25 de mai de 2013

Cannes 2013: Dia 10 – Polanski, vampiros e curtas brasileiros

Emmanuelle-Seigner-et-Roman-Polanski-le-25-mai-2013-a-Cannes_portrait_w674Roman Polanski e a esposa, Emmanuelle Seigner, na coletiva de Venus in Fur

por Caio Coletti

Prestes a completar 80 anos, Roman Polanski ainda não pode visitar os EUA, mas esteve em Cannes para estrear Venus in Fur, seu novo filme. Depois da polêmica quanto a sua prisão na Suiça, o diretor franco-polonês está concorrendo a Palma de Ouro pela primeira vez desde a vitória por O Pianista, em 2002. Seguindo a tendência de Carnage, que apresentava apenas 4 personagens, Venus in Fur é o primeiro filme falado inteiramente em francês do diretor, e apresenta apenas o casal de protagonistas feito por Emmanuelle Seigner e Mathieu Almaric. Ela é uma atriz que chega atrasada para uma audição e tem que convencer ele, o diretor, que ela é a única e melhor escolha para o papel.

Promovendo o filme junto com a esposa desde 1989, Emmanuelle Seigner (34 anos mais nova), Polanski e seu jeito rabugento conquistaram os repórteres. Ao ser perguntado se teve que “dominar” seus atores, o diretor brincou: “Claro que sim. É um filme sobre dominação. Mas na maior parte do tempo eles gostavam. Pelo menos nunca reclamaram”, disse. A peça para a qual a personagem de Seigner está sendo testada no filme é a homônima ao título, de autoria de Leopold Sacher-Masoch, a quem devemos o termo masoquismo. Modesto, Polanski relembrou a Palma de Ouro por O Pianista: “Apresentei o filme em Cannes e voltei para Paris. No dia da premiação, meu produtor disse que eu devia voltar pra cá. Achei muito estranho, porque já vivi o suficiente para saber que não sei dirigir um filme”, disse. A gente pode argumentar que as evidências cinematográficas te contradizem, Roman.

tildaTom Hiddlestone e Tilda Swinton (de cabelos ao vento) promovem Only Lovers Left Alive

“Ouvimos dizer que podiamos ganhar dinheiro com vampiros”, brincou Jim Jarmusch, cineasta que caminha nos becos escuros do independente americano (e atrai astros para lá) há mais de 30 anos. Only Lovers Left Alive é a nova investida do diretor, justamente sua primeira no gênero vampiresco. No filme, que marca a sexta seleção do diretor para a competição pela Palma de Ouro (nunca ganha), Tom Hiddlestone e Tilda Swinton são um casal de vampiros apaixonados há séculos. O elenco ainda tem Mia Wasikowska, John Hurt e Anton Yelchin. “Para algumas pessoas é um filme de vampiros, para outras um conto de fadas, e para algumas um documentário”, brincou Tilda, enigmática.

Only Lovers Left Alive foi o último filme da competição oficial pela Palma de Ouro exibido ao público de Cannes. Apesar da boa recepção desse e de Venus in Fur, exibido pouco antes, os favoritos nessa reta final da competição seguem sendo o americano Inside Llewyn Davis, dos Irmãos Coen, e o francês La Vie D’Adèle, de Abdellatif Kechiche. Embora sejam os preferidos da crítica, ainda existem boas chances do júri de Steven Spielberg preferir A Touch of Sin, do chinês Zia Zhangke, La Grande Bellezza, do italiano Paolo Sorrentino, Nebraska, do americano Alexander Payne, e até Le Passé, filme francês do iraniano Asghar Faradi.

Dois curtas brasileiros estiveram representando o país em Cannes esse ano. Pátio, de Aly Muritiba (o trecho acima é só um trailer), retrata as atividades de presos no local-título de uma cadeia. Com a câmera colocada atrás da grade, o diretor brinca com o voyeurismo do espectador enquanto os presos jogam futebol e capoeira e tem diálogos sobre a liberdade. Pouco Mais de Um Mês, por sua vez, retrata o cotidiano de um casal que se conhece há pouco tempo, abusando de fotografia e iluminação para mostrar de que forma esse tempo os moldou. A realização de André Novais Teixeira concorre ao prêmio de curtas da Quinzena dos Realizadores.

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