1 de jul de 2013

Review: Family Tree, 01x07 – Indians

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por Caio Coletti

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Uma das muitas qualidades pouco apreciadas de Family Tree é a mistura de culturas e conceitos que Christopher Guest e Jim Piddock vem empreendendo, e o tratamento igualmente cínico, contemporâneo e sentimental que os escritores dão a cada uma delas. Cada personagem de Family Tree tem vícios extremamente aparentes e virtudes muito sutis, e embora a série tire risadas desses primeiros, é ao expor-nos tão subliminarmente aos últimos que ganha o jogo. Nas últimas semanas, Tom Chadwick descobriu que tem sangue americano, flertou com uma descendência indígena e descobriu que tem antepassados judeus. “Eu ainda me sinto um pouco índio. Mazel tov!” é provavelmente a frase que melhor define o tratamento que Family Tree deu a essa confusão toda.

Talvez seja porque a série nunca pedeu o foco nessas últimas sete semanas. Quanto mais longe Guest e Piddock vão para encontrar novas personas para causar efeitos cômicos (a balconista do Departamento de Registros é a nossa preferida nesse episódio), mais concentrados na questão da identidade e na reconstrução de vida de seu protagonista eles parecem estar. Em “Indians”, Tom parte para o território da tribo Mojave americana, com esperanças de encontrar pistas da mulher nativo-americana que, aparentemente, é sua tataravó, por quem Harry Chadwick fugiu para a Inglaterra. No entanto, também o vemos tendo o primeiro encontro com a americana que ele conheceu em “Civil War”, a adorável Ally (Amy Seimetz), em uma cena adequada e docemente constrangedora.

Em “Indians”, temos também a chegada de Bea e Pete a Los Angeles, e a surpreendente revelação de que a irmã de Tom nutre uma paixão secreta (até para si mesma!) pelo melhor amigo dele. A interação entre os dois não parece forçada porque Guest e Piddock não tentam conjurar um relacionamento do nada: são sutis e moderados, tendo a consciência de que o espectador se sente mal quando cai de para-quedas em um relacionamento que nem mesmo existia antes de alguém na série mencioná-lo. Nina Conti continua brilhante no papel de Bea, talvez a melhor coisa de Family Tree, mas destaque vale também para O’Dowd, que tem achado o ponto exato do personagem e conseguido emocionar em cada monólogo na pele de Tom. Eles são o centro e as maiores virtudes de Family Tree.

***** (4,5/5)

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Próximo Family Tree: 01x08 – Cowboys (07/07)

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