11 de jan de 2013

A Reflexão do Adeus

Sem título

por GuiAndroid
(TwitterTumblr)

Depois de exatamente um ano e meio escrevendo para a coluna de moda d’O Anagrama, eu me sinto realizado, jornalisticamente falando. Nesse período criei uma espécie de portfólio, caso algum dia eu queira seguir no ramo de jornalismo de moda. Não vou ser injusto com os meus leitores e revelar isso só no final, a verdade é que eu estou deixando o blog, da mesma maneira como comecei, com um artigo reflexivo sobre O que é moda e sobre O que é estilo e Quais as importâncias desses no nosso cotidiano.

Livre de qualquer significado literal, moda não é apenas desfiles e peças caras, moda não é algo que privilegia apenas a camada mais abastada da sociedade, porém infelizmente essa é a imagem que a maioria de nós temos sobre ela. A moda nada mais é que a expressão das massas, é o que está no ar, é o que o verdadeiro “povão” usa de diferente, e os estilistas tem o trabalho de perceber essas coisas e fazer as suas adaptações e melhorias e entregar às pessoas uma ideia melhor OU NÃO de como vestir aquela peça que eles já estão habituados. A moda não foi feita para ser ditada se não pelo povo, o nome que está na etiqueta das roupas que usamos é apenas a representação de um grande observador de massas, que é o estilista, diretor criativo e toda a sua equipe de corte, costura e artesanato. Por exemplo o sobretudo, em inglês trench coat (casaco de trincheira), criado no início da primeira guerra mundial pela britânica Burberry, era uma capa de uso militar utilizada nas trincheiras durante a guerra para proteger do frio, da chuva e do vento, Burberry fez sua adaptação do modelo usando um tecido chamado gabardine que é bastante maleável, discreto e tem capacidade de secar rápido além de ser impermeável, antes dessa adaptação os “casacos de trincheiras” eram feitos de lã ou cashmere sendo muito grossos. Portanto, encharcavam facilmente, o que oferecia nenhuma proteção contra o ambiente hostil da guerra nos campos frios da Europa. Logo, percebe-se que o trabalho do estilista nada mais é que perceber as necessidades de vestuário da população e fazer as devidas melhorias para que a roupa seja o mais prática e funcional possível. Isso é um exemplo d’O que é a moda em sua essência.

Continuando tendo o trench coat como exemplo, o assunto agora é “O que é estilo?”. O sobretudo deixou a guerra e foi para as ruas, como símbolo de conforto e proteção contra as intempéries do clima. Numa percepção não muito aprofundada podemos confirmar que estilo nada mais é que trazer o que surge nas vitrines e passarelas para dentro do seu guarda-roupas, o mais simples ato de escolher uma roupa e gostar dela é estilo e vale lembrar que vestir algo porque todo mundo usa é a maior afronta a essa palavra que merece respeito, Estilo. Se o que os estilistas criam é a adaptação do que o povo usa nas ruas, logo o estilo é uma adaptação ainda maior dessa já adaptada preferência geral (tendência). Percebe-se então que nesse meio fashion é muito difícil de se moldar limites e definições para esses termos, pois moda e estilo caminham juntos, ainda que sejam muito diferentes um do outro. Às vezes um sobretudo masculino metalizado em rosa não é do estilo da maioria dos homens, mas talvez dê ideias de como usar essa cor, seja com um sapato ou uma bolsa, uma mochila quem sabe. Fica claro então que não é porque aquela peça foi mostrada naquele modelo e naquela cor que ele deve ser usado daquele jeito. Nem sempre, a moda é prática e agradável aos olhos de seu consumidor, um tom de loucura e um olhar a frente da nossa época pode parecer absurdo mas pode inspirar pessoas a adaptarem seu estilo a novos tipos de corte e estilizarem peças de roupas que já possuem. Ainda mais além, falando de Alta-Costura, muito do que se vê é praticamente inutilizável para a maioria de nós e ainda por cima impagável, pois na Alta-Costura ou couture o que vemos é a mais pura essência de inspiração do criador daquelas roupas loucas com formatos absurdos e combinações pouco agradáveis, cabe a nós observar aquilo e tirar proveito de suas ideias para aplicá-las ao nosso dia-a-dia. Tendo como exemplo o coleção de Alta-Costura de Outono/Inverno da Versace em 2012, o verde limão em vestidos de gala pode parecer um tanto demais para a maioria, mas quem diria que o grande hit de 2012 seria o néon?

E qual a importância disso tudo? É realmente necessário gastar bilhões de dólares anualmente para criar e recriar 30 maneiras diferentes de se usar a cor verde limão? Sim, é. Por quê? É bem simples, a quantidade de criações que vemos nas passarelas nunca vai ser suficiente para os 8 bilhões de estilos que circulam nas ruas desse planeta: pode ser que o moletom verde da Kenzo não seja do meu gosto, mas pode ser do gosto de outras pessoas que são adeptas de um estilo mais hi-lo; acontece que a moda tem o trabalho essencial de dar opções infinitas de como vestir uma mesma peça de roupa para as pessoas. Imagine se a cada mudança de estação só existisse UM tipo de jaqueta, vestido ou calça nas vitrines de TODAS as lojas? E, para piorar, fossem todas da mesma cor, porque esses são os “modelos e cor da moda”. Trágico. A verdade é essa, o público consumidor precisa de opção, pois se vestir por mais que seja algo automático para a maioria das pessoas necessita de muito mais horas pensantes do que se imagina, muito mais trabalho manual.

Mas claro, para muita gente tudo o que eu disse aqui não interessa, é informação fútil, filosofia barata do século 21, quantas vezes já não ouvi um “eu odeio moda, não ligo para isso, não serve para nada”. Compreensível, até eu odeio a moda às vezes, detesto ver pessoas com manequim 36/34 e menos de 60 quilos sendo vistas como padrões de beleza. É difícil se importar com a moda quando se vê coisas assim tão frequentemente, mas é impossível concordar que não serve para nada, pois uma peça de roupa bem usada pode e vai mudar a sua vida algum dia, e do contrário ao menos vai te fazer se sentir melhor, bonito e desejável e por mais que esse pensamento seja puramente psicológico o que você veste vai te dar uma força maior para se sentir como tal.

Encerro a minha estadia aqui no blog com essa declaração de que a moda nada mais é que a adaptação de tendências e necessidades globais que são readaptadas a estilos único, seguidos pela necessidade simples de se sentir melhor consigo mesmo e ainda por cima facilitar o seu cotidiano.

Agradeço a todos que leram meus artigos até hoje, que estão lendo esse nesse momento e aos que ainda vão ler e a mensagem que eu digo é: nunca pare de se preocupar consigo mesmo, de se cuidar e de se importar com o que você veste, acima de tudo isso sempre se lembre que o que realmente importa não é o que as pessoas dizem “estar na moda” mas o que você sente. É aí que surge um estilo e te torna autêntico a ponto do ato de se vestir não ser automático mas sim um momento especial do teu dia onde você quer passar a sua imagem real para o mundo. E não interessa se você quer se vestir que nem a Gaga ou a Nicki Minaj, desde que você ame o que você veste e o que você é, pois através do vestir é que se transmite esses ideais.

Recomendação de filme:

Recomendação de livro: Grace Coddington – A Memoir

Recomendação de música:

 

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O importante é a gente gostar do que está vestindo, e se sentir bem com quem a gente é – Diana Vreeland

1 comentários:

Jéssica Ribeiro disse...

Obrigado por suas sempre certas palavras. Fique bem Guilherme.