3 de jun de 2012

Cigano Velho ou Mateus Verdelho? Eis a questão.

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por Marcelo Antunes
(Diz Que Fui Por Aí...)

Confesso que sempre tive uma relação de amor e ódio com o meu cabelo - muito mais amor que ódio, diga-se de passagem. Tanto que, desde a mais tenra idade, saí por aí ostentado uma longa e brilhosa cabeleira dourada - que com o passar dos anos, confesso, deixou de ser dourada (nada que algumas luzes não resolvessem, no entanto).  E assim foi minha vida de cabeludo convicto até que, na última quarta, sentei na cadeira do cabeleireiro e mandei pro espaço todos os meus cachos alourados.

Ok, ok, já há algum tempo ensaiava isso. Há um ano mais ou menos que já não o mantinha comprido.  Mas também não posso dizer que ele estava curto. Digamos que era um corte ali, no meio termo, algo como penteado de argentino.  Folheando uns editorias de moda, deparei-me com um corte que há algum tempo vinha querendo fazer, mas faltava-me  coragem.  Lembram do Matheus Verdelho e o seu cabelo raspado na nuca e topetudo na frente? Pois é, queria fazê-lo.  Mas era muito radical até então.  Levei o notebook para o salão, disposto a mostrar para o profissional algumas fotinhos do Matheus, na esperança de que o pobre conseguisse me deixar com a cara do bonitão. Não tive coragem. Era gay demais, até para mim. E entreguei minha cabeça dizendo que confiava no trabalho dele, de olhos fechados.  Voilá, e eis que o meu cabelo que, em média, levava cinco minutos para ser cortado, levou quase quarenta minutos; picota aqui, picota acolá. Senti um frio na espinha.  Merda. O cara tava exagerando.  Será que não dava pra colar um pedaço da franja não? E aquela nuca, Jesus, não tava muito rentinha?

Fui para a casa me sentindo incrivelmente mais leve e lembrando de todas as vezes em que sonhava que cortava o cabelo e acordava com dor no coração. Tá que eu cheguei  e minha mãe perguntou quando havia custado o corte e soltado uma de suas pérolas do tipo "Por isso?! Um corte desses que se faz lá no barbeiro da esquina?!", mas nada que fizesse frente ao "Tá gatíssimo! Rejuvenesceu uns quatro anos" que andei escutando por aí.  É numa hora dessas que eu vejo que todo o dinheiro gasto com finasterida e minoxidil tem valido a pena.  E aquele visual cigano velho, por favor, nunca mais! Se alguém cruzar por mim de rabinho de cavalo, chamem o hospício porque eu pirei.

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Marcelo Antunes (ele mesmo, aí em cima, a cara do Mateus Verdelho) escreve todo dia 03.

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