3 de nov de 2011

JOGO RÁPIDO: “A Última Estação” + “Ramona e Beezus”

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A Última Estação (The Last Station, Alemanha/Rússia/Inglaterra, 2009)

Dirigido por Michael Hoffman…

Escrito por Michael Hoffman, baseado na novela de Jay Parini…

Estrelando Helen Mirren, Christopher Plummer, Paul Giamatti, James McAvoy…

112 minutos

É um prazer as vezes meio subestimado o de ver uma atriz como Helen Mirren em cena. Os críticos que me perdoem, mas para mim não há dúvidas de que a atriz britânica é o que mais emociona, e o que fica, em A Última Estação. Seu retrato da esposa conflituosa e dramática do escritor Leon Tolstoy (aqui representado com brilhantismo quase equivalente por Chrispher Plummer) é tão rico, e ainda assim de certa forma tão discreto, que é daquelas performances que se tornam dificeis de identificar como trabalho de atriz. Helen submerge na persona que cria para si mesma, e é capaz de ao mesmo tempo cativar o espectador e deixar a mostra todas as facetas de uma mulher talvez até mais complexa do que seu célebre cônjuge. A história acompanha os últimos meses do escritor de Guerra & Paz, quando este havia abandonado a ficção e decidido se dedicar totalmente a doutrina filosófica que criara com seus textos políticos.

Helen não brilha sozinha, no entanto. Além da interpretação comovente de Plummer, A Última Estação conta com a performance de James McAvoy que, ao exemplo de seu personagem, realiza um trabalho extremamente vívido e luminoso, mas que prefere esconder essa luminosidade em uma caixa de incertezas. Paul Giamatti é o conjunto de trejeitos e o brilhantismo de olhar que todos nós aprendemos a esperar dele. O roteiro de Michael Hoffman, também diretor, favorece a história, desenvolve os personagens e ainda explora com certa doçura o carinho que Tolstoy nutria pela esposa. A Última Estação não é um filme elitista, não é um drama açucarado, e não é uma experiência burocrática (o próprio Hoffman se encarrega disso, na direção). É a medida certa para a história certa. E essa conjuntura, assim como o talento discreto de Helen, é algo que anda um pouco mal-apreciado no cinema moderno.

Nota: 9,0

AM-0427

Ramona e Beezus (Ramona and Beezus, EUA, 2010)

Dirigido por Elizabeth Allen…

Escrito por Laurie Craig, Nick Pustay, baseados nas novelas de Beverly Cleary…

Estrelando Joey King, Selena Gomez, John Corbett, Bridget Moynahan, Sandra Oh, Ginnifer Goodwin, John Duhamel…

103 minutos

Nessa mania de formar cantoras/atrizes, querendo ou não, a Disney tem revelado alguns talentos promissores. Selena Gomez, por exemplo. Estrela do bobinho (mas divertido) Os Feiticeiros de Waverly Place, a garota de dezenove anos está provando ser ótima atriz. No próprio seriado ela mostra timing cômico praticamente impecável, e aos poucos sua carreira cinematográfica vai decolando, ainda que dependa de papéis um pouco mais fortes que a irmã mais velha que nomeia, ao lado da mais nova (Joey King), esse Ramona e Beezus. Mas para a cantora mediana com uma boa banda que ela faz questão de ser, Selena pode dar uma atriz e tanto. As duas filhas do casal Robert e Dorothy Quimby (John Corbett e Bridget Moynahan) precisam lidar com a demissão do pai e com os problemas comuns de serem respectivamente, uma criança super-criativa e uma adolescente que vive de aparências.

Até que o roteiro de Laurie Craig (Paulie) e Nick Pustay (Camille) explora bem o tema e a realidade a que se propõe, e faz graça com alguma eficiência inocente. A direção de Elizabeth Allen, cuja única experiência anterior atrás das câmeras havia sido o fiasco Aquamarine, não é nada demais (nem nada de menos, no entanto). Vale mesmo pela hora e meia passadas num filme que tem uma boa mensagem e algumas jogadas interessantes para nos mostrar, pela presença adorável de Ginnifer Goodwin (a moça faz até o antipático Josh Duhamel parecer melhor) e pela oportunidade de ver Selena crescer como atriz. Ainda atrelada a Disney na televisão, já voando alto na carreira musical (é preciso admitir, os três discos lançados por ela em parceria com o The Scene têm boas composições pop – ainda que elas não sejam exatamente favorecidas por sua voz), você ainda vai ouvir falar, e muito, dela.

Nota: 6,5

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[Tolstoy]: “Apesar de ter bons motivos para tal, eu nunca deixei de te amar”

[Sofya]: “É claro”

[Tolstoy]: “Mas Deus sabe que você não deixa que seja fácil!”

[Sofya]: “Porque deveria ser fácil? Eu sou o trabalho da sua vida, você é o trabalho da minha. Isso é a natureza do amor!”

(Christopher Plummer e Helen Mirren em “A Última Estação”)

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