8 de fev de 2013

Review: Os entremeios do amor sincero em Loucamente Apaixonados

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por Caio Coletti
(TwitterTumblr)

Em uma análise fria, Like Crazy (pobremente traduzido como Loucamente Apaixonados no Brasil) toma apenas um par de decisões, não mais, que o distanciam do drama romântico convencional que ele poderia se tornar. Mas a mais importante delas acontece no final, e é ela que faz dessa açucarada e deliciosa empreitada de Drake Doremus (Spooner) um filme muito melhor do que ele objetivamente é. Like Crazy se mostra, mais claramente em seu desfecho narrativo, uma piece de resistance, um olhar íntimo, de dentro para fora, de um amor sincero interceptado pelas circunstâncias. Sem deus ex machina ou concessão ao conto de fadas. Ainda que extremamente charmoso e sensível, esse é um filme que por vezes se mostra brutalmente sincero.

A trama é um retrato da relação entre Jacob (Anton Yelchin) e Anna (Felicity Jones). Os dois se encontram na faculdade, onde Jacob estagia como ajudante do professor de Anna, estudante britânica de jornalismo, com visto limitado. Após a moça resolver desobedecer o prazo do visto para ficar mais tempo com Jacob, o casal encontra dificuldades em se reencontrar, uma vez que Anna está impossibilitada de entrar nos EUA por tempo indeterminado. O roteiro de Doremus ao lado do parceiro de longa data Ben York Jones ganha o jogo quando foge de momentos que poderiam saturar o filme em um romance exagerado a la Nicholas Sparks, montando um cenário realista da vida de um casal construído sobre o fundamento da convivência, que de repente se vê separado fisicamente e, cada vez mais, emocionalmente.

Não é que Like Crazy seja um filme pessimista, ou mesmo um filme que não acredita no amor-maior-que-a-vida que todos nós buscamos. O ponto aqui é que o roteiro toma as decisões corretas, e não as mais convenientes. A relação de Jacob e Anna é colocada diante da câmera de Doremus com delicadeza e sentimento ainda maior (e certamente mais sensível) do que a maioria dos romances tradicionais faz. A belíssima fotografia de John Guleserian, conhecido pelo trabalho em séries de TV, brinca com o balanço de cores e com a iluminação, fazendo do filme um trabalho visual integrado com os outros elementos da história.

Doremus faz um trabalho louvável também com os atores. Felicity Jones (A Tempestade) encontra o balanço perfeito para Anna, criando uma personagem delicadamente viva, uma versão nem exagerada, nem suavizada, das reações de um ser humano de verdade nas situações em que a personagem se encontra. Anton Yelchin (Siar Trek), por sua vez, domina Jacob na base de uma expressividade e uma empatia com o espectador que poucos atores jovens, absortos no método rigoroso de criação de personagem como são hoje em dia, conseguem. Na coadjuvância, Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes), Charlie Bewley (A Saga Crepúsculo) e Alex Kingston (Doctor Who) adicionam temperos a uma encenação firmada solenemente na realidade.

Like Crazy pode até ser esperançoso, se você pensar bem, e faz questão de nos fazer pensar no quanto ao nos dar a visão “de dentro”, sem intimidades mastigadas ou sacarose exagerada, da relação dos protagonistas. Nos mostra que, em um mundo cruel como o que separou Jacob e Anna, ainda há beleza o bastante para fazer surgir um amor fundado na aceitação e na admiração, como o deles.

**** (4/5)

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Loucamente Apaixonados (Like Crazy, EUA, 2011)
Direção: Drake Doremus
Roteiro: Drake Doremus e Ben York Jones
Elenco: Anton Yelchin, Felicity Jones, Jennifer Lawrence, Charlie Bewley, Alex Kingston
90 minutos

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