24 de fev de 2010

Ilha do Medo (Shutter Island, 2010)

preview (nunk excl)Preview Shutter Island 01

[Teddy]: “Você leu o informativo sobre a instituição?”

[Chuck]: “Tudo o que eu sei é que se trata de um hospital para loucos…”

[Teddy]: “…Para os criminalmente loucos”

O breve diálogo, que enfeita uma das primeiras cenas do segundo (e melhor) preview de Shutter Island colocado na rede pelo estúdio, pode muito bem ser uma provocação do mestre Scorsese para os que tentaram dissecar seu filme mais misterioso, comentado e analisado até hoje, antes da estréia. Saber o final, ao menos para quem não leu a novela de Dennis Lahane, era impossível até a pré-estréia do filme em Berlim (depois disso, é claro, a Internet tratou de nos presentear com os spoilers de plantão, estejam eles certos ou não). A verdade é que, como mestre que é, Scorsese sabe que o julgamento de seu filme não será feito pelo destino de seus personagens, mas sim pelo significado e pelo envolvimento que a jornada vai causar no público americano, que deu uma impressionante estréia de US$ 14 milhões para o suspense de Scorsese. O resultado, um dos mais vitoriosos comercialmente da carreira do diretor, desbancou até mesmo o gigantesco elenco do meloso Idas e Vindas do Amor, tascando a liderança de sua primeira sexta-feira. Aqui no Brasil, só dia 5 de Março. São nove longos dias para resistir as revelações que agora pipocam na Internet e chegar a sessão de Ilha do Medo (tradução padrão escolhida pela distribuidora brasileira) com a mente aberta para tudo que o cineasta nos vai propor nessa nova viagem. O que os trailers do filme nos mostram é que o esforço pode até valer a pena. Sem estragar nenhuma surpresa.

Trama/Roteiro

Com o pouco que nos mostram os dois previews dá para deduzir as razões e motivações por trás da visita dos agentes federais Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) a instituição do título, além da própria finalidade do sombrio lugar. Trata-se, como deixa um tanto claro o trecho de diálogo no começo do texto, de um lugar onde ficam presos e são tratados os doentes mentais que foram levados a cometer algum crime por seus delírios. Além disso, dá para perceber que o ponto de partida da trama é a fuga de Rachel Solondo da ilha, motivando uma investigação que leva Teddy a encontrar um bilhete da interna com a pergunta “Quem é o paciente 67?”. Presente desde o início da promoção do filme, a existência de um 67º paciente na ilha é insistentemente negada pelos administradores do lugar (Ben Kingsley e Max von Sidow), o que dá início a uma gigantesca teoria de conspiração e a um jogo de gato e rato pelas entranhas do gótico lugar montado pelo diretor Scorsese. O próprio Teddy não escapa ileso da trama, atormentado por pesadelos e visões de sua mulher, um trauma incógnito (ao menos nos trailers) de seu passado.

O trabalho de Laeta Kalogridis, dona de um currículo tão díspar que inclui o viajante Guardiões da Noite e o terrível Desbravadores, parece tão instigante quanto sua fonte de inspiração, uma mais que elogiada novela do escritor Dennis Lehane, que não é estranho em meios cinematográficos: Sobre Meninos e Lobos e Medo da Verdade também vieram de tramas suas. Resta esperar para ver como o seu estilo um tanto denso se ajusta a mitologia mais complicada de uma trama como essa. Por enquanto, Kalogridis desfruta de popularidade inédita em sua carreira, sendo chamada por James Cameron (seu parceiro de produção em Avatar) para redigir a adaptação do mangá Battle Angel Alita, que o diretor pretende dirigir assim que se desembaraçar por algum tempo dos planos (ou seriam rumores?) de seqüência para seu último mega-blockbuster.

Elenco

Leonardo DiCaprio, que não é burro nem nada, arquivou a quarta parceria com o diretor Martin Scorsese ao encarnar o perturbado Teddy Daniels, talvez o grande enigma entre os milhares que o texto joga para o espectador, e ainda garantiu seu lugar como protagonista da biografia de Frank Sinatra que o cineasta pretende realizar em seguida. Mas isso é história para outro momento. Aqui, o breve diálogo em frente ao espelho que é o único momento mais revelador de sua performance no trailer mostra que veremos o astro em alta voltagem, encarnando as incertezas do personagem com a garra que apresenta só sob o comando dos grandes diretores. Ao seu lado, o sempre contundente Mark Ruffalo, que encara o parceiro Chuck Aule, parece entregar uma atuação abaixo do esperado para um ator de sua estirpe, mesmo em coadjuvância, que há muito tempo deixou de seu sinônimo de desleixo.

Bons exemplos disso são os experientes Ben Kingsley e Max von Sidow, as figuras mais emblemáticas do trailer, brincando com a percepção do espectador em atuações carismáticas, pensadas e acertadas. A elegância à la inglesa do primeiro, mais usado pelo diretor no preview, somada a auteridade natural do segundo, formam uma dupla que encarna bem o espírito de como a ilha parece aos olhos do espectador. De resto, Jackie Earle Haley promete mais um show de insanidade como o mais perigoso paciente do local, enquanto Elias Koteas aparece muito pouco e deixa água na boca do público com sua caracterização bizarra. O detalhe mais curioso, porém, não está no trailer, e sim na ficha de elenco da página do filme no IMDb. Note bem que a personagem de Rachel, a prisioneira que escapa da ilha, é creditada tanto a Emily Mortimer (que de fato nos aparece em flashes rápidos no trailer) e a Patricias Clarkson. Ainda há  muitos mistérios a decifrar em Shutter Island.

Direção

Por sua vez, Scorsese consegue mostrar até no trailer a superioridade de sua direção sobre as firoulas frenéticas que dominaram o cinemão americano nos últimos anos. A elegância de sua câmera é apenas sugerida com os cortes rápidos que os previews exigem por natureza, mas seus ângulos sempre no limiar ente a tradicionalidade e a inovação ganham novo frescor ao sair um pouco de seu ambiente natural e realizar um longa que promete ser escuro, sombrio, gótico e visualmente impressionante como poucos na carreira do mestre. Revigorado e já livre do fardo de não ter um Oscar na prateleira, ele parece, mais do que nunca, seguro de si mesmo. Demorou. O público e a crítica, esses já confiam em Scorsese há muito, muito tempo. Shutter Island é apenas mais um capítulo nessa longa história. E um dos mais intrigantes, diga-se de passagem.

Preview Shutter Island 03Preview Shutter Island 02

Ilha do Medo (Shutter Island, EUA, 2010).

Dirigido por Martin Scorsese

Escrito por Laeta Kalogridis (baseada na novela de Dennis Lehane)

Elenco Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sidow, Michelle Williams, Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, Elias Koteas

138 minutos. Estréia dia 05 de Março.

4 comentários:

Gutt e Ariane disse...

Esse parece ser irado hein!! E por incrivel que pareça... numa dessas banquinhas de dvds piratas, já me deparei com esse filme!! ¬¬ rsrs...
Os caras não perdem tempo...sequer entrou no cinema e eles já tem ao menos uma prévia! É foda...

Anônimo disse...

Ola, what's up amigos? :)
In first steps it is really good if somebody supports you, so hope to meet friendly and helpful people here. Let me know if I can help you.
Thanks and good luck everyone! ;)

Mateus, O Indolente disse...

Martin Scorcese é um cineasta que vem me interessando bastante de uns tempos para cá. Estou lendo um livro que fala da Nova Hollywood, momento histórico no qual Scorcese foi bastante importante.

Estou ancioso para ver esse seu novo filme - sua parceria com Di Caprio é tão boa quanto a sua com De Niro!

Cinema para Desocupados

bones disse...

hehe, também já encontrei o piratinha deste aí.

Mas ste eu vou esperar para ver no cinema mesmo. Principalmente porque li o livro a alguns meses. No livro o final ´da margens a interpretações, apesar dos especialistas não concordarem. Estou torcendo para que essa produção dê margem a interpretação tbm. Afinal, os bons livros (ou filmes) vc reler sempre.

um abraço Caio.

nota: tive a oportunidade de ver contatos de 4º grau ontem. Apesar de ser interessante a premissa foi um tédio só. Não recomendo nem a ufologos.