5 de mai de 2012

O Marmitão

Sem título

por Bruna Correia
(Disparidade)

“Seja aonde for que vá em torno desta esfera,
Sob um clima de fogo ou sob um sol distante,
Servidor de Jesus, cortesão de Citera,
Mendigo tenebroso ou Creso rutilante,
Paria, campônio, citadino e às vezes fera,
Seja-lhe o cérebro moroso ou esfuziante,
O homem sucumbe ante ao mistério que o exaspera,
E não eleva o olhar senão por breve instante.
No alto, o Céu! Paredão que o abafa como estufa,
Cenário ébrio de luz para uma ópera bufa
De cujo palco ensangüentado o histrião se serve;
Terror do libertino, anseio do eremita:
O Céu! Tampa sóbria da imensa marmita
Onde indivisa a vasta Humanidade ferve.”
 (A Tampa, por Charles Baudelaire)

Chegaremos um dia a uma liberdade plena? Sem que haja uma predefinição do caminho para os grandes e as migalhas da subsistência para as peças?

Conseguiríamos seguir sem rédeas tirânicas? A consequência da libertação intelectual viria com o desabrochar do empirismo ou seria um grande monte de matéria orgânica soterrando os singelos vestígios de vida?

INFORMAÇÕES. Mostra, fere, mata e salva.

Sua palavra pode libertar o seu ser, mas as palavras, que muitas vezes é trancada pelos comandantes ou pelo nosso adestramento social, salva e destrói o mundo em um grande ciclo caótico, no qual achamos normais as irracionalidades que inventaram e nos disseram que era o certo.

Com isso chego a algum lugar? Chegamos?

Superficialidade, sempre me perseguindo. Todos os assuntos são crosta. Nem sempre houve um porquê do porquê.

Quem joga? Apenas os que ganham. Os demais são jogados.

LÍRIO, BOSQUE E PARALELEPÍPEDO.

RUM, LÁGRIMAS E TRANSLOUCADO.

Até quando viveremos e para quê? Quem? Quando surgiu o correto?

Gostaria de deter um conhecimento pleno. A ponto de jogar com ele. De mudar tudo, mas só resta crescer, encaixar e fazer o melhor que puder com o peso dos grandes olhos passivos, vis e generosos a nos fitar, esperando que os pequenos brotos saiam. Exterminando-os. Ou não.

A peça importa-se, mas ela é apenas uma lâmpada interna.

MAS ... Não chorem crianças.

O mundo dos grandes depende de todos os pequenos. Não de você sozinho como já percebeu. Traga para si todos os dramas inalcançáveis. E faça o que achas que mudará o mundo, os absurdos políticos, as ramificações da guerra.

Não desejo desmotivá-lo.

As ações que fará serão pequenas, para você.

Agora, ou daqui 2 segundos ou 10 anos, olhe.

Olhe atentamente para fora da sua zona de conforto que lhe permite a reflexão e sinta o cheiro da dor, da beleza e do viver, o misto de suor com a realidade revestida de olhos ignoráveis, viva-os agora em sua totalidade.

Cave o barro e encontre o lodo. Acredite, você saberá a diferença.

Não chores por tudo. Não chores por ter tudo.

Destrua sua capsula, NÃO, morrerá se o fizer, mas rache-a e respire, pela primeira vez.

Destrua-se , renove-se , pode de nada adiantar, ainda assim o faça.

Sinta-se mal, ajude, colete, distribua, depois se esquecerá de tudo e tornará a chorar pelos sapatos que estão manchados de tinta. E então a rachadura na bolha não existirá mais.

NÃO. Cresça, suba e desça.

No ciclo, poucos são os contentes e esses são: o tudo e o fim.

Faça alguma coisa ou ABRACE UMA ARVORE.

Bruna Correia escreve todo dia 5.

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