12 de jul de 2010

JOGO RÁPIDO: “O Amor Pede Passagem” + “A Chamada”

critica (nunk excl)jogo rápido 1

O Amor Pede Passagem (Management, EUA, 2008)

Um produção da Image Entertainment/Sidney Kimmel Entertainment…

Dirigido e escrito por Stephen Belber…

Estrelando Jennifer Anniston, Steve Zahn, Margo Martindale, Fred Ward, James Hiroyuki Liao, Woody Harrelson…

94 minutos

O Amor Pede Passagem é daqueles filmes que começa banal, porém engraçado, e termina com o mesmo adjetivo, num momento ligeiramente mais sentimental. Vendido como uma comédia romântica padrão, é bem verdade que o filme de estreia na direção do roteirista Stephen Belber, mais conhecido por episódios Law & Order: SVU e como o autor da peça que gerou Amargo Reencontro, do diretor Richard Linklater, surpreende no sentido que segue um caminho diferente do esperado para o gênero. Aqui, o Mike de Steve Zahn é o adorável perseguidor atrás de amolecer o coração da workaholic modernosa Sue (Jennifer Aniston). Desde o momento em que a mulher de negócios de Baltimore lhe apareceu no pequeno motel da família, de passagem, em uma cidade perdida no coração da América, Mike sabia ser capaz de tudo por ela. É ingênuo, é romântico, mas rende algumas boas piadas e pelo menos um par de momentos de verdade emocional.

Para começar, Belber não é um mau diretor. Ele arranja momentos competentes em meio a uma ambientação generalizada e confinada que denuncia suas origens no teatro, mas é uma pedra bruta, que ainda precisa ser lapidada para funcionar como deve. Seu roteiro é bobinho em alguns momentos, mas não passa nem perto de deixar o âmbito de uma cruel realidade que parece ser completamente contrastante com a fantasia ingênua de Mike. Uma fantasia que acaba vencendo, diga-se de passagem. E Steve Zahn ainda é adorável, ainda que cruelmente repetitivo, no papel que lhe marcou na mente de meio mundo em filmes como Bandidas, Sahara e até A Creche do Papai. Dá para dizer o mesmo do eterno coadjuvante de luxo Woody Harrelson, em seu papel padrão do lunático da vez. O risco da repetição, ao menos, Jennifer Aniston não corre. Sensível, maleável e ainda adorável, a Rachel de Friends demonstra mais uma vez que tem potencial para se tornar uma grande atriz. Se não continuar presa a filmes essencialmente medianos como esse, é claro.

Nota: 5,0

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A Chamada (Echelon Conspiracy, EUA, 2009)

Dirigido por Greg Marcks…

Escrito por Michael Nitsberg, Kevin Elders…

Estrelando Shane West, Edward Burns, Ving Rhames, Jonathan Pryce, Sergey Gubanov, Martin Sheen…

105 minutos

Os freqüentadores assíduos de locadoras e devoradores de trailers em geral devem ser familiares com o tipo de filme de ação feito com orçamento mediano, sem grandes recursos e uma trama bem genérica, à moda de Dan Brown (mas sem a densidade da escrita do polêmico americano), sobre a conspiração da vez. Pois é isso que dá para esperar de A Chamada, o primeiro filme de Greg Marcks após o espertíssimo 11:14 e, para quem viu nele algum talento naquela ocasião, uma tremenda decepção. Tudo bem, a culpa não é (toda) dele. O grande “mérito” pela falta de coesão de toda a narrativa é do estreante Michael Nitsberg, que se junta ao escaldado Kevin Elders (Águia de Aço) para a elaboração de um roteiro raso, de personagens estereotipados e condução de trama sem ritmo algum. Isso sem contar que, de original, A Chamada não tem nada.

A premissa é colada descaradamente de Controle Absoluto, o estilo de conduzir a narrativa vem do autor de O Código da Vinci, as cenas de ação remetem a série Bourne. Só que o filme não tem Shia LaBeouf e Michelle Monaghan para defender seus protagonistas, nem a urgência que Brown coloca em suas palavras e Akiva Goldsman transpõe no cinema, muito menos a perícia diretiva de Paul Greengrass. Ao invés disso, conta com um caricato Shane West (regular de Plantão Médico) e uma lindíssima e nada mais Tamara Feldman (Life, Dirty Sexy Money) perdidinhos em uma trama espaçada e sem punch, que perde ainda mais com a direção frouxa e automática de Marcks. É de espantar que um cineasta tão inteligente em sua estréia tenha chegado ao ponto de realizar um trabalho desleixado como esse. Salvos? O final engenhoso e as presenças de Edward Burns e Ving Rhames, que dão alguma (pouca, a bem da verdade) credibilidade para um filme sem propósito algum a não ser roubar quase duas horas da sua atenção. Não perca tanto tempo.

Nota: 3,0

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Sabe o que foi bom naquela aula de yoga? O negócio da respiração, eu não faço isso…Há dias em que eu preciso me instruir meu coração a pedir por mais ar, e eu tenho que dizer para mim mesma ‘respire, Sue, só continue respirando’… Sim, eu quero filhos”

(Jennifer Aniston em “O Amor Pede Passagem”)

4 comentários:

Fabioc disse...

Gostei dessa análise mais compacta. Pude ter uma impressão dos dois filmes boa e rápida. Não vi nenhum dos dois, nem sabia da sua existência - aliás, tenho uma lista de filme que tenho que assistir, onde há alguns atrasos imediatos como Bastardos Inglórios, que é uma heresia não ter assistido.
Comédias românticas geralmente caem nos clichês, como vc bem definiu. O que destaca um filme deste gênero são cenas específicas, que podem dar um diferencial. Eu insisto em comédias românticas, pois adoro filmes leves, mesmo que eles não tenham um roteiro sofisticado...
Mais uma vez tentei dar uma de Anagrama e analisei um filme, Toy Story, gostaria da sua opinião da minha "atuação". Foi meio inspirado no seu jeito de escrever. hehheehhe

TEIA disse...

Olá Caio.
Parabéns pelo post,seu blog está entre os melhores ,obrigado por nos ajudar a formar uma verdadeira "Teia" de ótimos conteúdos.
Não poderia deixar de dizer que fiquei super contente ao ver o seu apoio ao blog Teia ,são "amigos" como você que dá força ao nosso trabalho!!!
Obrigado.
O blog Teia sempre tará espaço garantido para "O Anagrama".

Até mais.

Rubens Rodrigues disse...

Eu gostei mais de Management pelo papel da Aniston. Eu acho que ela só não faz filmes mais sérios por causo do fracasso que foi Fora de Rumo. Aliás, ela tá gravando (ou já gravou) um filme em que ela interpreta uma presidiária. Esse parece interessante. Mas eu tô ansioso mesmo é por Caçador de Recompensas. Aniston e Butler é a dupla perfeita.

Caio, aproveitando a visita eu aviso que tô de blog novo. O SubterrâneoCE vai focar na cena underground cearense, vai falar das bandas que ralam independentemente pra fazer um rock aqui em Fortaleza. Espero que você faça uma visita depois.

http://subterraneoce.blogspot.com/

Abraço!

Gabi Rodrigues ~* disse...

Caio adorei teu blog! Sou uma viciada assumida em filmes, me identifiquei demais com o seu blog. Estou te seguindo e vou estar sempre por aqui, ok? Um grande abraço ;**

http://1umpoucodetudo.blogspot.com/