5 de nov de 2010

Cinco vilões assustadores do cinema

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O quê seriam dos heróis sem os vilões? Sim, é clichê, mas não deixa de ser verdade. Elementos mais que fundamentais na estrutura narrativa de qualquer história meramente realista ou linear, os vilões podem surgir na forma física de pessoas ou na mais abstrata de acontecimentos, formas de agir ou cricunstâncias. Mesmo com a atual tendência, especialmente europeia mas cada vez mais hollywoodiana (ainda bem), de “humanizar” os personagens e fugir dos estereótipos de herói e vilão, é inevitável a presença de um tipo de antagonista aos grandes astros das histórias contadas na tela grande. Seja ele apenas relativamente mau, apenas guiado por princípios distorcidos ou o mais tradicional “cruel por natureza” da antiga ingenuidade hollywoodiana, os vilões foram feitos para causar apreensão, impressão forte e, eventualmente, até medo. Nada mais oportuno, portanto, que listar cinco “vilões” assustadores que passaram pelos olhos desse cinéfilo.

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5º Lugar – Oliver Lang (Tim Robbins) em O Suspeito da Rua Arlington [1999]

Pegue a ideia de um personagem como Hannibal Lecter, avance um pouco nas décadas do século passado, retire o vidro de segurança e o gosto por carne humana, troque Hopkins por Tim Robbins e Jodie Foster por Jeff Bridges. Pronto, você tem Oliver Lang, o vizinho-terrorista do pacato Bridges na pérola subestimada O Suspeito da Rua Arlington. Enquanto as suspeitas dele crescem para com seu novo camarada, vemos a atuação de Robbins num crescendo de ferocidade que nem mesmo Hopkins conseguiu imprimir a Lecter. Lang também não perde a frieza, e leva seu plano a cabo sem precisar mover um dedo a mais do que pretendia. É o tipo de vilão que nos desarma e nos subjuga, pela surpresa, como se fôssemos nada. E é definitivamente assustador.

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4º Lugar – Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) em O Silêncio dos Inocentes [1991]

Hannibal Lecter seria uma pessoa quase adorável de se conviver. Se não fosse, é claro, um canibal psicopata. E sim, esse é justamente o meu ponto: o Lecter que Hopkins teceu com brilhantismo nos três filmes da série, mas mais especialmente em O Silêncio dos Inocentes, contracenando com Jodie Foster, é um homem sofisticado e educado, surpreendentemente inteligente, cheio de bons-modos e de conversa galante. O que não diminui o que lhe passa pela cabeça, seus feitos ou sua periculosidade. Lecter é o psicopata escondido, o maleável lorde inglês que pode, a qualquer minuto, cortar-lhe a cabeça e servi-la no jantar. É a paranóia-maior de qualquer pessoa comum, representada com a pompa, a classe e o talento de um ator extraordinário.

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3º Lugar – Sgt. Meserve (Sean Penn) em Pecados de Guerra [1989]

Talvez o grande vilão do filme de Brian DePalma seja, a bem da verdade, a guerra, mas Meserve representa tudo que esta pode fazer de pior a um ser humano, ou assim ele se chamava antes de encarar um campo de batalha. Com um ator intenso como o jovem Sean Penn no comando do personagem que incentiva, em um batalhão americano em meio a Guerra do Vietnã, a captura e estupro de uma garota vietnamita, Meserve se tornou uma representação asquerosa, grudenta, feia e perturbadora do quão longe a imundície humana pode ir quando isso é exigido dela. DePalma o guia com a habilidade de um mestre, mas é Penn quem dá ao personagem (e ao filme) o choque que provoca até hoje.

The Dark Knight

2º LugarO Coringa (Heath Ledger) em O Cavaleiro das Trevas [2008]

É difícil não colocar O Cavaleiro das Trevas no pódio de qualquer lista, filme completo que é, mas ao menos dessa escalação poucos hão de protestar. Aclamado de forma inimaginável por público e crítica após sua morte aumentar os holofotes para o filme do Homem-Morcego, Heath Ledger deixou como último trabalho uma interpretação intensa e imersiva, que capta os detalhes de um personagem complexo e assustador. Assustador porque, para todos os efeitos, o Coringa podia estar em qualquer esquina. É um homem perturbado, sim, que passou por traumas que os guiaram e moldaram para uma direção sombria. Mas é, acima de tudo, alguém com uma propósito e uma teoria, que vai até as últimas consequências. Enfim, é inacreditavelmente humano.

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1º LugarA falta de discernimento em A Onda [2008]

O primeiro lugar da nossa lista não vai para ninguém, e ao mesmo tempo para todos nós. Pode ser que não percebamos, mas temos dentro de nós um monstro muito mais assustador do que qualquer ator poderia representar, e tudo começa com ela, a temível “falta de discernimento”. É, o nome não saiu bem, e soa clichê, mas eu explico: no thriller alemão A Onda não há um vilão de verdade, como é de praxe nos filmes hollywoodianos. Na história de um professor que, como último recurso para tocar seus alunos, implanta um regime fascista em sala de aula, o que ocorre é que ninguém percebe onde está o longe demais. E, quando isso acontece, é quase impossível medir as consequências. E aí, sim, surgem os grandes vilões.

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Não fale como um desses policiais. Você não é um deles! Mesmo quando você gostaria de ser. Para eles, você é apenas uma aberração, como eu! Eles precisam de você agora, mas quando eles não precisarem, vão te jogar para escanteio, como lixo. Você vê, a moral deles, o código deles, é uma piada ruim. Jogada fora no primeiro sinal de problemas. Eles são apenas tão bons quanto o mundo lhes permite. Quando as luzes se apagarem, você verá… esses pessoas civilizadas, elas vão comer umas as outras. Você vê, eu não sou um monstro. Só estou um pouco a frente na curva”

(Heath Ledger em “O Cavaleiro das Trevas”)

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