8 de set de 2010

JOGO RÁPIDO: “As Pedras de Fogo” + “O Solista”

critica (nunk excl)jogo rapido pedras de fogo 1

As Pedras de Fogo (Under The Mountain, Nova Zelândia, 2009)

Uma produção da 120 db Films…

Dirigido por Jonathan King…

Escrito por Matthew Grainger, Jonathan King, baseados na novela de Maurice Gee…

Estrelando Tom Cameron, Sophie McBride, Sam Neill, Matthew Chamberlain…

91 minutos

As Pedras de Fogo remete a tantos gêneros e referências ao mesmo tempo que fica difícil acreditar que a história adaptada e levada as telas pelo neozelandês Jonathan King, conhecido pelas obras de terror-B Ovelha Negra e O Tatuador, vem de uma novela original do semi-desconhecido Maurice Gee, parte de uma série literária que já foi levada a telinha da televisão em minissérie nos idos dos anos 1980. Agora, com a moda da fantasia juvenil, As Pedras de Fogo segue a cartilha do gênero no nosso século a risca, adicionando elementos do terror indiscutivelmente dominados por seu comandante, que faz uma boa parte das cenas de tensão soarem como mais uma “obra-prima” do thriller adolescente que já nos deu produtos do calibre de A Casa de Cera e afins. Se isso é bom ou ruim, cabe a você, leitor, decidir.

Acontece que As Pedras de Fogo tem seus trunfos. Se a novela de Gee já não era terrivelmente original em sua época e o roteiro que a atualiza deixa coisa demais sem explicar, não dá para negar que os truques diretivos de King funcionam por boa parte do tempo, criando imagens intrigantes que mantêm o espectador ligado cena a cena, mesmo que o script não o ajude nesse sentido. A trama: gêmeos devastados pela morte da mãe (Tom Cameron e Sophie McBride em atuações sem nenhum sal) são acolhidos pelos tios em Auckland, a cidade dos vulcões neozelandesa, e lá acham o misterioso Mr. Jones (um afiado Sam Neill), que os entrega duas pedras de aparência comum que são a chave para derrotar a ameaça de uma família alienígena que quer destruir a humanidade (é, nada de novo aqui). Claro, o objetivo só pode ser alcançado se os dois trabalharem juntos. Enfim, dá para passar a noite.

Nota: 6,0

THE SOLOIST

O Solista (The Soloist, Inglaterra/EUA/França, 2009)

Uma produção da DreamWorks SKG…

Dirigido por Joe Wright…

Escrito por Susannah Grant, baseada no livro de Steve Lopez…

Estrelando Robert Downey Jr, Jamie Foxx, Catherine Keener, Tom Hollander…

117 minutos

Títulos podem ser enganadores. Sabendo-se da trama de O Solista, soa fácil decifrar o cabeçalho que o jornalista Steve Lopez deu ao seu livro sobre o morador de rua, paciente de esquizofrenia e músico genial Nathaniel Ayers, uma figura que ele encontrou nas ruas de Los Angeles quando buscava por assunto para sua coluna no LA Times. Ayers é o solista, o violoncelista brilhante que não pode estar perto de multidões mas sente a música como nenhum outro homem, certo? Talvez, só talvez. Em O Solista, o título e o papel principal não é de Ayers, interpretado com certo exagero por um histriônico Jamie Foxx, mas sim do Steve Lopez destruído, calculista e solitário que Robetr Downey Jr interpreta com notável sutileza. É na performance dele, sensível e brilhante, na forma como a vida de Ayers afeta a sua, que O Solista encontra sua força. Mesmo porque, além delas, é um filme com muitas fraquezas.

O jovem diretor britânico Joe Wright fez um trabalho de brilhantismo incontestável em Desejo e Reparação, o drama de época terrivelmente moderno que foi a grande figura do Globo de Ouro em 2008. Aqui, em sua primeira trama real e atual, ele mostra que suas habilidades não vão tão longe quanto se imaginava. Seu olhar permanece arguto para as peculiaridades do nosso mundo e para as relações entre os personagens, mas o bom gosto que reinava na construção dos set pieces de Desejo e Reparação se traduz em imagens cansativas e às vezes quase constrangedoras nesse O Solista. Isso porque ele ainda tem em mãos um belo roteiro, redigido pela talentosa Susannah Grant, indicada ao Oscar por Erin Brockovich, que define os personagens em linhas claras e reúne a narrativa de Lopez em uma história que termina, ao menos, comovente como deveria ser. Enfim, O Solista ganha a partida, mas não joga tão bem quanto poderia com o time que tem.

Nota: 7,5

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Talvez nossa amizade tenha ajudado o Sr. Ayers. Talvez não. Eu posso falar por mim mesmo, no entanto. Eu posso dizer que, testemmunhando a coragem do Sr. Ayers, sua humildade, sua fé no poder de sua arte, eu aprendi a dignidade de ser leal a algo em que você acredita. De se segurar a isso, sobre qualquer coisa. De acreditar, sem questionar, que isso o vai levar de volta para casa”

(Robert Downey Jr em “O Solista”)

2 comentários:

TEIA disse...

Olá Caio.
Belos Filmes ,pena que não tenho mais paciência para filmes rrss
acho que estou ficando velho !!!
Até mais e obrigado pela força!!

Fabioc disse...

Acho que você sabe o que eu penso sobre filmes de fantasias feitos para animar a "galera"... Aliás, estou ansioso por uma análise do "Percy Jackson e o Ladrão de Raios", mas quero que vc leia o livro e veja o filme, preciso de alguém compartilhando essa ideia cmg...

Cara eu sou fã do trabalho do Jamie Fox como ator, só que é difícil eu te apontar um filme que ele fez que eu amei... Ray, por exemplo, eu aplaudo de pé sua atuação, no entanto achei o filme um saco. Miami VIce foi uma piada e Colateral eu vi apenas partes. Recentemente vi e adorei o filme "Código de COnduta", mas o Jamie Fox não chega a brilhar mto.
Devemos tirar o chapéu para o Robetr Downey Jr. QUe cara carismático! Além disso é notável sua capacidade de interpretação.

Estou tendo uma cadeira da faculdade que acho que vc adoraria, é ´sobre Audiovisual, mas minha professora é diretora de cinema - já fez mtos curtas e filmes conhecidos. Ela explica detalhe por detalhe da produção de um filme...

Grande abraço