11 de ago de 2010

JOGO RÁPIDO: “Lunar” + “Efeito Cascata”

critica (nunk excl)jogo rápido 1

Lunar (Moon, Inglaterra, 2009)

Uma produção da Liberty Films UK…

Dirigido por Duncan Jones…

Escrito por Duncan Jones, Nathan Parker…

Estrelando Sam Rockwell, Kevin Spacey (voz), Dominique McElligott…

97 minutos

A sabedoria popular, como tudo nessa vida, é uma coisa complicada. Tão complicada que, muito frequentemente, ela está tão certa quanto errada. Veja o ditado, por exemplo: em terra de cego, quem tem olho é rei. Não deixa de ter seu valor. A tendência em uma área sem grandes ideias é mesmo se contentar com pouco. Mas, só por isso, o dito cujo deixa de ser caolho? Brincadeiras à parte, é mais ou menos o que aconteceu com Lunar, ficção científica espacial do estreante em longa-metragens Duncan Jones. Aclamado como uma pérola de um gênero que anda carente de suas grandes obras há, no mínimo, uma década, o filme nada mais é do que uma tentativa de dar ao gênero tão marcado por 2001: Uma Odisseia no Espaço (referência essencial para quem quer ver o filme de Jones) um sopro de vida com um drama de suspense intrigante, mas que entrega os pontos com facilidade e acaba dependendo do talento de seu astro para entreter o espectador.

A verdade é que o filme é de Sam Rockwell, e ponto. Carismático e, ao menos aqui, desenvolto, o californiano conhecido por projetos independentes foi lançado ao primeiro escalão de astros de Hollywood, cavando um papel em Homem de Ferro 2, após atuar na pele do renegado Sam Bell, astronauta prestes a deixar a estação espacial lunar onde ficou pelos últimos três anos, cheio de saudades da mulher e da filha que ele nem pôde conhecer. Um homem que é levado ao limite e um protagonista com o qual o público se identifica. O roteiro de Jones e Nathan Parker é obviamente efetivo nesse sentido, mesmo que não ofereça o final que todos esperavam e mostre uma realidade muito mais banal do que se poderia almejar. Pode ser que seja até mais acessível que a obra de Kubrick e, devo dizer, tem os méritos de ser uma narrativa de verdade, e não uma colagem feita para demonstrar a perícia técnica do seu diretor. E, acreditem, Jones poderia fazer isso com muita tranquilidade. Por escolher um caminho difícil e sair-se com uma boa memória, vale a pena. Mas ainda não é uma obra-prima. Enfim, em terra de cego…

Nota: 7,0

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Efeito Cascata (Ripple Effect, EUA, 2007)

Uma produção da YBG Productions…

Dirigido e escrito po Philippe Caland…

Estrelando Philippe Caland, Forest Whitaker, Virginia Madsen, Minnie Driver…

87 minutos

Parece preconceito, e soa como um. Talvez o seja. Mas não dá para não notar que, geralmente, quem se desdobra em milhares de funções em um mesmo filme acaba gravemente prejudicado em uma, ou algumas, delas. Clint Eastwood e Mel Gibson que me perdoem, mas assistir Efeito Cascata é desejar, inevitavelmente, que atores sejam atores, e diretores sejam diretores. Conhecido pela peça auto-biográfica Hollywood Budha e naturalmente dado a filosofia barata, Pilippe Caland se faz diretor, produtor, roteirista e astro dessa nova obra. Uma pena, de fato, que ele não saiba desempenhar nenhuma das funções com particular habilidade. Ok, sejamos justos, Caland não é mau ator, e encarna o papel de Amer Atrash, um estilista que é atormentado por um acontecido de seu passado e precisa acertar as contas com Philip (Forest Whitaker), que ele atropelou e não socorreu, ao mesmo tempo em que seus negócios e seu casamento vão por água abaixo, com alguma propriedade. Nada que ele não possa compensar com a câmera na mão, é claro.

Caland é um diretor de escolhas mal-trabalhadas, criando um ambiente opressivo e vulgar, em uma mise-en-cene desleixada e sem coesão. A fotografia sem brilho de Daron Keet também não ajuda, mas não dá para culpar um fotógrafo por um filme tão porcamente encenado, planejado e realizado quanto Efeito Cascata. E, se não fosse por Caland, o filme não seria tão ultrajante. Temos Whitaker em uma atuação honesta, mesmo que certos diálogos do roteiro barato não o ajudem. Temos Virginia Madsen e Minnie Driver em momentos sensíveis e encantadores. E temos uma trama que poderia, nas mãos de um artista de verdade, focado em seu próprio trabalho, render uma narrativa otimista e inspiradora, na tradição de filmes como Gênio Indomável e, até, o criticado Encontrando Forrester. Mas esses dois filmes tiveram Gus Van Sant atrás das câmeras, é bom lembrar. Com Caland tão dominante em cena, o que temos é um suplício de uma hora e meia.

Nota: 2,0

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[Sam]:Você não se importa com isso?”

[GERTY]: “Eu estou aqui para te manter seguro, Sam. Eu quero te ajudar. Sam, durma um pouco. Você está muito cansado.”

(Sam Rockwell e Kevin Spacey em “Lunar”)

2 comentários:

Babi Leão disse...

Bravo ! Excelente crítica !
Gostei dessa história de que em terra de cego, quem tem olho é rei. Rsrs

Rubens Rodrigues disse...

Faz tempo que eu quero assistir Lunar, mas ainda não chegou por aqui =/ Eu gosto do estilo "no espaço", sou fã da obra maior do Kubrick. rs