17 de jan de 2011

Penseira, Edição 01

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Aos não familiarizados com o universo da saga Harry Potter, os esclarecimentos: o título do post faz referência a um objeto da série por mera praticidade. A Penseira do venerável diretor de Hogwarts, Alvo Dumbledore, na imagem como retratada no sexto filme da série, O Enigma do Príncipe, é um dispositivo mágico para depositar memórias, pensamentos e preocupações. Enfim, um sonho de consumo para qualquer pessoa que tem coisa demais na cabeça. Mas não se preocupem. Não estou aqui abrindo essa seção do Anagrama para destilar detalhes das minhas preocupações (para isso há o Twitter, do qual falaremos mais tarde nesse mesmo post). Trata-se apenas de uma coluna com o objetivo de depositar pensamentos avulsos e variados, que podem ou não passar pelos temas centrais do blog. E deve tornar-se regular. Portanto, é a primeira edição de muitas, e a primeira novidade do Anagrama nesse ano. Aproveitem!

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Globo de Ouro 2011

Vamos encarar: 2010 não foi um ano memorável para o cinema. Cannes e Veneza, mesmo tendo Tim Burton e Quentin Tarantino presidindo os respectivos júris, premiaram filmes que chegaram com pouquíssima força no Globo de Ouro, e até o fraco Alice no País das Maravilhas de Burton conseguiu cavar indicações em um ano de seca artística (embora não financeira) para Hollywood. Com tanta decepção, chegaram como favoritos A Rede Social, que pode dar a David Fincher seu tão merecido reconhecimento, e Cisne Negro, quase uma vitória garantida para Natalie Portman. São dramas peculiares em seus plots e execuções, que assinalam a temporada de prêmios 2011 como a temporada da diversidade. Chegou forte também ao tapete vermelho o ator James Franco que, quem diria, era o favorito para levar o prêmio de Melhor Ator em Drama, por 127 Horas, de Danny Boyle. Por suas vezes, as estrelas de 2002 Nicole Kidman e Halle Berry retornaram ao bom e velho prestígio crítico com indicações por Rabbit Hole e Frankie and Alice, respectivamente.

Ah, o Globo de Ouro tem mais novidade: nada de Meryl Streep esse ano! Se isso é bom ou ruim, julgue você, mas em 2012 ela estará de volta, aposte sua mesada nisso, como a própria Dama de Ferro britânica em The Iron Lady. Mais cheiro de Oscar do que qualquer dos indicados desse ano, diga-se de passagem. De qualquer forma, os envelopes foram abertos ontem, e o resultado, seja ele surpreendente ou não, foi esse. Agora é esperar a Academia eleger seus preferidos.

Globo de Ouro 2011 – Os principais vencedores

Melhor Filme – Drama: A Rede Social     Melhor Filme – Comédia/Musical: Minhas Mães e Meu Pai

Melhor Ator – Drama: Colin Firth, por O Discurso do Rei

Melhor Atriz – Drama: Natalie Portman, por Cisne Negro

Melhor Ator – Comédia/Musical: Paul Giamatti, por Minha Versão Para o Amor

Melhor Atriz – Comédia/Musical: Annette Bening, por Minhas Mães e Meu Pai

Melhor Ator Coadjuvante: Christian Bale, por O Vencedor

Melhor Atriz Coadjuvante: Melissa Leo, por O Vencedor

Melhor Diretor: David Fincer, por A Rede Social   Melhor Roteiro: A Rede Social, por Aaron Sorkin

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Avril Lavigne – O Retorno

Digam o que quiserem, mas é impossível negar a destreza com que a cantora canadense, hoje já passando dos 25 anos, conseguiu manejar sua carreira para permanecer como um dos grandes símbolos musicais e de estilo de uma geração. Enquanto cantorazinhas vem e vão, Avril lança o que quer, quando quer e como quer, e sua sólida e gigantesca base de fãs simplesmente se curva a suas vontades. Há quase quatro anos sem lançar material inédito, Avril liberou no primeiro dia do ano, de graça, em seu Facebook oficial (nesse link), o download do primeiro single de seu adiado novo álbum, o anunciadamente mais pop Goodbye Lullaby. “What The Hell” ainda é Avril em seu melhor estilo “foda-se”, e até lembra no conteúdo alguns momentos do álbum de estreia Let Go, mas mostra na sonoridade e nos sintetizadores que marcam a batida que o som da canadense caminha cada vez mais para o pop e menos para o rock. “What The Hell” foi feita para ficar na sua cabeça, e funciona bem nesse propósito, mas é a Avril revolução-de-si-mesma que se acostumou a ver dela, em cada novo álbum. Como dito, ela pode.

Ouça "What The Hell" :D

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Twitter, indiretas e sites de relacionamentos

Esses dias postei no meu Twitter (sigam-me por lá, no @caiocoletti) que o site de relacionamentos mais instantâneo do mundo deveria começar a pensar numa mudança de nome. E até dei minha sugestão: “Central de Indiretas”. Quem tem o bendito passarinho azul aberto sempre no navegador sabe do que eu estou falando, mas não custa reforçar: após firmar-se como o ponto de encontro mais importante entre celebridades, gente realmente importante e anônimos em geral, e como forma mais fácil de compartilhar informação em pleno século XXI, o Twitter nos últimos tempos tem ganhado uma nova função. Para falar sem rodeios, tuitar virou terapia. Cura para o tédio das férias, alívio para leitores de horóscopos reprimidos, seção auto-ajuda mesmo. Confesso que eu mesmo, por falta de outra válvula de escape, as vezes posto minhas amarguras por lá. E, muito raramente, deixo minhas indiretas para gente que nem mesmo vai ler tudo aquilo. Talvez seja justamente por isso, pelo Twitter ainda repelir muita gente, que o site tenha adquirido esse novo e estranho caráter escapista. Não se trata de criticar, deixo claro, mas de observar que tudo tem seu limite, para o próprio bem de quem se utiliza dessa ferramenta cheia de possibilidades.

Outro site de relacionamento que tem me entretido nessas férias é o Facebook, talvez o último dos grandes pontos de encontro virtuais ao qual eu acabei cedendo há alguns meses. Mas foi depois de abandonar os dotes de fazendeiro medíocre no Farmville e sair a caça de novos aplicativos mais interessantes que o Facebook me pegou de verdade. Especialmente ao distribuir frases ditas por personagens marcantes do cinema e da TV (as de Charlie Harper do 2 And a Half Men e as do Dr. Gregory House são minhas prediletas), espalhar gostos em comum e possibilitar uma conexão completa e diferenciada com os amigos, o Facebook me lembrou o grande barato dessa mania dos sites de relacionamentos: é possível interagir com a humanidade mesmo quando não se está, realmente, interagindo com a humanidade. Complexo, não? A propósito, adicionem lá também, nesse link, e um bom monólogo virtual para você!

#5361499 Lady Gaga performed on NBC’s 'Today' show” at Rockefeller Plaza in New York, New York on the morning of July 9, 2010 for a crowd of an estimated 20,000 people who enjoyed many song from the singer during humid conditions and some rain. 
 Fame Pictures, Inc - Santa Monica, CA, USA - +1 (310) 395-0500

Notas de um little monster

Aos que esperavam que minha determinada defesa a Lady Gaga cessasse após o alvoroço dos dois primeiros álbuns, The Fame e The Fame Monster, vão engano! A cada dia e descoberta, ainda mais nessas férias onde o tempo está sobrando, Gaga se firma em minha cabeça como a grande artista pop do nosso século. Com Born This Way sendo saudado por todos que já o ouviram como a obra-prima da cantora e o lançamento do primeiro single, que empresta o nome ao álbum, marcado para 13 de Fevereiro próximo, os detalhes, snippets e músicas confirmadas crescem na rede. O grande destaque até agora, ao menos aos meus ouvidos, e a canção “You And I”, que Gaga cantou pela primeira vez no Today Show em 09 de Junho de 2010, e que foi recentemente confirmada como parte do setlist do novo álbum. Como pode ser conferido nesse vídeo da apresentação, a canção é uma balada de glam rock nos moldes de “Brown Eyes” e “Speechless”, uma fôrma que Gaga já declarou mais presente no Born This Way que nos álbuns anteriores, e dá uma boa ideia de uma canção que deve soar brilhante em um estúdio. Não que sua apresentação, acalorada como sempre, seja menos espetacular, é claro.

E meu flerte com Gaga ultimamente não para em “You And I”. Revirando os vídeos do YouTube relacionados a minha Mother Monster, descobri a pérola de uma versão cover de “Viva La Vida”, a bela canção do Coldplay, que Gaga apresentou em sua visita ao Live Lounge da BBC Radio One, em Abril de 2009. Em uma performance que se resume a sua voz e o teclado que toca, Gaga se diverte e diverte ao ouvinte, adaptando a letra de Chris Martin e compania para um contexto bem seu, bem particular, e mostrando ao mundo que fazer cover não significa reproduzir exatamente o que o artista original fez, senão realizar uma versão particular e única da canção. E é o que Gaga fez, com seu estilo particular, cantando “be my Chris and I’ll be your Gwyneth” e “I know Yves Saint-Laurent, no he won’t call my name” e fazendo música fundamentalmente divertida, que é o que ela sempre soube fazer de melhor. Confira você mesmo! Enquanto isso…

“I’m beautiful in my way, ‘cause God makes no mistakes, I’m in the right track baby, I was born this way!” – 29 dias para Born This Way

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“If you won’t let me fall for you/ Than you/ Won’t see the best that I would love to do for you/ Instead/ You will me missing me when I’m gone/ ‘Cause I’m bored of hanging out in your cold…/ Oh, take me home!”

(Dido em “Take me Home” – Live at The Brixton Academy)

“Porque aqui eu tenho um outro nome. Você deveria aprender e me reconhecer por esse nome. Essa foi a razão pela qual vocês foram trazidos a Nárnia, para poderem me conhecer um pouco aqui, e me reconhecerem melhor lá. Preste atenção aos sinais!”

(Liam Neeson é a voz de Aslan em “A Viagem do Peregrino da Alvorada”)

2 comentários:

Rubens Rodrigues disse...

Lá fora, 3 bandas da última década (Avril, LP e Evanescence) conseguiram o que todas desejam: vender disco que nem água no deserto e conquistar uma enorme base de fãs que permite aos músicos experimentar, fazer o que quiser e lançar quando quiser, como você disse.

Aqui no Brasil tem a Pitty que também adora experimentar. Muita gente torceu o nariz pro Chiaroscuro que por ser mais intimista acabou sendo o mais interessante trabalho da artista.

Enfim, nunca gostei muito das músicas da Avril. Esperava uma coisa (marketing and stuff) e encontrei outra. Gostei das músicas que o Ben Moody produziu e acho que Innocence é a melhor música dela. Só isso.

Babi Leão disse...

Que legal e criativa essa novidade do Anagrama!
Acho que fui a única que gostou de Alice no País das Maravilhas, assisto até hoje. Ok, vamos encarar: não faço cinema. Rsrsrs
Agora, sobre os sites de relacionamentos, você acredita que eu não tinha parado para pensar que são mesmo válvulas de escape? Isso é tão real que tem dias que entro no twitter porque estou estressada e não posto nada, só entro. Você abriu meus olhos.
Amei tudo. Principalmente a frase de Aslan no final! Sou doida por Cronicas de Nárnia!
Parabéns! O Anagrama continua o máximo! Beijos!
P.s: Será uma honra ter meu texto publicado aqui :)