5 de mai de 2013

Estreia: Vicious, a nova sitcom britânica estrelada por Sir Ian McKellen

Vicious-poster

por Caio Coletti
(@EcoCaio)

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Não é mais novidade para ninguém que sitcoms voltaram a estar em alta. As audiências absurdas de séries como How I Met Your Mother, 2 Broke Girls, Two and a Half Men e The Big Bang Theory não dá sinais de cansaço mesmo diversos anos após sua estreia, e a situação de aceitação popular das mesmas lembra aquela dos anos 90, quando Spin City, Seinfeld, Friends e Will & Grace mandavam na televisão americana. No entanto, o clima contemporâneo, a tentativa de trazer o formato peculiar ao gênero para a realidade atual, dessas séries que primeiro citamos, passa longe da nova representante da onda, e talvez a primeira britânica a se destacar no gênero: Vicious é uma sitcom a moda antiga.

E por “sitcom a moda antiga” eu não estou falando da concentração da trama em um ou dois cenários, nas “risadas enlatadas” (esse é, traduzido literalmente, o termo dos americanos: canned laughs) que soam a cada piada, como se um público de verdade estivesse rindo no auditório. Essas características formais são mais ou menos obedecidas também por HIMYM, 2 Broke Girls e as outras que citamos aí em cima. A diferença de Vicious é tanto o tema de que trata quanto a estrutura de diálogos e narrativa que perpetua. A relação antagonizante e ao mesmo tempo afetuosa entre os protagonistas é uma convenção de sitcom que é saborosa e satisfatória de assistir nas mãos de quem está.

Esse é o segredo de Vicious, afinal. É uma série que poderia muito bem caber nos anos 90 (não seria nem a primeira sitcom com temática gay, vide Will & Grace), e tem uma galeria de personagens e atores que fazem muito mais fácil se divertir com o que se está assistindo. Sir Ian McKellen e Sir Derek Jacobi são os protagonistas, e é raro ver uma dupla tão consagrada no teatro e no cinema (seirously, Sir Ian é o Gandalf, meu povo! e Sir Derek é simplesmente o primeiro The Master de Doctor Who!) abraçarem um projeto televisivo. Os dois não são só ícones da dramaturgia britânica, não são apenas cavaleiros da Ordem Britânica: são dois pioneiros da luta pelo direito homossexual no meio artístico, e é obviamente delicioso para essa fatia do público vê-los nesses papeis.

Como o casal de quase 50 anos de relacionamento que protagoniza a série, Ian e Derek são donos dos melhores diálogos (“I’m surprised you could see it through the mily film that coats your cataracts” “What exactly have you done with your life? Bit parts in rep and one episode of Doctor Who?”). Mas ainda sobra boas sacadas para os coadjuvante sensacionais que a série reuniu: Frances De La Tour, a própria Madame Maxime de O Cálice de Fogo, como a amiga do casal (“Has anybody ever said you remind them of Zac Efron? That’s a person, right? Or is it a place?”); Marcia Warren como a sonolenta Penelope (“Chinese people are very quiet”); e até o galãzinho pescado de Misfists, Iwan Rheon (“Your hand is really high up my thigh”).

Vicious quer nos lembrar que, embora os elementos extras de nostalgia (HIMYM), esperteza crítica (2 Broke Girls) e referência pop (The Big Bang Theory) não sejam pecados, uma sitcom é definida principalmente pela capacidade de fazer rir e pelos personagens que reúne. E afirma que, analisada assim, é uma das estreias mais sensacionais do ano.

vicious

Próximo Vicious: 01x02 (06/05)

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