27 de mai de 2011

05 eternos coadjuvantes

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O cinema tem dessas surpresas, e desses vícios. Quando um protagonista não é forte o bastante, quando uma linha narrativa não é sólida o bastante, e quando um ator bom o bastante é posto meio que de escanteio no papel, uma curiosa inversão pode acontecer, e o coadjuvante pode muito bem virar mais protagonista do que se esperava. Às vezes não é nem a qualidade do filme, nem a do ator principal: é só a notável pungência da interpretação desses coadjuvantes de garra que fazem, de uma hora para outra, um personagem secundário muito mais interessante do que se imaginava. Sim, mas que vícios são esses, me pergunta o leitor. Pois é: essas pequenas viradas de exepctativa hollywoodiana produziram toda uma classe de grandes atores que, quando vemos em cena, já identificamos imediatamente um “rouba-cenas” surgindo. É curioso pensar como esses talentos são menos reconhecidos, ao mesmo tempo que é estranho concebê-los protagonistas de uma história. Um paradoxo, enfim. Mas os cinco “melhores coadjuvantes” do cinema estão aí.

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5º lugarJohn Leguizamo

Colombiano e versátil, no mundo preconceituoso de Hollywood Leguizamo foi feito para ser o eterno coadjuvante. Desde que surgiu como um dos soldados de Pecados de Guerra em 1989, Leguizamo já embarcou em desastres como Mario Bros. (ele foi o Luigi) e Fim dos Tempos, o pior crédito na carreira de M. Night Shyamalan. Já contracenou com Al Pacino e Robert De Niro em As Duas Faces da Lei, e com o ex-governador da Califórnia em Efeito Colateral. Já dublou a preguiça Sid em A Era do Gelo, e marcou sua imagem como o boêmio anão Toulouse-Lautrec em um dos clássicos do nosso século, Moulin Rouge!, de Baz Luhrmann (que já o havia escalado em Romeu e Julieta). Enfim, você pode não saber seu nome, mas com certeza já viu um filme com ele.

Reconhecimento é? Deixe a indicação ao Globo de Ouro para lá. 1998 viu seu especial auto-biográfico de standup comedy para a TV, Freak, ganhar direção de Spike Lee e garantir para o nosso herói o Emmy Awards. Não fica muito melhor do que isso.

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4º lugar – Maggie Gyllenhaal

Não adianta esconder: em Hollywood, ter nome conta muito. E Maggie Gyllenhaal é prova disso, tendo estreado pelas mãos do pai Stephen em Terra D’Água (1992), aos quinze aninhos, e ganho projeção como coadjuvante do irmão Jake (ele mesmo) em Donnie Darko, meia década depois. Desde então, dá pra contar nos dedos seus papéis principais, o mais notável em Secretária, filme polêmico e elogiado de Steven Shainberg. Enquanto isso, ela esmprestou graça e talento em apoio a Julia Roberts no mediano O Sorriso de Monalisa, aquivou desempenho notável em As Torres Gêmeas, e ainda incrementou uma trinca de grandes filmes que não seriam tão grandes sem ela e sua incrível naturalidade: Mais Estranho que a Ficção, O Cavaleiro das Trevas e Coração Louco.

Reconhecimento é? Aí você escolhe: prestígio público (suceder Kim Bassinger, Nicole Kidman, Katie Holmes e outras como o interesse romântico de Bruce Wayne num dos filmes mais rentáveis da história) ou crítico (a indicação ao Oscar por Coração Louco).

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3º lugar – Geoffrey Rush

O caso de Geoffrey Roy Rush é um tanto estranho. Entrando tardiamente no cinema, o australiano foi se destacar, vejam só, com um protagonista: o de Shine, hit overseas do Oscar 1996 que o garantiu já na primeira tacada a estatueta de Melhor Ator. Mas calma, não reclamem da presença dele aqui: tirando Contos Proibidos do Marquês de Sade, o talento de Rush só se fez notar, depois disso, nos coadjuvantes. Vide as lembranças da Academia por Shakespeare Apaixonado e O Discurso do Rei. Mas nem só de Inglaterra vive esse australiano: não dá para não reconhecer que sua presença em Piratas do Caribe como o Capitão Barbossa se tornou tão indispensável quanto a do próprio ícone produzido pela série, o Jack Sparrow de Johnny Depp.

Reconhecimento é? Um Oscar (por Shine), três BAFTAs (Shine, Elizabeth e O Discurso do Rei), um Emmy (A Vida e Morte de Peter Sellers) e dois Globos de Ouro (Shine e A Vida e Morte de Peter Sellers). Quer mais? Tudo bem. Nos próximos anos a gente se vê.

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2º lugar – Helena Bonham-Carter

Da Dinamarca ao País das Maravilhas. Do Hamlet de 1990, que a projetou como a nova promessa britânica, até o Alice do marido Tim Burton, que praticamente leva a carreira da esposa nas costas desde O Planeta dos Macacos, de 2001, quando o casal de conheceu. Talvez o único papel notavelmente protagonista de Helena nesse tempo todo tenha sido o de Asas do Amor, que, não por coincidência, garantiu sua única indicação ao Oscar antes do fenômeno O Discurso do Rei no ano passado. Mas, como coadjuvante, Helena tem se mostrado formidável tanto sob o comando do marido (Sweeney Todd) quanto ostentanto o título de bruxa má tradicional na franquia Harry Potter. Sem contar o papel clássico em Clube da Luta.

Reconhecimento é? A verdade é que Helena não tem recebido muito. O Boston Film Festival a concedeu um prêmio de “Excelência Cinematográfica” já em 1997, mas o grande público custa a reconhecê-la fora da franquia Harry Potter. Uma pena.

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1º lugar – Paul Giamatti

É meio impossível pensar em outro ator, hoje, que roube de Giamatti o posto de coadjuvante mais caro a terra do cinema. Primeiro, porque ele está no ramo faz tempo: 1997 viu sua “estrela” subir ao lado da do polêmico Howard Stern em O Rei da Baixaria. E, desde então, ele não parou: antes da sorte começar a virar, coadjuvou em O Resgate do Soldado Ryan, O Poder Vai Dançar, O Planeta dos Macacos, e até em roubadas como Vovó… Zona e O Pagamento, além do clássico da Sessão da Tarde O Grande Mentiroso (não o do Jim Carrey). Foi o mini-fenômeno indie Sideways que o pôs em posição privilegiada entre os coadjuvantes. E, desde então, ele saiu incólume de A Luta Pela Esperança, O Ilusionista, A Dama Na Água, Mandando Bala e Duplicidade.

Reconhecimento é? Tanto talento depois, nem Hollywood pôde deixar de se render: o Oscar ainda não veio, mas o protagonista (sim, protagonista!) de A Minha Versão do Amor rendeu muitos elogios e um Globo de Ouro.

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Sabe, Blade, em algum momento você precisa pensar em se sentar e conversar com alguém. Ter um tempo para compartilhar as coisas. Retribuir. Entrar em contato com a sua criança interior e esse tipo de coisa? Além disso, eu estava pensando, você deveria pensar em piscar de vez em quando… Me desculpe, eu comi muito açúcar hoje”

(Ryan Reynolds em seus tempos de coajuvante, em “Blade:Trinity”)

“Um homem sábio uma vez me disse que só existe uma regra nesse mundo, uma pequena questão que rege todo o sucesso. Quanto mais um homem investe nessa questão, mais poderoso ele se tornará. Você consegue advinhar qual é essa questão, Sr. Green? ‘O que eu ganho com isso?’”

(Ray Liotta encarna Dorothy Macha no subestimado “Revolver”)

4 comentários:

Tati disse...

Para mim um dos melhores coadjvantes da história do cinema foi o Christopher Waltz, em Bastardos Inglórios. Ele realmente roubava as cenas!!!

Kelly disse...

Os conheço e reconheço...
Há casos de eternos protagonistas que não tem lá "todo esse talento",e há casos de atores que,praticamente,dão o suporte para que o filme funcione...
Gostaria de vê-los reconhecidos,mas...o mais importante é ver suas atuações brilhantes,porque quem é bom,se destaca,mesmo que seu espaço seja limitado.

Rê ;D disse...

O cinema fascina é um mundo de surpresas , nunca quis me aprofundar sobre o assunto , mas lendo esse blog aqui ,é impossível , o cinema não me chamar a atenção , gostei muito do blog , PARABÉNS !

Rubens Rodrigues disse...

Ah, mas o Paul Giamatti é foda mesmo.