13 de jul de 2010

Testemunhas de Uma Guerra (Triage, 2009)

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Não era de se esperar que Testemunhas de Uma Guerra fosse um filme fácil de assistir. Pelo título, pela própria imagem do poster, pelo nome de Colin Farrell (agora consolidado como “ator sério” e apreciado pela crítica do mundo inteiro) no topo do cartaz, pela expectativa do primeiro filme de projeção internacional do bósnio Danis Tanovic depois do Oscar de Filme Estrangeiro pelo épico de guerra Terra de Ninguém, e pelo próprio tema. Não dá para entrar em um filme sobre um fotógrafo de guerra que volta de uma zona perigosíssima (o alarmante Curdistão) sem seu melhor amigos e companheiro de viagem e precisa enfrentar a esposa deste, prestes a dar à luz, esperando alguma espécie de feel-good-film. Mas nada prepara o espectador para o choque de um filme de guerra no qual os horrores dessa são grandes, mas poucos comparados as dificuldades do mundo real. “O mundo é um lugar complexo”. Estava mesmo na hora de alguém dizer isso em uma peça de cinema que valesse a pena ser assistida.

A missão de definir o filme com a frase copiada no parágrafo acima ficou com ninguém menos que Christopher Lee, e é a partir dele, em papel pequeno mas vital no contexto do filme, que podemos analisar tudo o que Testemunhas de Uma Guerra (ou o mais poético Triage, do original) tem para nos dizer. Lee é gigantesco em tela, encontrando sua própria persona cinematográfica naturalmente imponente e freqüentemente sinistra (ele foi Drácula, oras!) com um personagem simbólico e mais do que fundamental no desenrolar da trama. Ele é o catalisador para a explosão de verdade mais chocante dos últimos tempos no cinema, e é Colin Farrell quem a opera. Absolutamente superlativo mais uma vez, o ator que atingiu a maturidade em uma atuação sensível em Na Mira do Chefe mostra, aqui, que está um pouco além de intéprete maduro e competente. Farrell é daqueles atores capazes de levar o filme em que figuram, quando realmente engajados no personagem, para um nível de apreciação diferente, instintivo, quase automático, e infinitamente mágico. Mesmo que trabalhe para uma causa um tanto sombria.

Atrás das câmeras, Tanovic atinje o equilíbrio que qualquer autor-diretor almeja. Seu roteiro, sua câmera e a fotografia severa de Seamus Deasy complementam-se para formar uma composição expressiva que passa sensações, lembranças, flashes e momentos com competência invariável. Triage é absurdamente regular na forma como carrega a trama, conseguindo despertar a atenção e a sensibilidade do espectador tanto nos pequenos set-pieces que nos acrescentam muito sobre o personagem principal quanto na trama condutora do filme. E o filme ainda nos cria imagens belas, quase cruelmente, para contrastar com uma mensagem cruelmente verdadeira, como se tudo o que presenciássemos fosse visto não pelas lentes de Tanovic, mas pelas de David (Jamie Sives), o parceiro desaparecido de Mark Walsh (Colin Farrell). Entendemos a preocupação de Elena (Paz Vega) e, também, sua felicidade. Sabemos do que Joaquín (Christopher Lee) está falando quando diz que não se arrepende do que fez. Somos apresentados a um mundo palpavelmente real que, em minutos, nos vira a cabeça ao contrário.

É um choque. É cruel. Talvez não seja a coisa mais agradável do mundo. Mas, mesmo desoladora, a mensagem que Tanovic nos deixa no final do seu filme não deixa de ser, um pouco (só um pouco, e só por um momento), esperançosa: “só os mortos viram o fim da guerra”. Eles, ao menos.

Nota: 8,0

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Testemunhas de Uma Guerra (Triage, Irlanda/Espanha/Bélgica/França, 2009

Uma produção da Paralell Film Productions/Asap Films…

Dirigido e escrito por Danis Tanovic…

Estrelando Colin Farrell, Jamie Sives, Paz Vega, Branko Djuric, Christoper Lee…

99 minutos

2 comentários:

Gabi Rodrigues ~* disse...

Oi Caio, tudo bem?
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Bjos querido;**

Gabi Rodrigues ~* disse...

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