30 de ago de 2012

(Res)peito.

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por Talita Rodrigues
(Poeta de Parede)

Conjugo verbos equivocadamente o tempo todo. Meu arroz nunca dá certo, a cozinha me odeia e essa é mais uma das minha frustrações. Tenho 19 anos, ainda não tenho carteira de habilitação e todo mundo me pergunta o por quê. A verdade é que eu sou um desastre ambulante. Adoro livros de filosofia e, no momento, estou obcecada por Nietzsche. Faço drama 24 horas por dia e se você disser que minha letra é feia, eu vou chorar. Acho que isso de viver em excesso ainda vai me matar antes da hora. Sensibilidade é meu segundo nome. Faço poesia (eu tento) com tudo, minhas histórias são ultrarromânticas e eu não sei rimar. Aliás, eu escrevo sobre tudo que me acontece e já perdi a conta de quantos rascunhos eu tenho jogados por aí. Ah, se já te dei algum dos meus textos, considere-se importante; minhas palavras tiveram pouquíssimos destinatários até hoje. Gosto do movimento da caneta no papel e de ver as palavras tomando forma. Quando a inspiração me pega, sou capaz de acordar de madrugada para escrever (meu passatempo preferido, aliás). É tão natural para mim essa intensidade. Mesmo assim, eu me acho incompetente. Quando eu coloco o ponto final no término da folha, sobra a sensação de que poderia ter ficado melhor; sempre assim. Eu sou ciumenta, indelicada e revoltada na maior parte do tempo. Quando eu não estou pensando sobre a vida, eu penso no que poderia estar pensando; no mínimo confuso. Morro de medo da solidão e todas as noites, antes de dormir, eu peço pela felicidade de uma pessoa em especial.

E agora? Eu mereço seu respeito? Agora que você sabe quais são meus medos e minhas manias, você é capaz de me respeitar? Se a resposta for sim, admirável Leitor, talvez haja um equívoco.

Para começar, é bom deixar claro que falsidade não é respeito. O respeitar está completamente desvinculado do merecer. Independentemente do primeiro parágrafo desse texto, o respeito que há entre nós deve permanecer o mesmo. Conhecendo-me ou não, respeitar é fundamental. Você, é claro, tem todo o direito de achar tudo isso aqui um(a) -adicione o xingamento que desejar neste espaço- e eu posso, livremente, continuar produzindo. A crítica é sua, o texto é meu e a convivência continua a ser mantida. Ou deveria.

E isso tem me irritado um pouco (tá, grande novidade). A gente vive saindo por aí (inclusive nas redes sociais) cuspindo palavras por impulso e provocando outras pessoas por qualquer motivo medíocre que seja, sem perceber que alguém pode ter se ofendido, e sem demonstrar, respeitou aquele nosso momento de estupidez. Já aconteceu comigo, com alguns de vocês (ou todos) e assim será sempre.

Por isso, vamos tentar aceitar que os outros nunca serão do modo como desejamos -chorem, eu deixo-. Ninguém nunca fará as mesmas escolhas que nós um dia fizemos, e nem por isso devemos odiá-los. Você não precisa chegar no seu twitter e despejar indiretas em prestações de 140 caracteres só para se vingar. Você não precisa de frases de efeito para dizer que alguém é insuportável só porque não agiu como você esperava. Você não precisa ferir alguém para sobreviver, acredite. Porque, assim como você, o outro também tem sentimentos. Suas palavras também machucam e fazem chorar.

Mas acalme-se aí na cadeira, Leitor querido, não estou tentando promover a paz mundial, muito menos dizendo que devemos ser todos como a Madre Tereza de Calcutá (por favor né). O que eu quero dizer é que você pode não me suportar (às vezes, nem eu mesma me suporto), pode me chamar de hipócrita, esquisita, chata e tantos outros pseudo-adjetivos de sua preferência, você tem todos esses direitos. Mas guarde-os com você, é desse respeito que estou falando.

Por diversas vezes, já tive vontade de gritar, e calei. Tive vontade de brigar, e guardei. Tive raiva, e apesar de tudo, sorri. Posso não concordar com milhares de coisas do mundo aí fora, mas nada disso vai mudar a maneira como elas são. O respeito economiza, poupa energia celular e rejuvenesce. E eu aposto que ninguém aqui quer ficar com rugas, não é mesmo?

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