

Embora a fórmula da sitcom familiar esteja um pouco desgastada, a nova abordagem de Sean Saves The World (e seu protagonista) podem salvá-la. Na nova série, Sean P. Hayes, seis vezes indicado ao Globo de Ouro por sua performance em Will & Grace, tenta provar que consegue segurar uma série sozinho: ele é um pai recém-divorciado que tem de lidar com a filha adolescente, um trabalho exigente com um chefe insano, e as interferências de sua própria mãe no ambiente familiar. A criação da série é creditada a Victor Fresco, cujo nome esteve em várias sitcoms de sucesso como Mad About You e My Name is Earl.

Welcome to the Family

A terceira comédia da lista vem de Mike Sikowitz (Rules of Engagement) e conta com um elenco que, pelo menos, promete. O casal principal é formado por Mary McCormack (In Plain Sight) e Mike O’Malley (Glee), marido e mulher de meia idade que comemoram o tempo que poderão passar sozinhos quando a filha (Ella Rae Pack, de Deception) se forma e se muda para o Arizona para fazer faculdade. No entanto, não muito tempo depois, a moça retorna com notícias de que está grávida do namorado Junior (Joseph Haro, de Awkward.), cujo pai é o treinador de boxe Chuey (Ricardo Chavida, de Desperate Houwewives), que havia acabado de expulsar o pai da garota da sua academia. A fórmula promete, nessa instância, render algumas boas risadas.

Dracula

Por fim, a preferidinha de todo mundo tende a ser Dracula, uma co-produção entre o pessoal responsável por Downton Abbey e a equipe de The Tudors que promete trazer de volta o vampiro original de Bram Stoker na pele de Jonathan Rhys-Meyers, protagonista também da série sobre os monarcas britânicos. Planejada com antecedência para ter duas temporadas, Dracula retrata o Lorde dos Sanguessugas como um poderoso empresário e cientista do séxulo XIX, trazendo a novidade da eletricidade para Londres e buscando vingança contra aqueles que arruinaram sua vida. O papel de Mina Murray, que já foi celebremente representado por Winona Ryder em Dracula de Bram Stoker ficou com Jessica De Gouw, que fez alguns episódios de Arrow, e quem encarna Van Helsing é Thomas Kretschmann, que paradoxalmente interpretou o próprio Dracula na versão de Dario Argento, do ano passado.

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