10 de jun de 2011

Cumprirei, por Caio Coletti

cumprirei 1

Mais uma noite. Mais erros, mais talvezes, mais dúvidas, mais escolhas que a vida me obriga a fazer. E eu, como sempre, as faço da pior forma possível. Nego a emoção, escondo a lágrima e renego o sorriso. E ainda penso que sei o que estou fazendo. Pobre de mim! Acumulo mais pontos negativos pelo trajeto, tropeço em mais pedras pelo caminho (e eu posso não cair literalmente, mas minha alma vai ao chão com todas elas) do que minha mente é capaz de aceitar. E meu coração? Ele palpita pelo movimento, pelo impulso, pelo amor. Pelo que mais ele palpitaria? Por você. E aqui estou eu, uma paixão a cada minuto, um sentimento confuso a cada dia, lhe dizendo que te amo. Mas de que forma? Não me pergunte.

O tempo dirá, replica a multidão. E se ele não disser, o que devo fazer? Eu e minha mania de fazer perguntas cujas respostas não posso ter. Talvez, se tivesse, a vida não fosse tão bonita quanto ela é. E sei que é. Porque embora não saiba o que você significa para mim, sei o efeito que você me causa. Seus olhos são luz, seu toque é eletricidade, seu sorriso é imensidão. Seu perfume é doçura, sua voz é beleza, e a batida de seu coração é a música que eu morreria para compor. Mas isso sou eu, aquele que não diz intensamente, mas sente. E escreve. Porque o eu que mora aqui, nas linhas e entre os espaços das palavras, preenchendo-os com mais do que apenas significado, porque esse eu não pode existir ao seu lado? Também não me pergunte.

Ou melhor, pergunte sim. Quem sabe, se alguém me falar sem rodeios, se alguém me forçar a agir da forma certa, eu não acabe seguindo com a maré? Pergunte-me se quero, e te direi que sim. E já vai ser o esforço dos esforços te dizer essa palavra, porque minha mente me enche de dúvidas, enquanto meu coração bate em certezas. A certeza de que só posso encontrar quem sou eu, só posso saber onde estou, se estiver ao seu lado. Essa não era para ser só mais uma declaração de amor. Mas que melhor sentimento para arrumar nossa confusão do que ele, o onipotente? Ou nem tanto. Apenas forte o bastante para passar por cima das minhas muralhas e me fazer pronunciar promessas.

Abraçar-te-ei. Responder-te-ei. Amar-te-ei. Sem medo de ir além dos meus limites e não saber mais do que se trata. Sempre vai ser o que é, não o que pode ser. Não se vive o futuro, senão o presente. Deixe-me aqui sendo óbvio. Mas espere, para ver se não cumprirei.

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Retrocedeu apalpando as paredes, até que se viu de volta ao apartamento. Bateu a porta com força. Lá embaixo, ele ouvia. Mais parecia o som de uma sepultura, fechando-se.”

(Ray Bradbury em “Promessas, Promessas”)

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