2 de jun de 2013

Review: Da Vinci’s Demons, 01x07 – The Hierophant

DaVinci's Demons, 2013

por Caio Coletti

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Da Vinci’s Demons é um drama dos mais bem construídos da televisão mundial na atualidade. No curso das últimas sete semanas, passamos a conchecer esses personagens e, sem quase nenhuma turbulência pelo caminho, a série nos mostrou que tem uma visão clara para a trajetória dos mesmos dentro de uma estrutura serializada. Nesse novo “The Hierophant”, que sucede o primeiro break de uma semana na série até hoje e precede o season finale (“The Lovers”), na semana que vem, os segredos que a série manteve brilhantemente durante a temporada começam a se revelar. E, ao que tudo indica, teremos aqui o tipo de final de temporada que consegue empolgar, tocar e mudar o jogo de uma série, tudo ao mesmo tempo.

A palavra “hierophant” vem do grego, significando “aquele que mostra o sagrado”. Na leitura do tarô tradicional (do qual Da Vinci’s Demons tem emprestado os títulos de todos os episódios até agora), o Hierophant é algumas vezes chamado de O Papa. Não a toa, nesse sétimo episódio, vemos Leonardo lutando para descobrir um jeito de invadir os aposentos do Papa Sixto, presumindo que a segunda chave para o Book of Leaves está dentro dos Arquivos Secretos do Vaticano. Essa é uma hipótese que o espectador sabe ser falsa, uma vez que semanas atrás vimos que Riario carrega a chave consigo no pescoço, mas o plot consegue entreter com, entre outras coisas, a interação entre Da Vinci e o Papa, o traje submarino primitivo do mestre florentino, e a aparição de artefatos como a Lança do Destino no subsolo dos Arquivos.

A invasão do Maestro ao Vaticano também serve ao propósito de fazê-lo descobrir a verdadeira identidade de Lucrezia, ao encontrar o homem que vimos em “The Prisoner” dialogando com Riario e descobrir que se trata de ninguém menos do que o pai da amante de Lorenzo. Leo liga os pontos e conclui o que sabemos desde o começo da temporada, convenientemente ao mesmo tempo que Giuliano chega a mesma conclusão (voltamos a isso já já). É interessante que a série tenha escondido a motivação de Lucrezia até perto do final da temporada, e a interpretação sensível de Laura Haddock ajuda a construir a moça, finalmente, como uma personagem tão complexa quanto seus companheiros de série.

Uma pena que Da Vinci’s utilize-se de um recurso ligeiramente prevísivel (e, talvez ainda pior, um tanto barato) ao desenvolver o personagem de Giuliano às pressas nas últimas semanas e então provavelmente enviá-lo para a morte nas mãos de Lucrezia, como vemos nas últimas cenas de “The Hierophant”. O lado bom é que o roteiro de Sarah Goldfinger e Corey Reed estrutura o arco do personagem de uma forma que sua jornada parece a grosso modo completa quando o punhal de Lucrezia o atinge.

Num episódio em que temos Riario amarrado a uma árvore e prometendo vingança caso Da Vinci lhe roube a chave (o que ele obviamente faz, em uma cena que é uma absurda e deliciosa batalha entre as performances afiadas de Blake Ritson e Tom Riley) e aquela velha sensação de final de temporada de que não importa quantas perguntas forem respondidas, mais algumas surgirão, Da Vinci’s passa por cima de uma direção um pouco insegura de Michael J. Bassett para entregar um episódio cuja missão é obviamente preparar o terreno para a insanidade em forma de finale que veremos semana que vem. Missão cumprida, diga-se de passagem.

***** (5/5)

DaVinci.1.07.02

Próximo Da Vinci’s Demons: 01x08 – The Lovers (SEASON FINALE)

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