31 de mar de 2012

Do pó viestes, ao pó retornarás.

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por iJunior
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Atualmente a onda de ceticismo tem alcançado cada vez mais pessoas em todo o mundo, em especial os jovens, e em um momento em que alguns alegam ser a “era da razão”, a morte da religião/fé ou o fim de uma espiritualidade que pode nem ter tido seu momento em nossa história.

Ser cético, obviamente, é não acreditar no que não pode ser provado, mas se pararmos para nos questionar; até onde o ceticismo pode nos levar? Ou não levar.

Um cético vai muito além de um agnosticismo ou ateísmo, o ceticismo pode levar uma pessoa a desacreditar em muito do que a entorna, pelo simples fato da inexistência de provas concretas sobre tal. Mas por um lado, se olhar algumas coisas que nos acercam e que não existem, podemos mostrar a tais pessoas “descrentes” que nem tudo pode ser provado.

Você já parou pra pensar sobre a inexistência do frio e da escuridão? O frio seria a ausência de calor, e a escuridão a ausência de luz, mas que mesmo “inexistentes” existem, pelo menos sempre existiram, em qualquer sociedade ou cultura?

O ceticismo pode destruir uma mágica de vida. Desacreditar em um ser superior onipresente pode até ser compreendido, mas pensar que existimos apenas por existir e que somos apenas matéria viva é um tanto intrigante. Através de uma visão cética, nosso corpo é apenas matéria ambulante, nossa mente e nosso corpo nunca foram guiados por uma alma ou espírito, nossos pensamentos são apenas ondas elétricas percorrendo metros de células cerebrais, pelo simples propósito da existência ao acaso. Criada, ao acaso. Não é estranho no momento dessa leitura você se imaginar como uma maquina? Uma maquina, digamos, “orgânica”, sem inicio proposital e sem fim lógico, que viveria uma vida inteira em busca de algo que perderia, assemelhado a criaturas microscópicas que vivem com o único fundamento de procriar e manter sua espécie?

Ser humano deveria ser muito além disso. Se morrer é o fim, a morte nunca seria algo ruim. Qual problema teria a morte ou o arrependimento se tudo se excluísse no segundo do falecimento? Por que até um cético pensa mais de duas vezes antes de se matar? Talvez nós prezamos a vida por questões morais, ou talvez não. Talvez algo ainda fale por nós, no fundo de um tal de subconsciente ou qual que seja a denominação que se da a esse centro vital humano.

Acreditar que alguma ideia tenha surgido do nada, em diversos povos, de diversas regiões, mesmo que de formas diferentes seja mentira é algo que deve ser muito repensado, pois de alguma forma existiria alguma ligação entre todas elas, ao qual o ceticismo excluiria.

O mito nem sempre deve ser tratado como o impossível, desde quando nos tornamos tão absurdamente racionais? Quando deixamos um folclore morrer simplesmente por serem histórias, essas as quais nunca seriam provadas por você morador de uma cidade, que se acha no direito de julgar sua avó por contar histórias antigas de vivência em zonas rurais? Se nunca tivéssemos visto um peixe (ou qualquer criatura aquática) um dia, e o descobríssemos do nada, acreditaríamos que seria possível a vida dentro d’água? Sim, acreditaríamos, mas até então seria mentira.

Em minha opinião o ceticismo é a forma mais irracional de se considerar racional, deixar de acreditar em algo pelo simples fato de ser invisível aos nossos olhos não prova que não exista. Atualmente existem tantas teorias que nos surpreendem todos os dias, falando sobre assuntos como as cores de uma lâmpada que aos nossos olhos é branca, mas possuí tons que não captamos com nossa visão, sobre a existência da “massa escura” que preenche o espaço, entre outros exemplos, é um grande tapa da na cara do ser humano ignorante e incapaz de crer.

A vida é muito mais bela que concreto e barro sobrepostos, a mágica do mundo começa dentro de nós mesmos, e nos resta não apenas abrir os olhos para tentar enxerga-las, e sim a cabeça, aprendendo assim a sentir.

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iJunior escreve no dia 1º e, sobre arte, no dia 17.

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