20 de dez de 2012

Apostas para o Oscar 2013 – Review: Moonrise Kingdom

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por Andreas Lieber
(Tumblr)

Em seu famoso poema “Childhood is the Kingdom Where Nobody Dies”, a poetisa norte-americana Edna St. Vincent Millay narra que a infância se caracteriza por ser um reino onde ninguém morre. Wes Anderson, em seu último projeto, Moonrise Kingdom, certamente tinha esse poema em mente e o resultado foi uma paráfrase do texto de Millay, soando algo como: “Moonrise Kingdom é o reino onde a infância não morre”. Contando com um roteiro do próprio Anderson em parceria com Roman Coppola (parceiro do diretor também em Viagem a Darjeeling), o filme, que foi recentemente indicado ao Golden Globe na categoria de Melhor Filme – Musical ou Comédia, constrói uma história de amor que grita uma inocência infantil e suspira os últimos anos de tranquilidade do Sonho Americano.

O filme acompanha a investida amorosa de dois pré-adolescentes, Sam (Jared Gilman) e Suzy (Kara Hayward), que em 1965 se correspondem por cartas e decidem fugir de casa juntos e percorrer o caminho da colheita anual dos indígenas que habitavam a ilha de New Penzance, New England, onde eles moram. Ele, um projeto romântico byroniano de doze anos, em pleno treinamento para se tornar um Escoteiro Khaki, lidera a peregrinação levando no rosto uma orgulhosa sombra de bigode e prepara refeições para Ela, a garota-problema de uma família tradicional do interior da ilha, com pais advogados e três irmãos pequenos, que carrega com si um par de binóculos, uma mala repleta de seus livros favoritos, seu gato e um tocador de LPs (que ela se orgulha de ter pegado do irmão e toca constantemente Françoise Hardy). O filme progride com a direção bem estruturada de Anderson, que utiliza com Robert D. Yeoman, responsável pela incrível fotografia do filme, de um filtro que concede a filmagem um aspecto da antiga câmera Super 8 e completa esse clima de amores antigos com um figuro digno de meados da década de 70, atingindo seu clímax narrativo quando uma verdadeira comissão de habitantes da ilha sai em encalço dos enamorados sonhadores.

Outro grande trunfo do caloroso Moonrise Kingdom é a excelência do elenco e a construção de personagens linda e absurdamente naturais na pele de um engraçado Edward Norton no papel de Chefe-Escoteiro, um paternal Bruce Willis encarnando o policial da ilha e uma (falsamente) austera Tilda Swinton na pele da assistente social. Bill Murray e Frances McDormand dão vida ao casal de advogados em um casamento divertidamente quase falido e pais de Suzy, e o filme ainda conta com a espirituosa presença de Jason Schwatzman como membro de outro acampamento de escoteiros (e “casamenteiro” nas horas livres). Gilman e Hayward, responsáveis pelas atuações principais, mostram que de principiantes possuem apenas os nomes, concedendo uma cadencia genial e bem construída ao filme.

Moonrise Kingdom é um filme sobre a inocência do primeiro amor, sobre o reino infantil onde guardamos as memórias das primeiras experiências, as mais (agri)doces e ingênuas, embora estranhas, que nos ajudam a formar quem somos. Wes Anderson dirigiu um filme utilizando o coração, diferentemente de seus projetos anteriores, que brincam com a mente. A familiaridade causada no telespectador é devida ao reconhecimento das estranhas situações por quais todos passamos para crescer: o amor, o primeiro beijo, a primeira ereção presenciada por alguém (sim, cenas constrangedoras, mas estranhamente gostosas de serem assistidas nesse filme) e a esperança de um futuro feliz. De uma estranheza deliciosa, o filme encanta e é complementado por uma melodiosa trilha sonora de Alexandre Desplat, construída de forma intricada mas musicalmente delicada, que acompanha o clima inocente e, as vezes, bizarro do filme.

***** (5/5)
a must see, really

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Moonrise Kingdom (Moonrise Kingdom, EUA, 2012)
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, Roman Coppola
Elenco: Jared Gilman, Kara Hayward, Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton, Jason Schwartzman
94 minutos

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