25 de fev de 2011

Toy Story 3 (Toy Story 3, 2010)

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Impossível falar de animação nos últimos vinte anos sem falar da Pixar. E impossível falar da Pixar sem passar por Toy Story. Não apenas porque a história dos brinquedos que tomavam vida assim que o dono, Andy, deixava-os sozinhos no quarto, faz parte do currículo da empresa chefiada por John Lasseter (diretor, inclusive, dos dois primeiros capítulos dessa série), mas porque o filme de 1995 representa, em muitos sentidos, a própria essência da Pixar. A mesma essência que a tornou uma das produtoras mais importantes de Hollywood e a mesma essência que deixou as histórias contadas por esse time impregnadas no inconsciente coletivo contemporâneo. Em primeiro lugar, por tratar os filmes de animação como muitos dos feitos em live-action deveriam ser (e não são) tratados hoje em dia: colocando o roteiro em primeiro lugar, na frente até mesmo da técnica de animação. Segundo,  por introduzir comportamentos e sentimentos muito humanos em histórias que não são quase nunca protagonizadas por eles. Ratatouille é um filme sobre sonhos, não sobre um rato. Wall-e é sobre amor, não sobre um robô. E Toy Story 3? Bom, Toy Story 3 é sobre tempo.

E o roteiro maravilhoso de Michael Arndt (Pequena Miss Sunshine) faz questão de deixar claro que, ao ser incumbido de fechar um ciclo que começou na memória afetiva do público há quinze anos atrás, e mais, para satisfazer uma plateia que cresceu, como espectadores e pessoas, junto com esses personagens, ele não está disposto a sacar um final feliz do nada. Arndt é dolorosamente realista, sim, mas usa de seu realismo para dar aos personagens um destino agridoce, meio triste e meio feliz, que só faz deixar as memórias do mundo criado pela Pixar mais intensas e mais concretas na imaginação do espectador. Não é exagero dizer que o roteiro de Arndt é o grande responsável por fazer dos personagens e situações da série uma das coisas mais marcantes do cinema recente na memória afetiva dos espectadores.

Para quem ainda não conhece a trama que move essa terceira aventura dos brinquedos de Andy, basta esclarecer que se trata do capítulo que fecha o ciclo da série, dos personagens, e que, com muito engenho por parte do roteiro, não ignora o tempo que se passou para o público dos filmes originais. Toy Story 3 é mais maduro e, ao mesmo tempo, incrivelmente nostálgico. Aqui, Woody (Tom Hanks), Buzz (Tim Allen), Jessie (Joan Cusack) e o resto da turma são doados por engano para uma creche onde conhecem o urso Lotso (Ned Beatty), aparentemente o “poderoso chefão” do local, que os manda para um lugar onde são maltratados diariamente por crianças que não tem idade o bastante para saber brincar. Nessa confusão, apenas Woody se empenha em retornar para Andy, com esperanças que o garoto, agora prestes a entrar na universidade, resolva levá-lo e aos outros consigo. Os desdobramentos da cosfusão passeiam com versatilidade por cenas divertidas, tensas e dramáticas. Tudo com o estilo natural de Arndt perfeitamente adaptado a um mundo povoado por brinquedos que, afinal, são tão humanos quanto nós.

Toy Story 3 não sofre nem mesmo com a troca de diretores. Ocupado chefiando todo a parte de animação da Disney, John Lasseter delegou a direção do terceiro capítulo para Lee Unkrich, em sua primeira experiência como comandante principal de um filme da Pixar. Creditado como co-diretor em Procurando Nemo e Monstros S.A., Unkrich dá leveza ao estilo de câmera da animação e cria pelo menos um panorama de perfeição impressionante, perto do desfecho do filme. Enfim, Toy Story 3 é um filme feito na medida certa para fechar um ciclo marcante na cinematografia recente e, especialmente,  na memória cinematográfica do público. E acrescenta mais um item a já extensa lista de filmes da Pixar que são bem-sucedidos em tudo o que se propõem. E o segredo deles? Bom, certas coisas não devem se explicar. É mágica.

Nota: 8,0

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Toy Story 3 (Toy Story, EUA, 2010)

Uma produção da Pixar Animation Studios/Walt Disney Pictures…

Dirigido por John Lasseter…

Escritor por Michael Arndt…

Estrelando Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Michael Keaton…

103 minutos

4 comentários:

Mateus Souza disse...

Confesso que, inacreditavelmente, ainda não assisti a Toy Story 3. Mas posso dizer que, apesar de gostar das principais animações da Pixar, vejo nas orientais do estúdio Ghibli maior qualidade. Enfim, o importante é que bons filmes estejam sendo por aqui e por lá.

=]

Rubens Rodrigues disse...

Essa semana aconteceu algo curioso comigo. Estávamos eu e minha mãe assistindo ao Bom Dia Brasil e ela perguntou do que se tratava o filme. Eu contei, e não consegui contar o filme sem me emocionar. Na verdade, eu nem contei o final, e a minha mãe agora quer ver o filme.

Fabioc disse...

Vc percebeu algo que poucas pessoas percebem, Toy Story 3 fala sobre o tempo. Ele atinge o tendão de Aquiles da humanidade, por isso emociona tanto. Sinceramente, poucos filmes me emocionaram tanto quanto TS3, inclusive me emociono escrevendo esse relato. Em parte pq eu tinha a mesma idade de Andy em 1996 (ano que vi o filme, em parte pq sou apegado ao passado, e sei como é difícil se desfazer de coisas tão significativas, mesmo que elas estejam esquecidas em um canto.
A história do filme é sensacional, contendo um humor na medida certa e uma boa dose de aventura, além do brilhante "humanismo" empregado aos brinquedos. O grande ponto é o final, a parte em que Andy se despede dos seus amigos de infância. Nossa, aquilo é pra cortar o coração de todo mundo que se envolveu com o filme. O melhor de tudo é que não foi clichê, exatamente pelo realismo que vc destacou.

Adorei o texto, mas discordo da nota, Toy Story 3 merece mais que um 8, na minha opinião.

sofia martínez disse...

O que um grande filme, mesmo que alguns não convenceu definitivamente acho que mais gostou, se para mim foi inesquecível da primeira parte. A Disney conseguiu de novo, de novo e mudou-nos cativou com esses brinquedos tão caros.