19 de nov de 2012

A Saga Crepúsculo: A história de um fenômeno.

stephStephenie Meyer, autora da Saga Crepúsculo.

por Andreas Lieber
(Tumblr)

Desde 2005, quando a Little, Brown publicou Twilight, romance de estreia de Stephenie Meyer, a palavra “vampiro” nunca mais teve o mesmo significado. Narrando a longa série de eventos que rodeia a paixão de Isabella Swan, uma humana, por Edward Cullen, um vampiro, a série de livros tomou conta do mundo e ditou que ser pálido, frio e misterioso era o novo trend a ser seguido. Poucas séries literárias alcançaram o status de frenesi que Twilight atingiu, tendo vendido 116 milhões de cópias ao redor do mundo – incluindo os quatro livros, a novela A Breve Segunda Vida de Bree Tanner e o Guia Ilustrado Oficial da Saga. A série fica atrás em vendas somente de Harry Potter, levando em consideração apenas séries mais recentes (excetuando clássicos como O Senhor dos Aneis e As Crônicas de Nárnia), ultrapassando outras obras como Desventuras em Série (65 milhões), a trilogia Millenium (53 milhões), The Hunger Games (50 milhões), Artemis Fowl (20 milhões), Percy Jackson e os Olimpianos e A Song of Fire and Ice – que, embora antiga, sofreu um boom nas vendas apenas com o lançamento da série Game of Thrones pela HBO em 2011 – (ambos com 15 milhões).

Como qualquer bestseller, Twilight atraiu uma miríade diferenciada de reviews e recepções críticas, formando também um séquito de fãs altamente opinativos. Após a estreia do primeiro volume da série, Crepúsculo, os críticos articularam reviews geralmente favoráveis, citando a construção de um mundo extremamente chamativo para os adolescentes como característica principal de Meyer. No entanto, com o decorrer do lançamento das sequências, os próprios críticos começaram a se aprofundar mais nas carências apresentadas pela escrita considerada pobre e rasa de Meyer, construindo críticas mais agridoces para a saga de vampiros que crescia cada dia mais. Uma das controvérsias que causou maior repercussão foi sobre a natureza do relacionamento de Bella e Edward, considerado por muitos abusivo e submissivo. Os fãs, no entanto, defendem as personagens e o mundo elaborado por Stephenie Meyer com paixão ferrenha; para eles, todas as opções feitas no livro partiram da vontade da própria personagem de Bella, visando apenas a sua segurança e a daqueles a quem ela ama.

Seguindo um padrão de consolidação literária, em 2008 o livro foi adaptado para o cinema com roteiro de Melissa Rosenberg e direção de Catherine Hardwicke. Além de exercer um papel fundamental no aumento do sucesso da saga ao redor do mundo, o filme ajudou a alavancar a até então relativamente pequena produtora Summit Entertainment e a carreira de Robert Pattinson (Harry Potter e o Cálice de Fogo) e Kristen Stewart (Na Natureza Selvagem), atores escolhidos para representarem as personagens principais.

Crepúsculo

No primeiro livro da saga encontramos Isabella (Bella) Swan no meio de uma mudança: ela vai deixar Phoenix, Arizona, para morar em Forks, uma cidadela minúscula no meio das florestas úmidas de Washington, onde chove 24 horas por dia, sete dias por semana, com seu pai, Charlie, o xerife. Mesmo tendo se preparado psicologicamente (e isso é uma coisa que Bella faz muito), ela sentiu a realidade esmagadora do que é se mudar para uma cidade pequena e se deparar com um novo colégio. Alguns vários capítulos são dedicados a essa adaptação de Bella, inclusive. As coisas começam a mudar, no entanto, quando na escola ela avista a misteriosa família Cullen: cinco irmãos pálidos, com olheiras, olhos dourados e absurdamente belos. Reservados e misteriosos, ninguém sabe quem realmente são, até Bella se apaixonar por um deles, Edward, e adentrar em um mundo no qual ela nunca sonhou.

Os Cullen são vampiros, mas nada do tradicional Nosferatu ou Drácula, não... os vampiros de Meyer não queimam no Sol, apenas brilham como diamante; o sangue é extremamente necessário, mas não o humano, os Cullen são “vegetarianos”, se alimentam apenas de sangue de animais. Além disso, eles possuem uma indestrutibilidade sem precedentes: nada de estacas no coração ou outras mortes que qualquer humano poderia infligir a um vampiro, esse vampiros possuem uma pele mais dura que mármore e apenas vampiros (ou algum outro ser mágico) podem matar vampiros e quando eles morrem seus corpos racham como pedra. Isso tudo Bella descobre após longos capítulos de construção de um romance reservado e lento, cheio de suspeitas. No desenvolver do livro somos apresentados a todo o clã Cullen: Esme e Carlisle, os “pais”, Emmett e Rosalie, Jasper e Alice e agora Edward e Bella, quatro casais que para a sociedade humana não passam de uma família extremamente bela e misteriosa.

Outra característica especial dos vampiros de Twilight é que, ao serem transformados, alguns deles podem apresentar “poderes especiais”, como Edward, que lê mentes humanas, Alice, que vê o futuro e Jasper, que controla as emoções das pessoas. O primeiro livro da série, quanto ao plot, se fixa principalmente na apresentação do mundo secreto dos vampiros através dos olhos impressionáveis de Bella e da extrema força do relacionamento dos dois – ao longo da narrativa de Bella percebemos como ela se tornou extremamente dependente de Edward, chegando a chamá-lo até de “sua própria heroína”. O livro encontra seu clímax em um dos capítulos finais, quando os Cullen e Bella estão jogando baseball em uma clareira e um clã de vampiros nômades, James, Victoria e Laurent, chegam e querem atacar Bella por causa do cheiro extremamente atrativo de seu sangue. A partir daí a narrativa se torna um pouco mais frenética e Bella tem que lutar por sua vida com a ajuda dos Cullen.

Em 2008 foi lançada a adaptação cinematográfica de Twilight, dirigida por Catherine Hardwicke (Aos Treze) e contando com nomes conhecidos, mas não extremamente famosos, do mundo do cinema: Kristen Stweart como Bella e Robert Pattinson como Edward. Outros nomes como Peter Facinelli, Ashley Greene, Jackson Rathbone, Elizabeth Reaser, Nikki Reed, Kellan Lutz, Billy Burke e Taylor Lautner completam o elenco. O filme conta com uma fotografia fria e sombria, abusando de cores como o azul e o verde, o que reflete bem a aura de mistério que envolve os Cullen, e conta com um roteiro de alterações básicas que acompanham qualquer produção baseada um uma obra literária. A direção de Hardwicke é constantemente criticada por ter sido trêmula e repleta de idiossincrasia, mas esse é justamente um dos motivos que tornam o primeiro filme tão querido ao público, ele retrata bem a visão do mundo que Bella tem, o telespectador vê as coisas do mesmo modo que a personagem. Por outro lado, ela recebe críticas favoráveis na direção de cenas como o jogo de baseball dos Cullen. Outro traço interessante do filme é o soundtrack, que conta com nomes como Paramore ("Decode" e "I Caught Myself"), Muse ("Supermassive Black Hole"), Blue Foundation ("Eyes on Fire") e o próprio Robert Pattinson ("Never Think").

A adaptação de Hardwicke, embora os livros já constassem como bestsellers em várias fontes importantes, foi a que teve um desempenho mais tímido nos cinemas, U$ 392, 616,740 no total. Sendo que U$ 69, 637,740 foi arrecadado apenas na estreia. O sucesso que o filme obteu abriu portas, sem dúvidas, para os rendimentos exorbitantes que as sequencias conseguiram, alavancando também a até então de pequeno/médio porte Summit Ent.

Lua Nova

As sagas atuais sobre romances sobrenaturais têm uma tendência recorrente de repetir o plot em seus segundos livros, e Twilight não é diferente: Edward e Bella se separam. No aniversário de 18 anos de Bella, Alice (a mais fashion e fofa da família de vampiros) decide fazer uma festa íntima na luxuosa casa dos Cullen, mas algo dá errado, claro. Bella, sendo o “imã para problemas” que é, corta o dedo com a fita do embrulho de um de seus presentes e Jasper, o vegetariano mais volátil da família, acaba atacando-a. Bella é salva a tempo, mas todos na família de Edward precisam sair às pressas da casa por causa do cheiro de seu sangue, permanecendo apenas Carlisle, médico e com um autocontrole excepcional, para dar os pontos no corte que ela conseguiu no braço. Durante esse tempo, Carlisle explica à Bella que Edward tem medo de seu relacionamento por achar que a está condenando a uma vida maldita.

Logo após esse incidente, Edward decide que o melhor a ser feito é terminar com Bella e mudar de cidade, fazer como se ele nunca tivesse existido. Para isso, ele recolhe todas as evidencias da família Cullen na vida de Bella e termina com ela na floresta próxima à sua casa. Desorientada, ela se perde na floresta, entrando em cena assim, Jacob. Jacob é um garoto quileute (uma tribo indígena) de 16 anos que é apresentado a Bella em Crepúsculo. Com Edward e os Cullen longe, Bella cai em uma profunda depressão durante meses e só começa a voltar à vida quando se torna mais amiga de Jacob, que começa a passar por uma transformação no meio do livro, e se torna um lobisomem. A amizade dos dois cresce e ele acaba se apaixonando por Bella, mas a mesma apenas continua em sua meia vida, aprendendo a fazer coisas perigosas para enganar a mente e escutar a voz de Edward.

Em uma dessas aventuras, Bella decide pular de um penhasco à beira do mar por diversão, onde viu os amigos lobos de Jacob pularem. Ao cair na água ela começa a se afogar e avista ao longe uma chama vermelha que mais tarde descobre ser Victoria, ex-parceira de James, morto por Edward no final de Crepúsculo. Desesperada, ela é salva por Jacob, mas isso desencadeia ações muito mais extensas do que ela imaginaria. Sempre de olho no futuro de Bella, Alice a vê pulando do penhasco e acha que ela se suicidou. Ao descobrir, Edward corre para Volterra, Itália, para o clã Volturi, o líder do mundo vampiro. Seu plano é simples: expor-se ao Sol em um festival para que todos possam vê-lo e os Volturi serem obrigados a matá-lo. Ao descobrir que Bella ainda está viva, Alice volta para Forks e as duas correm para a Itália, impedindo que Edward seja morto.

A adaptação cinematográfica foi feita em 2009 por Chris Weitz (A Bússola de Ouro) e contou com uma atmosfera mais calorosa por conta de Jacob; a fotografia é quente, com cores como o vermelho e o amarelo sempre presentes. Foi uma produção muito maior que a de Crepúsculo devido à extensa fama que a série adquirira, o que talvez tenha afastado a trama da familiaridade dos fãs. A direção de Weitz é mais firme que a de Hardwicke, conduzindo um filme mais seguro, mas não livre de críticas. A recepção foi oscilante, passando por cenas bem elaboradas como a depressão de Bella, acompanhada da melodia dolorosa de “Possibility", da sueca Lykke Li, e a maravilhosa cena da perseguição de Victoria pelos lobos, contando com a batida mais eletrônica de “Hearing Damage”, do vocalista do Radiohead, Thom Yorke, a outras cenas na presença de Jacob consideradas maçantes. Houve mudanças fundamentais na adaptação do livro, como a luta de Edward com os Volturi no final; no livro eles apenas conversam para resolver o problema.

Com o sucesso de Crepúsculo pesando na decisão dos próximos filmes, Lua Nova contou com uma produção muito mais elaborada e custosa, mas seu desempenho nos cinemas garantiu que a franquia não pararia por ali. Arrecadando U$ 709, 827,462 em todo o seu tempo de cinema e incríveis U$ 142, 839,137 apenas na estreia (o mais alto lucro de estreia de toda a saga), Lua Nova consolidou o sucesso cinematográfico da saga e a transformou em uma verdadeira obsessão. Em algumas salas (2.037 ao todo) nos Estados Unidos, houve um combo Twilight/New Moon começando com a primeira adaptação e culminando na pré-estreia de Lua Nova, arrecadando U$ 2, 385,237.

Eclipse

O terceiro livro da saga é considerado um de transição (ou enrolação), o que talvez o ajude a ser um dos favoritos do público: o povo gosta de um “água com açúcar”. O plot gira em torno da conclusão do clímax do primeiro livro: Victoria está criando um exército de recém-nascidos para atacar os Cullen e matar Bella para que Edward possa sentir tanta dor quanto ela sentiu ao perder James. No meio tempo, Edward pede Bella em casamento e a tensão sexual cresce entre os dois (é incrível o número de vezes que Bella tenta tirar a sua roupa e de Edward). Meyer utiliza-se de Eclipse para concluir algumas histórias e revelar o passado de alguns personagens como Rosalie, a mais bonita dos vampiros, que era uma garota de classe média no século XIX que foi violentada por seu noivo e seus amigos e deixada na rua para morrer, e Jasper, que era um soldado na Guerra da Secessão seduzido por uma vampira mexicana, Maria. É explicado também mais sobre os lobos, como o imprinting, quando um lobo encontra sua contra parte no mundo e passa a viver por ela/ele. Além disso há o beijo de Bella em Jacob para fazê-lo desistir da ideia de se deixar matar na batalha e da decisão final de ficar com Edward.

Ao passo que o plano de Victoria vai se formando e Alice consegue prever seus movimentos, uma aliança surge com os lobos para a proteção da área e, como sempre, Bella é mantida no escuro a maior parte do livro, descobrindo do ataque apenas alguns dias antes. Esse período é utilizado para a efetuação dos planos para enganar o exército e Victoria. Jacob corre com Bella por uma rota específica, fazendo com que os novos vampiros fossem atraídos para lá por seu cheiro, no final da trilha os Cullen e os lobos estariam esperando para a batalha. É a primeira vez que uma batalha entre exércitos aparece em qualquer um dos livros. A batalha final não é narrada diretamente, pois Bella está escondida mais acima na floresta com Edward, sendo contadas apenas algumas partes à medida que Edward lê os pensamentos de Alice. É nesse momento, também, que Edward consegue ler os pensamentos de mais alguém que se aproxima: Victoria. Tendo se dispersado do grupo, ela e Riley, seu recém nascido mais forte, vão atrás de Edward e Bella, junta-se ao grupo Seth, o jovem lobo para lutar ao lado dos Cullen.

Após alguns momentos da batalha entre os dois, que Bella descreve como “borrões dançantes entre as árvores”, ela decide fazer algo para ajudar. Bella encontra uma pedra pontuda e faz força para cortar seu braço, mas devido á esse movimento um tendão desloca-se (ela estava com a mão quebrada por causa de um murro que dera em Jacob) e ela engasga de dor, fazendo com que Victoria e Riley percam a concentração e Edward e Seth possam matá-los. Após esse acontecimento Bella desmaia e quando acorda já se encontra na clareira onde a batalha aconteceu, com vitória dos Cullen e dos lobos, sem vítimas. Uma fogueira gigante está acesa e os retos dos recém-nascidos queimam, enquanto uma jovem vampira, Bree, se entregou e está amarrada atrás deles – é a partir dessa personagem que Meyer narra a novella A Breve Segunda Vida de Bree Tanner, contando desde sua transformação à sua morte na batalha. Momentos depois, como Alice prevera, os Volturi chegam à clareira para tomar conta da situação, matam Bree e deixam um ultimato no ar: Bella deverá se tornar vampira logo ou seu destino será o mesmo da jovem vampira.

Uma adaptação para os cinemas foi conduzida por David Slade (30 Dias de Noite) em 2010 e, assim como o livro, é um filme de transição que não aparenta começo nem fim, apenas meio. É um filme que mescla cenas em cores quentes no começo, com a fascinação de Bella pela volta dos Cullen a cenas frias da batalha de vampiros na neve. O filme passa rápido e dá uma visão maior do exército recém-nascido de Victoria, mostrando seu desenvolvimento e sua aproximação. Foi marcado também pela troca de atriz no papel de Victoria, antes interpretado pela canadense Rachelle Lefèvre (Mistério em River King), nessa sua última aparição é encarnada pela norte americana Bryce Dallas Howard (A Vila), além de contar como novos nomes como Xavier Samuels (Riley) e alguns lobos a mais, como Alex Meraz (Paul) e Julia Jones (Leah). O filme continua com a tendência de críticas mescladas, com cenas interessantes como a da batalha, mas é alvo de comentários justamente na questão do filme apresentar apenas um “grande meio”. Críticas mais pesadas por partes dos fãs recaem sobre a roteirista Melissa Rosenberg que alterou as cenas finais e fez Edward quase ser morto pelos vampiros e apenas salvo por Bella, que completa seu plano e corta o braço. Nessa terceira adaptação alguns grandes nomes da música se reúnem no soundtrack, como Florence + the Machine ("Heavy in Your Arms"), Metric ("All Yours"), mais uma vez Muse ("Neutron Star Collision"), Bat for Lashes ("Let’s Get Lost"), Sia ("My Love"), Fanfarlo ("Atlas"), entre outros.

O sucesso de Eclipse talvez tenha sido por ser a narrativa na qual Edward e Bella estão mais grudados que nunca e Bella tenta tirar a roupa várias vezes, talvez por ser a que ela beija Jacob ou talvez ainda por ser é o primeiro filme em que há uma luta oficial que estava presente nos livros. De modo que, por qualquer motivo, ele arrecadou U$ 698, 491,347 no tempo total de exibição, mas apenas U$ 64, 832,191 na estreia.

Amanhecer

Para o tão esperado desfecho da hipnotizante história de vampiros e amor, Amanhecer decepcionou muitos fãs e críticos. A essa altura já cientes das carências de escrita de Meyer, as reviews foram mais acirradas e duras e os fãs reclamaram da falta de intensidade em alguns momentos finais do livro. Começando com a narração costumeira de Bella, o livro tem boa parte do seu meio narrado por Jacob, o lobisomem quileute, e depois retorna para os olhos de Bella para a conclusão. Tendo início com os preparativos para o tão aguardado casamento de Edward e Bella, o livro se desenvolve em um passo ritmado, com Alice organizando cada milímetro da cerimônia e a mãe de Bella fazendo mais uma aparição. No casamento somos finalmente apresentados ao clã-primo dos Cullen, as Denali, que moram no Alasca e revemos vários dos amigos humanos de Bella.

Logo após somos transportados para a lua de mel paradisíaca do, agora oficialmente, casal Cullen no Rio de Janeiro, mais especificamente em uma ilha que Carlisle comprou, a ilha Esme. Na lua de mel é a primeira vez em que há a narração de sexo por Bella, mesmo sendo mínima e baseada principalmente em insinuações (embora ela tenha relatado que depois o quarto estava destruído e coberto de penas e a cama quebrada). Há alguns poucos momentos de tensão devido a Bella ter ficado cheia de hematomas e Edward ter achado que a tinha machucado, mas ela acaba convencendo-o de que estava bem e a lua de mel prossegue. Mas só até certo ponto. Depois de alguns dias Bella começa a passar mal e descobre que sua menstruação está atrasada, chegando rapidamente à conclusão de que está grávida. Ao descobrir isso, Edward entra em pânico e faz os arranjos para voltar rapidamente à Forks enquanto Bella liga para a pessoa mais improvável de todas: Rosalie Cullen.

Nesse momento a narração de Bella é cortada e temos uma visão dos acontecimentos por parte de Jacob, é ele que narra a destruição de Bella por causa da criança vampira que está carregando. Forte demais para um corpo humano, ela se alimenta do sangue de Bella e de todos os seus nutrientes, deixando-a cadavérica e fraca. Outro fator alarmante é o crescimento acelerado do feto, o que acarretaria a morte precoce de Bella; a família Cullen implora que ela faça um aborto, mas ela se recusa, com o apoio incondicional de Rose. É a primeira vez também que há uma briga de Edward com Bella, ele grita e se recusa a aceitar que ela irá morrer, se perguntando como poderá amar seu filho se ele iria matá-la. Surge também uma interessante, porém relutante, conexão entre Edward e Jacob. As semanas se passam e logo Bella acaba fraturando a coluna e entrando em trabalho de parto. Devido a extensa força do bebê e a falta de tempo, a anestesia não pega e Bella sente todo o procedimento, de Edward cortando sua barriga e quando ele decide mordê-la para andar mais rápido, à saída rascante do bebê. É uma menina, Renesmee.

Após ver sua filha pela primeira vez, Bella desmaia e começa a morrer, Edward e Jacob Fazem de tudo para salvá-la, aplicando doses extremas do veneno dos vampiros juntamente com morfina. Há um espaço de tempo no livro em que o leitor não sabe se eles obtiveram êxito ou não, até que a narração volta para Bella e ela descreve a dor excruciante de se tornar vampira, era como “se todos os órgãos estivessem rasgando e seu corpo estivesse pegando fogo por dentro”. Ao acordar, alguns capítulos são dedicados à descoberta do que é ser um vampiro, todos os novos gostos, cheiros, sensações e visão apurada. Há a primeira caçada de Bella, a sua demonstração de força ao vencer Emmett (o mais forte dos Cullen) em uma guerra de braços e a convivência com Renesmee, que é descrita como a pessoa mais bela do mundo e cresce rapidamente, o que preocupa a família. É nesse ínterim também que Bella descobre que Jacob sofreu um imprinting em sua filha, atacando-o.

É durante esse período também que Irina, uma vampira das Denali, vê Bella, Renesmee e Jacob na floresta e acha que os Cullen fizeram uma Criança Imortal. Crianças Imortais era uma prática antiga de alguns vampiros transformarem bebês e crianças pequenas em vampiros; extremamente belos, seus ataques de raiva eram capazes de destruir vilas e cidades inteiras. Os Volturi destruíram todas e transformaram o ato em crime. Irina, ao ver isso, corre para a Itália relatar a transgressão. Para entender seu ato, é preciso voltar ao personagem nômade de Laurent, que viajava com James e Victoria, por quem Irina acabou se apaixonando. Ao saber da morte de seu amado por Jacob, ela criou uma revolta contra os Cullen e os lobos. Outro fator que pesou em sua decisão foi que sua “mãe”, sua criadora, foram uma das mortas pelos Volturi, acusadas de criar Crianças Imortais.

Ao saber da vinda dos Volturi com sua arma completa, os Cullen começam a chamar amigos vampiros para testemunhar a seu favor, afirmando que Renesmee nasceu de uma humana e tem um ritmo de crescimento verdadeiro. Todos são convencidos ao se renderem pelo encanto e poder de Renesmee: ela é capaz de mostrar imagens pelo toque, mostrando a todos suas lembranças no útero de Bella. Os Volturi finalmente chegam e, mesmo vendo que nenhuma lei foi quebrada, se armam para uma luta, mas nesse momento, Alice, que tinha ido embora mais cedo no livro, retorna com Jasper e dois vampiros da Amazônia, um deles, Nahuel, meio humano meio vampiro como Renesmee e mostra a Aro, líder dos Volturi, uma visão que o faz desistir de lutar. O clã chefe do mundo vampiro se afasta e vai embora, sem luta, sem nada. Esse foi um dos grandes motivos de decepção dos fãs para com o final: após tanta apreensão e preparação, não houve luta nenhuma. Os nômades e clãs voltam para seus países e territórios costumeiros e os Cullen vivem felizes para toda a eternidade, com Renesmee atingindo o tamanho adulto e parando de crescer após alguns anos. O livro termina com Bella, que descobriu algum tempo após se transformar em vampira que possuía uma habilidade especial: ela era um escudo psíquico (por isso nem Edward nem Aro conseguiam ler sua mente desde humana), projetando esse escudo para fora de seu corpo e deixando Edward ler sua mente pela primeira vez, mostrando a ele todas as suas memórias humanas e vampiras, ou como a própria Meyer termina: “E assim, alegremente, continuamos aquela parte pequena e perfeita de nossa eternidade”.

A onda de separar a história do último livro em dois filmes que começou com Harry Potter e se espalhou por bestsellers como The Hunger Games também atingiu Twilight. Amanhecer foi feito em dois filmes, um de 2011 e outro de 2012, ambos dirigidos por Bill Condon (Dreamgirls – Em Busca de um Sonho). A primeira adaptação não agradou muito os fãs e a crítica, tendo os dois achado-a extremamente lenta em progressão. Condon usa cores claras no casamento de Bella e fortes para representar o Brasil, contrastando com cores frias e mortas para demonstrar o desfalecimento de Bella. O filme ganhou boas críticas, no entanto, em relação a maquiagem, principalmente na aplicada em Kristen Stewart durante a gravidez de Bella. A trilha sonora ajudou a construir o clima de desolamento que a família Cullen sentiu ao pensar que Bella iria morrer com artistas como Aqualung em feat. com Lucy Schwartz na dramática “Cold", mas também construiu cenas engraçadas com “Sister Rosetta” do Noisettes e outras apaixonadas com “Turning Page” de Sleeping at Last.

A escolha de Bill Condon para a direção das duas partes finais da saga Crepúsculo foi recebida com certa surpresa, o diretor nunca havia dirigido nada tão fantasioso ou feito parte de grandes sagas. Sua direção clean e bem articulada, juntamente com a ansiedade dos fãs para ver o casamento de Bella e a mesma se tornando vampira renderam o status de maior sucesso de bilheteria da saga (até agora), em um total de U$ 712, 171,856 para a primeira parte de Amanhecer, sendo que desse total, U$ 138, 122,261 foram arrecadados na estreia. A segunda parte, que estreou quarta-feira passada (15/11) levou multidões para ver Renesmee, a filha de Bella e Edward, e o desfecho dessa história de amor vampiresca, tendo arrecadado até agora U$ 162, 200,000.

A segunda parte, com estreia na semana passada, causou uma melhor impressão em críticos e público, sendo considerada “um fechamento brilhante para a saga de vampiros de Meyer”, contando com uma atmosfera divertida e sombria ao mesmo tempo devido a apreensão da chegada dos Volturi e uma solução brilhante de Rosenberg e Condon para a decepção dos fãs com o final. Nomes renomados da música ajudaram a compor essa atmosfera como Passion Pit ("Where I Come From"), Ellie Goulding ("Bittersweet"), Green Day ("The Forgotten"), Feist ("Fire in the Water"), St. Vincent ("The Antidote") e a própria Nikki Reed (Rosalie Cullen) em parceria com seu marido Paul McDonald ("All I’ve Ever Wanted"). Vocês poderão ler uma crítica completa de Amanhecer, parte 2 feita por Caio Coletti em breve.

PS: Os números de todas as estreias dos filmes contam apenas com a arrecadação em solo americano.

O elenco de Twilight fotografa para a Vanity Fair.

Andreas Lieber escreve todos os dias 05 e 20.

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