18 de out de 2013

Estreia: Game of Thrones pra fãs de Teen Wolf – a encantadora Reign, da CW

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

A série mais popular do canal americano CW fala muito sobre a emissora: The Vampire Diaries é a adaptação de uma série de novelas que gira em torno do triângulo amoroso entre a humana Elena e os vampiros Stefan e Damon. Com um visual polido até demais e essa abordagem adolescente dos temas, a CW (que também tem sucessos em Supernatural, Gossip Girl e Beauty and The Beast) resolveu entrar no filão das séries de época na temporada 2013, e o resultado não poderia ser outro além de Reign. Pouco realmente surpreende na abordagem do canal ao tema, mas por outro lado essa combinação de Game of Thrones com Teen Wolf (dois exemplos de muitos que poderia usar) é inesperadamente charmosa.

Nós já vimos uma abordagem adolescente da Corte francesa antes, e o resultado foi o encantador Maria Antonieta de Sofia Coppola. É muito satisfatório observar que os criadores de Reign assistiram o filme da filha de Francis Ford e tomaram devidas notas: a série chega nessa estreia colocando pequenas pitadas de modernidade na vida real, construindo seus personagens com uma mentalidade quase contemporânea e refletindo dessa forma na própria natureza dessa mentalidade. É tão fácil se identificar com a fugacidade das paixões e a impulsividade dos atos dos protagonistas de Reign que o roteiro, espertamente, jamais passa perto de parecer descuidado ou simplista. É só uma história de amor século XXI, em pleno século XVI.

Reign é a história mais ou menos fiel aos livros didáticos da Rainha Mary da Escócia, que por breves momentos reinou na França ao se casar com o Rei Francis II, a quem era prometida desde muito jovem. Quando a encontramos nesse primeiro episódio, Mary (Adelaide Kane, de Teen Wolf) está saindo do convento onde foi criada para se juntar a Francis (o charmoso Toby Regbo) no palácio enquanto as preparações para seu casamento estão sendo acertadas. No caminho de Mary, no entanto, está a Rainha Catherine (Megan Follows), mãe de Francis, que se consulta com o adivinho Nostradamus (Rossif Sutherland, meio-irmão do Kiefer) e recebe dele a previsão de que Mary irá trazer má fortuna e a morte ao seu filho e futuro rei. Também impedindo o amor dos pombinhos está a firme convicção de Francis de que a aliança com a Escócia não irá trazer boas perspectivas para seu país.

Reign é mais charmosa quando se concentra no casal principal e no peculiar dilema que eles enfrentam, tendo que pensar por sí próprios e por seus países ao mesmo tempo. Ajuda que Adelaide Kane e Toby Regbo tenham uma química doce trabalhando a seu favor, tanto que é fácil apostar que nas próximas semanas, quanto mais a série se concentrar nos dois, deixando algumas distrações para lá, melhor – o interesse o irmão bastardo de Francis em Mary é uma subtrama particularmente formulaica, assim como o da amante do futuro rei, embora esta última tenha a vantagem de ser bem vendida pelos atores centrais. Embora venha populada de personagens variadamente interessantes, Reign precisa fixar que sua força está justamente na contradição moderno/clássico, e nos personagens jovens.

A direção nesse primeiro episódio fica por conta de Brad Silberling (Desventuras em Série), e por isso ganha pontos em termos de encenação e fotografia, criando uma identidade bem coesa e um ritmo bem definido, acelerado sem ser exageradamente frenético. O roteiro de Laurie McCarthy (Ghost Whisperer) e Stephanie Sengupta (Hawaii Five-O) joga muito mais plot nessa primeira hora da série do que seria estritamente necessário, mas ao menos todas as cartas estão na mesa, o que inclui um potencial affair de uma das amigas de Mary com o próprio rei, um misterioso estranho que ajuda a protagonista a não cair em uma trama armada pela rainha Catherine, e mais alguns detalhes.

No final das contas, Reign é um encanto de se assistir. Poucas vezes nos últimos anos os affairs adolescentes tiveram uma ambientação tão charmosa, e uma desculpa tão boa para até os cultos esnobes se deliciarem com seus prazeres. Afinal, isso tudo é História. I see what you did there, CW.

Observações adicionais:

- Além do casal principal, talvez o único destaque em termos de atuação seja uma surpreendente e intensa Anna Popplewell (a Susan de Narnia) como uma das amigas da futura rainha. É a única coadjuvante em que o espectador imediatamente investe alguma emoção, mesmo que ela seja pena.

**** (4/5)

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Próximo Reign: 01x02 – Snakes in the Garden (24/10)

Caio

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