27 de mai de 2012

Modernismo: O Brasil descrito pelos seus.

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por Luis Adriano Lima
(Literatura e Cinema)

O Modernismo iniciou-se efetivamente no Brasil no ano de 1922, sendo o seu marco histórico a Semana de Arte Moderna, acontecida em São Paulo sob o aval do então governador Washington Luís. Não se pode, porém, limitá-lo somente a essa data, pois já na segunda década do século XX verificava-se nas artes amostras de modificações de caráter estético pungentes.

Muitos autores, fosse na prosa ou na poesia, compunham suas obras com bases em escolas já desgastadas a épocas – como o Parnasianismo e o Simbolismo –, enquanto outros percorriam caminhos incertos que propunham nova visão a respeito daquilo que se escrevia. Verifica-se, então, entre o início do novo século até meados da segunda década, um período histórico-literário – e também artístico-social – no qual as artes precisavam ser revisitadas com o novo olhar crítico, o que acabou acontecendo.

Se no Brasil havia resquícios de escolas bastante formais, na Europa havia movimentações artísticas em notável renovação, dada a efetivação da escola modernista, que ocorreu em 1915 com o lançamento da revista Orpheu por nomes fortes da literatura portuguesa, como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. A somar, em território europeu aconteciam amostras de novas propostas artísticas, como as vanguardas européias, das quais se destacam o futurismo (apego à velocidade, à tecnologia; visto especialmente na poesia heteronímia de Pessoa), o cubismo espanhol (visto nas angulações recorrentes na pintura), o expressionismo alemão (que seria fundamental, por exemplo, para a compreensão de obras brasileiras, como Amar, verbo intransitivo de Mário de Andrade).

Em resposta aos movimentos estéticos bastante avançados que aconteciam na Europa desde o começo da década de 10, os intelectuais propuseram uma atualização das artes nacionais, buscando assim efetivar uma libertação das rédeas parnasianas e simbolistas às quais o país se encontrava preso. Viu-se, pois, a união dos artistas que defendiam essa nova ideologia na busca pela melhor maneira de libertar-se – sugiram então os saraus, os bailados, as exposições e, principalmente, a produção de material novo que visasse atrair a atenção de outros artistas e também da nata paulistana, e assim desautomatizar a arte e as pessoas daquelas representações intelectuais já recalcadas.

Qual os portugueses, ao instaurar o Modernismo, buscaram afastar sua arte das influências francesas, quiseram os brasileiros focar-se numa produção exclusivamente nacional voltada para o público nacional, pois, fosse a arte desautomatizadora, caberia a ela fazer o público ver-se, analisar-se e, desse modo, repensar-se. Assim, começou no Brasil a estética do retrato nacional, havendo antes uma extensa e produtiva incursão pelas vanguardas européias, em especial o futurismo na poesia mariodeandradiana, e proposições de revisão na linguagem formal na produção de Oswald de Andrade e dos conceitos musicais de Villa-Lobos.

Esse percurso da arte modernista distribuiu-se na área musical, literária, plástica, inclusive político-crítica, e abrange dos anos anteriores à efetivação do Modernismo até o de sua instauração, quando os intelectuais – Mário, Oswald, Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, entre outros – uniram-se nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 para a realização da Semana de Arte Moderna, a qual causou controvérsias várias, tanto entre a população quanto entre outros intelectuais, mas que indubitavelmente se estabeleceu como um marco histórico da nova estética artístico-social que se verificaria no Brasil nos anos vindouros, nos quais se tornariam notórios os manifestos diversos de caráter nacionalista, como o Manifesto pau-brasil, o Manifesto antropofágico e o Manifesto verde-amarelo, que visavam o encontro do Brasil consigo mesmo, “acontecimento” que não se pode dizer jamais ter acontecido, apesar de definitivamente ter havido inúmeros mudanças significativas.

Luis Adriano Lima escreve todo dia 23.

1 comentários:

Anônimo disse...

esse texto é muito interessante tras mitas noticias boas e legais pra quem gosta de arte moderna