17 de out de 2013

Review: Person of Interest, 03x04 – Reasonable Doubt

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Uma questão paira sobre o Person of Interest dessa semana: essa série é uma thriller moral? E, ainda mais preocupante, é um thriller moralista?  Com sua eterna dúvida sobre a natureza dos números recolhidos pela máquina com os quais Reese e Finch trabalham (a dualidade “victim or perpretator” está presente até na narração de abertura), seu retrato escuso da modernidade tecnológica e sua visão periférica da paranóia pós-11 de Setembro, as águas da definição moral são território inevitável para Person, mas de que forma ela as navega? “Reasonable Doubt” faz um bom argumento para mostrar que é justamente nas ambiguidades que a série encontra seu caminho nesse dilema.

Trata-se de um episódio inteiramente focado no caso da semana, o que coloca peso sobre os ombros de Melissa Scrivner-Love, em seu terceiro crédito na série. O jeito que a moça encontrou para lidar com tudo isso aparece numa série de dispositivos de plot gerados para causar interesse e manter o volume de narrativa necessário para formar uma hora de boa televisão. Não dá para negar que ela consegue, deixando o espectador pendurado nos mais recentes desenvolvimentos de trama e cortando o máximo que pode da exposição e repetição irritantes de Person em favor de mais reviravolta. Em um episódio abastecido pela dúvida em relação ao número enviado pela máquina, é notável que o final encontre um determinismo tão diferente, uma lógica “hands off the deck” que é inédita para Person e mostra inteligência ao lidar com o jogo de xadrez moral.

Pra tentar esclarecer mais, vamos a trama: a guest star da semana é a boa Kathleen Rose Perkins, conhecida dos fãs de Episodes, na pele de uma ex-advogada da promotoria nova-iorquina que é acusada de assassinar o marido, um advogado de defesa (!) conhecido por encontrar brechas na lei e livrar criminosos notórios da prisão (!!). Ela escapa das mãos da polícia, contata um traficante de drogas que ela mesma ajudou a tirar da cadeia e planta a “mercadoria” conseguida com ele em uma testemunha, procurando descreditar a acusação contra ela. No entanto, jura ser inocente. Conforme Reese, Finch, Carter, Fusco e Shaw colocam suas melhores habilidades no caso de desvendar as idas e vindas dessa trama de casal, “Reasonable Doubt” vai se estruturando como um jogo de gato e rato entre verdade e mentira.

Os 40 minutos de episódio são excitantes, e o final não decepciona. Descobrimos que a personagem de Perkins na verdade ajudou o marido a fingir sua própria morte, mas não esperava que ele tentasse a acusar do “assassinato”, com o objetivo de limpar a conta beneficente que o casal tinha juntos e fugir com a amante, também melhor amiga da esposa. Esses dois personagens traiçoeiros acabam juntos no mesmo lugar que armaram seu plano, armas apontadas mutuamente, e não dá para discordar de Reese quando ele diz: “Eu estou no negócio  de impedir coisas ruins de acontecerem. Eu não tenho certeza que o que vai acontecer aqui é ruim”. Assim, Person destrói qualquer acusação de determinismo moral ao mostrar que, às vezes, ninguém realmente merece ser salvo.

Observações adicionais:

- Paul Ben-Victor está a bordo como um Detetive da NYPD. A gente e mais meia dúzia de fãs de Everybody Hates Chris gosta de ver que ele continua empregado.

- Ah, sim. E o tal parceiro de Carter é mesmo alguém contratado pelo pessoal da HR para observar a Detetive de perto. O que meio tira um pouco da graça de ver Taraji Henson fazendo o papel de mentora.

- Por outro lado, Taraji fotografa muito bem nas sombras, com um chapéu de policial escurecendo uma parte de seu rosto (demonstração aí embaixo). Quase desejei que ela estivesse no elenco do próximo Sin City.

- Sobre a cena de abertura: Bear rules this shit! E qualquer oportunidade para ver Michael Emerson realmente constrangido ao entregar uma linha de diálogo é bem-vinda.

**** (4/5)

Person of Interest

Próximo Person of Interest: 03x05 – Razgovor (22/10)

Caio

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