20 de set de 2013

Review: “Círculo de Fogo” e a união pelo bem maior

245941id1b_PacRim_1sided_120x180_2p_400.indd

A internet parece ter um novo amor. No estranho mundo dos fandoms, nunca se sabe qual será a próxima febre que dominará o Tumblr e outras redes sociais pelas semanas vindouras. Após o inusitado acolhimento da violenta Hannibal, cá se encontra outro choque: a atual cisma é nada menos que um filme sobre robôs gigantes lutando contra aliens igualmente enormes. Círculo de Fogo, dirigido pelo aclamado Guillermo del Toro, é uma homenagem a produções como Godzilla e Ultraman. Mas o que será que o longa-metragem tem de tão bom a ponto de criar uma legião de adoradores?

Diversão é a palavra-chave. Apesar das fortes emoções que envolvem os personagens, Círculo de Fogo realiza o que se propõe sem aparente esforço, agradando não só fãs de suas inspirações ou os amantes de ficção científica, mas também os sedentos por uma boa dose de entretenimento. Alienígenas surgiram de uma ruptura no fundo do Pacífico, forçando uma busca dos terráqueos por uma defesa contra os monstros. Tal mecanismo foi encontrado nos Jaegers, robôs pilotados por humanos que dividem uma conexão cerebral para lutar contra os Kaijus. E no que pode ser descrito como um orgasmo de efeitos visuais, Del Toro lidera uma aventura inesquecível.

O inteligente roteiro, parceria de Travis Beacham e Guillermo, sabe bem o que faz. O ritmo, que oscila entre ação e emoção, consegue prender o espectador quase que imediatamente, mostrando a que veio logo nos primeiros segundos. E é impossível não se importar com os personagens da trama, mesmo que alguns não tenham tanto destaque. Também é necessário apontar que a história não gira em torno de um país magnânimo que soluciona todos os problemas sem precisar de ninguém; precisamente o contrário, sendo que a própria tecnologia Jaeger não foi criação norte-americana. É lindo de ver, de forma literal. Todo o trabalho visual só precisa de um comentário: Oscar de fotografia e efeitos especiais, por favor.

Charlie Hunnam, estrela da ótima Sons of Anarchy (e quem assiste a série do FX sabe o quão bem o moço atua), cumpre seu papel de herói devidamente com seu grande carisma e físico. Apesar de Raleigh Beckett não exigir tanto do ator, Hunnam consegue manter-se grande de qualquer forma, sendo adorável quando necessário e chutando bundas com maestria, tanto dentro quanto fora do Jaeger. Tais características também se aplicam a indicada ao Oscar Rinko Kikuchi, intérprete da aparentemente frágil Mako Mori, cuja face jovial lhe serve como grande trunfo ao quebrar a primeira impressão que o público tem de sua personagem. Mas quem realmente rouba a cena é Idris Elba e seu Stacker Pentecost. A já imponente figura do ator parece exalar autoridade, dominando as atenções sempre que se encontra no quadro. Além disso, uma faceta não muito vista nos trabalhos de Elba se mostra nas expressões duras do Marechal, provando a versatilidade de sua atuação, que vem conquistando seu merecido espaço em grandes produções hollywoodianas. Charlie Day, Burn Gorman e Max Martini precisam ser mencionados também, visto que fazem parte de um fortíssimo elenco de apoio.

Outro destaque aqui é a belíssima trilha sonora composta por Ramin Djawadi: embora por vezes ofuscada devido à constante ação na tela, as faixas fazem seu trabalho de forma brilhante, explicitando emoções e complementando cenas de luta que definitivamente não seriam as mesmas sem o ótimo trabalho de Djawadi. Alternando o uso de guitarras para animar e vozes unindo-se à orquestra quando um ar mais sério se faz necessário, não é exagero dizer que Ramin, que assina as composições de Game of Thrones, criou uma das trilhas sonoras mais interessantes do ano. A música-tema, “Pacific Rim”, que pode ser ouvida diversas partes do longa, sintetiza toda a empolgação e badassery presentes em Círculo de Fogo. Cá fica a esperança, mais uma vez, de que a Academia reconheça seus méritos.

A moral da divertida saga comandada por Del Toro é clara: a salvação do mundo não está nas mãos de um país, e sim na união entre eles. E dando esta belíssima lição, o mexicano entrega um dos melhores filmes do ano e o que talvez seja o mais divertido de 2013. Definitivamente duas horas da sua vida que não serão desperdiçadas.

PACIFIC RIM

Círculo de Fogo (Pacific Rim, EUA, 2013)
Direção: Guillermo Del Toro
Roteiro: Travis Beacham e Guillermo Del Toro
Elenco: Charlie Hunnan, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Maz Martini, Ron Perlman
131 minutos

Samela

0 comentários: