20 de abr de 2013

Review: The Americans, 01x11 – Covert War

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por Caio Coletti
(TwitterTumblr)

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Em “Covert War”, The Americans mostra que é capaz de tomar o tempo para focar-se em um de seus personagens sem necessariamente deixar os outros de lado ou negligenciar o desenvolvimento da trama maior da série (que, em escopo ampliado, é nada menos do que a Guerra Fria, não?). Essa é uma virtude que pode vir muito bem a calhar na vida útil longa da série, e é também uma que produz um tipo de episódio prazeroso de se assistir quando os elementos que o compõem estão funcionando em perfeita afinação. E esse é exatamente o caso aqui.

O 11º episódio dessa temporada de estreia (que fechará trabalhos daqui a duas semanas, no 13º) coloca o holofote sobre a Elizabeth de Keri Russell. Era algo que precisava acontecer, dado que os últimos episódios representaram um término de relação motivado por ela e a morte de seu amante, Gregory, no excelente episódio passado. Aqui, ela é atingida por mais um golpe: uma onda de retaliações praticada pelo FBI atinge o General Zhukov, em Moscou, com quem Elizabeth tem uma relação de amizade (ou de mentor-pupila, talvez) de longa data.

Há um momento excepcional na storyline em que a moça, tendo sequestrado um figurão da CIA para se vingar pelo assassinato do general, é atingida com um soco no estômago verbal pelo homem, preso a uma cadeira em um galpão vazio. “Você se importa com alguma coisa? Você ama a alguém? Alguém te ama?”, ele pergunta, e a expressão de Keri Russell é a de uma mulher desesperada que, assim como o próprio Zhukov revela a ela que se sente no último dos flashbacks, sente falta do que nunca teve. Que procura um sentido na vida guiada pela lealdade, pela recusa a se render, pela aplicação da causa, mas percebe que destruiu o pouco de vida de verdade que tinha em suas mãos. E é mais devastador ainda quando sua tentativa de recuperá-lo encontra uma impossibilidade tão banal de comunicação.

Fora do front do casal Jennings, temos muitas coisas acontecendo aqui: Stan e Sandra tem seu ultimato, o que leva o agente do FBI a querer terminar o relacionamento com Nina. É preciso dizer que tanto a excelente Susan Misner quanto o igualmente brilhante Noah Emmerich roubam momentos do episódio com facilidade. Enquanto isso, quando Elizabeth libera o figurão da CIA, o governo americano (e Stan, em uma cena habilmente filmada para que só descubramos que ele está na sala no último momento) pegam o traço de “um casal de agentes soviéticos”. Por fim, Elizabeth e Claudia não estão nos melhores termos. Com duas semanas para o final, The Americans consegue o feito de esquentar o clima e, ao mesmo tempo, não perder a profundidade.

Ah, e sim, Stan, o seu filho foi a uma reapresentação/teatralização de Rocky Horror e voltou para casa com maquiagem. E não, isso não significa que ele é gay. Mesmo porque, vamos concordar: quem não usava maquiagem nos anos 80?

***** (4,5/5)

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Próximo The Americans: 01x12 – The Oath (24/04)

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