24 de jul de 2011

Sobre… – Ouvir música sem preconceitos

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O mainstream da indústria musical não presta. Talvez tenha prestado um dia, quando os Beatles, o bom e velho rock n’ roll e talvez até o Michael Jackson (ele era pop, mas era talentoso) faziam a cabeça de suas respectivas gerações e formavam o topo das paradas. Mas, electro pop? Techno? Sintetizadores, letras com “dance” envolvido? Hip hop? Faça-me o favor!

Sabem, eu já fui assim. É tão estranho olhar para trás na minha própria experiência musical e me dar conta de que, um dia, eu já questionei dessa forma burra a máquina que empurra os sucessos comerciais da indústria da música. Não estou dizendo que ela é infalível: é claro que, com o jeito que as engrenagens de produção giram hoje, gente sem talento nem ponto a provar chega ao topo. Mas, como disse o um dia equilibrado Felipe Netto (sim, eu sou daqueles que acham que ele virou o troll virtual que tanto criticou): “não gostar de algo só porque faz sucesso é tão burro quanto gostar de algo só porque faz sucesso”. Algo, nesse tempo todo, me fez passar do cara que só ouvia a última grande banda inglesa da semana para o cara que vive afirmando que arte pop é o que há de mais incrível e interessante por aí, se você só parar para prestar atenção. Mas não estou aqui para discutir o que foi que apertou esse gatilho.

A questão é que, tendo me juntado recentemente a rede social Last.fm (o meu perfil, para quem estiver interessado), eu me dei conta do quanto somos levados, hoje em dia, pela aparência ao definir o nosso gosto em geral, e especialmente o musical. É fácil perceber que, de certa forma, todo mundo se limita. Há quem só tenha o novo rock na playlist, o que ha de melhor em termos de Paramore, The Pretty Reckless, Beeshop, Parachute e afins. Há quem pareça que conegelou vinte, trinta, quarenta anos no passado. E tome Blondie, Cyndi Lauper, A-Ha, Elvis Presley, Beatles. Eu não quero julgar. Mas será mesmo que essas pessoas são só isso? Quero dizer, há algo de especial em se tratando de música, que faz com que uma infinidade de formas de expressão possam existir e co-existir, e as pessoas parecem não perceber que elas não precisam se anular. Eu não estou criticando ninguém. Todos, absolutamente todos os artistas que eu citei acima tem sua validade como expressões de um estado de espírito, ou vários. Mas não de todos.

E porquê, afinal? Por que de repente se tornou ilícito ouvir Pink Floyd, mas também se deleitar com as criações pop de Lady Gaga? Combinar num mesmo dia, digamos, The Smiths, Prince, Kerli, Linkin Park, Rihanna e Depeche Mode? O que há de errado em reconhecer o talento de composição de Eric Clapton com uma guitarra e, ao mesmo tempo, não deixar de admirar o trabalho de David Guetta quando põe as mãos em um sintetizador? Quem se define, se limita. E quem se limita, não aproveita as milhões de oportunidades que a música nos traz. Eu ouço, com mais ou menos freqüência, todos os artistas citados aqui nesse texto. E recomendo-os para quem quiser descobrir coisas novas, sair da sua zona de conforto, da sua aparência, da sua fachada, para começar a a abrir a mente para o fato de que nem todo o talento do mundo está confinado no universo do gênero pelo qual se é fascinado.

É claro, gosto musical vai ser sempre algo pessoal. Mas, acreditem em mim, ele jamais vai se esgotar de novas experiências se você começar a alimentá-lo. Eu jamais pensei que ouviria B.o.B., Eminem, Fresno, Sandy, Justin Timberlake, Ke$ha. Dessa última, aliás, eu já falei poucas e boas. Aproveito a oportunidade para me retratar e reconhecer o talento da garota como compositora e, vivendo e aprendendo, até como cantora. Para quem ainda nutre ódio da pobre coitada, eu indico “Hungover”, do álbum Animal. Funcionou na primeira audição comigo. Vamos nos limitar menos, sim? E que assim seja. Ou, como Lady Gaga diria: “amen, fashion”.

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“…I am in love/ With what we are/ Not what we should be/ And I’m/ I am starstruck/ With every part/ Of this whole story…

… So if it’s just tonight/ The animal inside/ Let it live and die/ Like it’s the end of time/ Like everything inside/ Let it live and die…

This is our last chance/ Give me your hands/ ‘Cause our world’s spinning at the speed of light/ The night is fading/ Heart is racing/ Now just come and love me like we’re gonna die!”

(Ke$ha em “Animal”)

2 comentários:

Ricardo Galvão disse...

Adorei o texto Caio! Parabéns!

Anônimo disse...

gostei bastante desse texto, é interessante tentarmos quebrar esses preconceitos e saber variar nos estilos musicais porque nos prendendo a uma coisa só, a um único conceito, perdemos muita coisa boa que tem por aí.