19 de dez de 2012

Review: Leona Lewis é frágil, mas nem tanto, em seu Glassheart

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por Amanda Prates
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Parece que Leona Lewis tem dado passos não muito largos em sua discografia, seja na qualidade dos discos, seja nos intervalos de lançamento entre um e outro. Spirit, álbum de estreia lançado em 2007, veio sem grandes surpresas (apesar de ter liderado as primeiras posições de importantes charts em alguns países), de um modo geral, mas revelou destaques como “Bleeding Love”, com seu refrão melodramático e chiclete, o que fazia-nos repetir sempre “Keep bleeding/Keep, keep bleeding love/I keep bleeding/I keep, keep bleeding love”. Basicamente Pop/R&B, da primeira à última música, com traços da musicalidade anos 90 de cantoras como Mariah Carey e Whitney Houston e que reuniu baladas criadas com todo um cuidado.

Com a mesma essência melódica e romântica do primeiro, em Echo, Lewis apostou mais no soul e dividiu a crítica. “Happy” foi uma das canções que surpreendeu pelo bom desenvolvimento da voz inquestionavelmente privilegiada da moça. Um álbum quase que regido por baladas, com exceção de “Outta My Head”, música que transita pelo universo pop dance, que não surpreende pelas melodias nem pelas letras.

Dois anos tinham passado desde o lançamento de Echo, e parecia que a espera pelo anúncio de um novo sucessor perduraria por mais algum tempo. Mas depois de acusações de plágio, brigas judiciais e alguns adiamentos, finalmente o terceiro da britânica foi oficialmente lançado. Glassheart possui as mesmas fórmulas usadas nos primeiros trabalhos: pop, baladas clássicas e, até mesmo, o dedo mágico de Ryan Tedder (OneRepublic). Músicas melhor trabalhadas e que oscilam entre o pop excessivo e R&B de Spirit e o pop mais soul de Echo, e a presença exclusiva do dubstep, que denunciam claramente uma mudança, em termos de melodia e mensagem das letras, assumida por Leona.

“Trouble”, balada composta por Emeli Sandé, abre o disco com elementos trip hop, levada ao piano e um tanto incomum ao restante do álbum; sendo o primeiro single, com letra e clipe clichês, mas que conquistam numa primeira audição. “Un Love Me”, faixa que se segue, é também uma balada “embalada” pelo piano, de letra sombria e sofrimento do início ao fim – nada que já não se tenha ouvido em trabalhos anteriores – em que Leona insiste para que seu amor não a ame mais. “Lovebird”, single atual que ganhou clipe (lindo) recentemente, possui refrão grudento e te apaixona já nos primeiros versos. Nesta canção, Leona se toma, como um pássaro aprisionado em uma gaiola, referindo-se metaforicamente a um amor vicioso e inútil que não a permite seguir em frente.

É em “Come Alive” que entra o tão invejável dubstep, com suas batidas animadas que dão um toque de vida ao disco. “I revive, I see you and I come alive / See you and I come alive” canta Leona e exagera no romantismo. O álbum não perde o ritmo com “Fireflies”, talvez uma das melhores faixas, mais uma baladinha que começa lenta, mas ganha força no refrão; em que Leona causa inveja no final com seu coro repetindo constantemente “Fire / It's only fire / It's only fire / It's only fireflies”. “Shake Up You” nos tira do coma melancólico das primeiras faixas, e Leona declara “I wanna shake, wanna shake, I wanna shake you up!”. É faixa mais incomum e inesperada, com seu ritmo anos 80, e que não decepciona! A seguinte, “Stop The Clocks”, resume-se em uma única palavra e não merece mais nenhum comentário: chorável.

Nunca, em fases anteriores da moça, uma canção foi tão almejada a ser single como “Glassheart”. Aqui ela está amando com seu coração de vidro, em contrapartida, é a faixa com maior presença do dubstep e este é melhor trabalhado do que em “Come Alive”, talvez esteja aí a “magia” que a faz ser a mais amada por quem ouve já na primeira vez, sem deixar de ressaltar sua produção pela ótima junção Fraser T. Smith-Ryan Tedder. Todas essas pequenas mudanças assumidas por Leona desde seu Echo, têm feito com que ela se desafaça do rótulo não tão agradável de ex vencedora do X Factor 2006, e talvez ela consiga isso definitivamente com Glassheart, que não surpreendeu, mas muito agradou.

**** (4/5)

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Glassheart
Lançamento: 12 de outubro de 2012.
Selo: Syco, RCA.
Produção: Josh Abraham, Ammo, DJ Frank E, Craigie Dodds, Rodney Jerkins, Naughty Boy, Chris Loco, Oligee, Al Shux, Fraser T Smith, Ryan Tedder, Sandy Vee, Youngboyz, Noel Zancanella
Duração: 48m51s

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