6 de set de 2013

Review: Wilfred, 03x13 – Regrets (SEASON FINALE)

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Em todas as melhores temporadas de televisão, as mais sutis escolhas de roteiro e estrutura se revelam, no final da corrida de 13 (ou 12, ou 22, ou 24, etc) episódios do ano, essenciais para aquilo que a série escolheu dizer sobre seus personagens e sobre si mesma nessa fatia de sua vida. A terceira temporada de Wilfred pode não ser uma das mais geniais produzidas na história da mídia televisiva, mas com certeza é uma das melhores da mid-season de 2013. Ponto em questão: a forma como os roteiristas escolheram segurar a escala grandiosa que a série adiquiriu no segundo ano e focar quase exclusivamente no ambiente doméstico, e fundamentalmente na relação entre Ryan e Wilfred. Em “Regrets”, o season finale, essa escolha se mostra fundamental.

Em um ponto crucial do episódio, lá pelos 15 minutos, o pai de Ryan, interpretado com a anbiguidade (e a voz mansa) sempre hábil de James Remar, mostra ao filho imagens que fez dele conversando com o cachorro. As câmeras foram instaladas pela ex-colega de quarto do moço, Anne (bela forma de trazer Kristen Schaal de volta!) sem que ele soubesse, a mando do pai, e é óbvio que Ryan está furioso. Seu maior segredo foi exposto, e justamente para os olhos daquele cujo julgamento ele mais teme. A sentença vem implacável: “Eu estou preocupado que se isso continuar você vai acabar prejudicando alguém seriamente. O cachorro, você mesmo. E isso me faz achar que você não está em posição de fazer boas escolhas para si”. Em outro momento, a irmã de Ryan define a vida do moço como “claustrofóbica”. Em mais um, Jenna nota que toda a rotina de Ryan gira em torno de Wilfred e dela.

Nós, espectadores, queremos discordar, mas a série gradualmente construiu o mundo dessa terceira temporada de forma que se tornou impossível fazê-lo. Ao não perder de vista nunca que Ryan tem sérios problemas psicológicos e ao prendê-lo a uma vida que realmente gira em torno de umas poucas pessoas por quem ele parece doentemente fascinado, Wilfred fez com que esse julgamento final do seu protagonista fosse estranhamente desesperador e revoltante – não porque é injusto, mas exatamente porque é verdadeiro. Talvez por isso a série desacelere um pouco na comédia e no ritmo da narrativa em geral nesse finale: não dá para fugir do fato de que “Regrets” é um episódio bastante triste. Uma característica especialmente sublinhada nas belas performances de Elijah Wood, Fiona Gubelmann e, surpresa, Mary Steenburgen, que finalmente resolveu deixar de ser uma caricatura e liberar seus consideráveis talentos interpretativos.

O episódio não tem exatamente uma storyline, se estruturando mais como uma amarração de pontas da trama. Temos as consequencias do beijo entre Ryan e Jenna, com a moça decidindo se manter lonje do vizinho e inclusive tirando dele a responsabilidade de cuidar de Wilfred. Temos Ryan flertando com a possibilidade de aceitar uma proposta de trabalho de seu pai, que supostamente quer criar uma divisão pro bono na firma de advogados. E, lá perto do final, temos a mitologia da série revelando uma resposta para em seguida levar a outra pergunta, o que é um procedimento já esperado de Wilfred. Não importa o quanto queira falar sério (e consiga) quando se trata de seus personagens, a série ainda não perdeu a presença de espírito de brincar com seus próprios ostentosos mistérios.

***** (5/5) – nota do finale
***** (4,5/5) – nota da temporada

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A quarta temporada de Wilfred ainda não foi confirmada pela FX, mas o presidente da emissora John Landgraf se disse “muito otimista” quanto a possibilidade de renovação.

Caio

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