21 de out de 2012

Hit EnQuadrado: “One More Night”, Maroon 5.

Maroon-5-One-More-Night-Single

Vértice 1: As Influências

Com uma pitada de reggae na guitarra de James Valentine e a alquimia pop de sempre, o Maroon 5 emplacou em “One More Night” uma canção que pende para um dos rótulos que sempre foi associado à banda: o funk rock. Precedido, no final dos anos 60, pelas últimas experiências do lendário Jimi Hendrix ("Little Miss Lover", de 1967, é considerada a primeira canção a misturar elementos do funk primordial e do rock), o gênero nasceu na alvorada da década seguinte, graças ao pioneirismo de George Clinton.

Com um álbum, o clássico Maggot Brain, incluído na lista de 500 melhores álbuns da história da Rolling Stone nesse ano, uma das bandas de Clinton, a Funkadelic, se impôs como o primeiro clássico do gênero. Contando com o guitarrista Eddie Hazel, principal rival de Jimi Hendrix na época, eles criaram clássicos como a faixa-título do álbum mencionado e a mais característica "Can You Get to That", que trazia a batida funkeada e as guitarras elétricas norteadoras do funk-rock. O gênero passou para o outro lado do Atlântico ainda na mesma década, com a banda britânica Trapeze gravando canções que traziam uma abordagem mais suave da influência funk da música – um bom exemplo é "Black Cloud".

Nos anos 80, com a ascenção do synthpop e a experimentação geral de gêneros, o funk rock figurou diluído nas experiencias pop de Queen ("Another One Bites the Dust"), Rick James ("Give it To Me Baby") e Blondie ("Heart of Glass"), ampliando os horizontes e as influências do gênero dentro da cultura popular. E continuou sendo parte do cenário rock, tendo seu representante mais conhecido  no Jane’s Addiction, que seguia a escola do Trapeze e fazia rock alternativo com batidas e baixos emprestados da funk music. Dá pra ouvir um pouco dessa influência em "Jane Says", clássico da banda.

Os anos 90 viram surgir a banda de funk rock mais lôngeva da história: o Red Hot Chilli Peppers. "Suck My Kiss", um dos hits do clássico álbum Blood Sugar Sex Magik, mostra bem a fluidez funk rock, com elementos novos do hip hop, que caracterizam o som da banda, na ativa (e fazendo sucesso acima da média para o gênero) até hoje. Lenny Kravitz ("Always on The Run") e Audioslave ("Original Fire") também já experimentaram com a mistura de funk e rock.

Vértice 2: A Canção

“One More Night” abre com um gancho pop entoado por Adam Levine por cima de batidas com influência do funk, ditadas por Matt Flynn na percussão. A entrada do baixo de Mickey Madden nos versos e a riffagem reggae de James Valentine completam a alquimia pop da banda numa canção descrita como “uma imersão de gêneros efetiva, criando algo novo como resultado”. O vocal de Levine, muito elogiado, traz o falsete que é a assinatura do americano, e canta sobre as idas e vindas de uma relação na qual o cantor espera ter forças para permanecer “por apenas mais uma noite”.

Vértice 3: O Artista

O Maroon 5 vem sendo um empreendimento único no cenário pop há mais de dez anos. Em 2002, com o lançamento do nascido-clássico Songs About Jane, os cinco rapazes californianos apenas confirmaram uma tragetória que incluia um álbum lançado sob o nome de Kara’s Flowers em 1997. As canções escritas pelo vocalista Adam Levine para o que ele considera a grande paixão de sua vida renderam hits como "She Will Be Loved", "This Love" e "Sunday Morning", e fizeram do pop rock adulto (da música adulta, na verdade) uma fórmula rentável novamente.

Cinco anos depois, os americanos voltaram com o igualmente bem sucedido It Won’t Be Soon Before Long, uma ligeira abertura maior do grupo para as influencias da black music em suas composições (a mais audível é Prince). "Makes me Wonder" se tornou o primeiro #1 do Maroon 5, se mantendo três semanas no topo da Billboard Hot 100, e os outros quatro singles do álbum também mantiveram o nome da banda no topo do jogo pop – com destaque para o dueto com Rihanna em "If I Never See Your Face Again". Mais três anos e foi a vez de Hands All Over, um esperimento pop cheio de força e vitalidade, mas ofuscado por singles que não funcionaram (com exceção da ótima "Misery" e, claro, de "Moves Like Jagger", da versão deluxe do álbum, segundo #1 da carreira da banda).

Overexposed é o nome da nova fase do grupo, trazendo produção mais pop, por vezes voltada para a pista de dança. Mas ainda é o Maroon 5, como o terceiro #1 dos californianos, essa “One More Night”, bem demonstra.

Vértice 4: O Impacto

A canção estreou na parada da Billboard em Julho, após o lançamento do videoclipe dirigido por Peter Berg (O Reino, Hancock), na modesta 42ª posição. Começou então uma lenta escalada da parada, atingindo o número 30 em meados de Agosto, o número 8 no começo de Setembro e, à beira do começo do mês de Outubro, finalmente alcançando o topo da parada, na 13ª semana depois da estreia. Atualmente, “One More Night” está em sua terceira semana reinando no topo da Billboard, igualando o número de “Makes Me Wonder” e ameaçando as seis semanas de “Moves Like Jagger”.

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