30 de mai de 2013

Review: A polêmica (para os fãs de quadrinhos ou não) de Homem de Ferro 3

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ATENÇÃO: esses reviews contem spoilers!

por Gabryel Previtale
(@gabryel55)

O leigo dos quadrinhos, eu (que não sou tão leigo assim, digamos que não compartilho das milhões de histórias e personagens existentes da Marvel e etc), irei dar meu parecer do filme Homem de ferro 3.

De início deixo claro que não espero muita coisa de filmes da Marvel além de entretenimento no geral, e pra chutar o balde de vez o Tony Stark não é nem de longe meu herói favorito. Mas diferenças a parte vamos aos pontos bons e ruins do filme em si. Bom, pelo que percebi nesta terceira adaptação para os cinemas do Homem de ferro, o longa focou em certa regressão de Tony, regredir no aspecto de ter só sua inteligência como arma, “humanizar” mais o herói e deixar ele sem muitos elementos de combate e sem seus superitens tecnológicos e milhões de dólares. Tem muita gente dizendo por aí que o filme tem a receita clonada de Batman, mesmo enredo, mesmo estereótipos de vilão, de mocinha, de herói e etc. Sinceramente, eu gosto muito mais de Batman, mas não achei “clonado” (claro que tem coisas parecidas, porém não me incomodou e nem se fez menos do filme por isso, pelo contrário, como eu adoro Batman tudo que se “parecer” com ele, vou gostar também). Daí existem alguns fatores que eu gostei muito e em contrapartida coisas que odiei.

O filme começa com um flashback de Stark em 1999 em uma festa de Réveillon onde é bem óbvia a marcação do futuro vilão e a aparição de Dr. Wu, que apareceu por 4 segundos e eu não entendi o porquê (talvez quem seja fã dos quadrinhos saiba) e da cientista nerd que era pra ser feia, no entanto não é nem um pouco feia. Nesta festa nasce o vilão do filme, Aldrich Killian, que é rejeitado/leva um bolo do Stark. A premissa é interessante, por dar valor ao “anonimato”, Killian percebe que é mais vantajoso viver sem que as pessoas soubessem quem ele é, ao contrario do nosso herói. O vilão segue financiando projetos terroristas com a cientista até chegar ao Extremis, que faz com que as pessoas explodam e se regenerem. Acho que não é nessa ordem, mas o fato é que eu achei original. Aí o filme não tem reviravolta nenhuma porque todo mundo sabe quem vai ser o vilão, até entrar o Mandarim na historia, que sinceramente deve ter deixado os fãs de HQ’s emputecidos de raiva, uma vez que o Mandarim no filme é um ator, criado por Killian para amedrontar os EUA e nos quadrinhos ele realmente é um vilão bem foda (pelo que me disseram).

Sinceramente, pra mim não mudou muita coisa, achei meio óbvio também, mas original para o cinema ao mesmo tempo e bom para a proposta do longa (digo óbvio porque logo no começo eu já tinha sacado que o Mandarim possivelmente era uma invenção). Mas aí está o pulo do gato, minha gente! Um filme norte americano jogar na cara da sociedade que o país precisa de um vilão, precisa de uma mira e ainda mais que ele precisa ser combatido pelas forças supremas dos EUA (o Patriota no caso, amigo do Stark, meio que um auxiliar) fez a premissa ficar mais sensacional ainda. Achei boa essa mudança para o filme porque, primeiro, bate mais com a proposta do filme que é muito calcada na realidade, temas políticos, tráfico de armas, poder, dinheiro e etc, e ao mesmo tempo reflete temas atuais que os EUA vêm sofrendo. E as cenas de ação não vou nem comentar porque são realmente muito, mais muito boas mesmo, muito caprichadas (a do avião, nossa).

Agora vou falar do que eu não gostei: o filme é tão bom nas cenas de ação que os buracos de roteiro ficaram quase que imperceptíveis, quer dizer “quem liga se a historia faz sentido quando se tem robôs voando e atirando bombas”. News flash: eu ligo. Ouvi gente dizendo que não gostou da participação de uma criança que ajuda Stark em uma grande etapa do filme, eu não liguei, achei até bom essa aproximação dele com o “publico infantil” até porque né, gente, é um filme de herói, não é só pra nerds com 20 e tantos anos. Mas me incomodou demais o humor excessivo e desnecessário do Tony com a criança e com o resto do elenco, eu não achei graça; na verdade quebrava a cena que podia ser legal com uma piada ridícula. Eu virava o olho no cinema e pensava: “BITCH SAY WHAT?”. Outro ponto, no inicio do filme a cientista bonitinha vai para a casa de Stark quando a mesma é bombardeada: ora, a cientista estava junto de Killian, o vilão, portanto sabia que iam derrubar a casa que ia explodir tudo ali, e porque mesmo assim ela foi? Pra se suicidar? E pra falar a verdade nem sei como ela sobreviveu, já que só a Pepper usava a armadura (falando nisso adorei a Pepper, achei ela bem boa no filme). Daí o lance do Extremis que faz as pessoas explodirem, mas em certa parte do filme o povo infectado com esse experimento viram uns X-Men, meio que faltou uma explicação, como eles passaram a controlar esses “poderes”? Ficou meio vago aí. Outro ponto: o Tony parece chamar a armadura em certos momentos que a gente achava que ele não podia ou não tinha mais armadura de ferro, digo, se ele podia ter feito isso, porque não o fez antes?

Fez-me desgostar mais do filme a cena bem no final em que Tony deixa a Pepper cair e choca a todos dando a impressão que ela morreu, mas logo em seguida ela sobrevive e etc. Sei que ela é uma personagem importante, mas a cena foi tão boa, que se ela de fato tivesse morrido ia agregar bastante ao filme, principalmente em enredo. O ajudante dele, o Patriota, é bem vago também, quando mais se precisou dele, ele não estava com a armadura, ela passou maior parte do tempo “vazia”. A cena em que Tony chama os outros 42 homens de ferro, era para ser algo sensacional: achei mal aproveitada, não levantou quase nada o clima no filme. No final ele faz uma micro-operação no tórax para retirar aquele circulo de energia que Stark possuía, também não entendi: se era tão fácil porque não fez antes? Talvez quem seja fã do herói saiba melhor responder essas duvidas do que eu, mas, diga-se de passagem, o filme não é só para os fãs.

por Marlon Rosa
(@Marlon_r)

Vai ver Homem de Ferro 3 nos próximos dias? Então fique com esses três conselhos:

1. Esqueça a coerência com o primeiro filme do Homem de Ferro.

2. Se você acompanha ou já acompanhou Homem de Ferro nos quadrinhos, esqueça o Mandarim que você conhece.

3. Costuma prestar atenção em roteiros? Bom, dessa vez talvez você tenha que dar uma relevada.

Falando assim, até parece que o filme é ruim, mas não, o filme é até bom, ouso dizer que é o melhor da trilogia. Tony Stark ainda continua sendo aquele Tony Stark que a gente conhece, só que agora com crises de ansiedade devido aos eventos ocorridos no filme d’Os Vingadores. Ele também está muito mais humano, e preocupado com a vida das pessoas que ama, o que se resume a Pepper Pots (que na minha opinião foi a que mais brilha em todo filme).

O filme tem as melhores sequências de ação que eu já vi na vida - ainda estou com a do avião na cabeça <3 – cenas estas que fazem com que as falhas de roteiro possam ser deixadas um pouco de lado.

Como fã de quadrinhos, o filme realmente não foi feito pra mim por um único motivo: o vilão que eles apresentam no filme e nos cartazes, é um dos maiores vilões da Marvel, e um dos que mais deu trabalho ao Homem de Ferro. A forma como trouxeram ele no filme é até legal e uma boa sacada em prol da ambientação para os dias de hoje (vocês irão entender ao assistir o filme), mas, ao meu ver, não compensa fazer essa adaptação em troca de um ótimo Mandarim que Ben Kingsley teria sido. É a mesma coisa que tirar todo vilanismo e poder mutante do Magneto e fazer dele apenas um rosto e/ou uma bandeira para que os mutantes se escondam atrás pelos seus atos terroristas.

A conclusão a que se chega, é que o filme foi feito para quem conheceu o Homem de Ferro nos cinemas, não nos quadrinhos, esses sim vão encontrar uma sequência a altura de suas expectativas, porque as minhas foram massacradas a cada minuto do filme.

original

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, EUA/China, 2013)
Direção: Shane Black
Roteiro: Drew Pearce, Shane Black
Elenco: Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Guy Pearce, Rebecca Hall, Jon Favreau, Ben Kingsley, William Sadler
130 minutos

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