31 de out de 2013

Review: Person of Interest, 03x06 – Mors Praematura

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Um dos toques mais cruéis da própria premissa de Person of Interest é que, como uma espécie de divindade que já foi fabulada de ser, a máquina milagrosa de Mr. Finch nunca alimenta aqueles que trabalham em função dela com informações completas. Isso vale para o governo, para a dupla de autônomos que é a estrela da série, e até para a própria Root, cuja noção de privilégio por lidar diretamente com a voz da máquina aos poucos vai se mostrando cada vez mais um delírio. Talvez não seja on point chamar a série de alegoria religiosa, mas em termos de análise social é curioso que Person se preocupe tanto em deixar seus personagens no escuro. Se não é um reflexo da condição do homem em relação a Deus, talvez o seja em relação ao mundo contemporâneo.

“Mors Praematura” acaba destacando esse aspecto de Person acima de alguns outros, uma vez que apresenta duas tramas convergentes que só o são claramente para o espectador, esse sim o guiado onisciente das maquinações da maravilha tecnológica inventada por Finch. A primeira pode ser classificada como a “trama da semana”: Finch e Reese estão atrás de Timothy Sloan (Kirk Acevedo, hello Fringe fans!), um detetive particular especializado em encontrar parentes próximos de pessoas que morreram sem deixar testamentos, e que passa as noites investigando o caso do irmão adotivo, cuja morte foi creditada a uma overdose de heroína, procurando evidências de que na verdade se tratou de um assassinato. Paralelamente, Root sequestra Shaw e ganha a confiança temporária dela para guiá-la em uma peculiar jornada que leva a personagem de Amy Acker a ser aprisionada pela CIA, com Shaw se passando por sua agente de custódia.

A desconfiança de Person com as organizações oficiais perdura, mas ninguém está imune ao olho vigilante da máquina (e do espectador), e quando descobrimos que o irmão de Sloan está bem vivo e preso pela agência após se entregar de boa vontade, as outras forças que querem encontrá-lo não são exatamente benignas. Jason, o dito irmão, esteve envolvido com o grupo Vigilance, os vingadores tecnológicos comandados por Leslie Odom Jr que ficamos conhecendo algumas semanas atrás. Os pontos se conectam finalmente quando a cela na qual Root está aprisionada é localizada exatamente ao lado da de Jason. Quando a personagem de Amy Acker o ajuda a escapar das mãos dos “dois lados” que o querem, fica claro que nessa terceira temporada a máquina é uma manipuladora de fantoches com um objetivo desconhecido. Em meio a um ano com tantos vilões, ela pode ser o maior deles.

A terceira subtrama do episódio envolve o conto moral do Officer Laskey aprendendo que o que a HR vai exigir dele não está exatamente dentro dos seus ideais de lealdade. Como o Officer Simmons de Robert John Burke voluntariosamente explica, não é sobre fidelidade, e sim sobre medo. Person ensaia assim a transformação do personagem do aprendiz de Carter em um homem completamente diferente devido ao jogo duplo que a policial está o obrigado a jogar. É mais um habitante incerto dos próprios limites de “certo” ou “errado” que Person coloca em suas fileiras. Ajuda que Brian Wiles seja muito melhor em vender isso do que o ato do falso inocente, e que o elenco aqui esteja em estado de graça. Contaminada pela energia e inabalável confiança de Amy Acker como Root, Sarah Shahi entrega uma de suas melhores performances na série até o momento, contracenando com Acker de igual para igual.

Jim Caviezel também é dado mais para fazer do que o de costume, nas pequenas cenas que sublinham a relação de Finch e Reese enquanto os dois estão em missões separadas. É nesses momentos que Kirk Acevedo funciona bem como um “parceiro temporário” para Finch, embora em outros momentos mais densos da trama a performance do moço não exatamente satisfaça. Escrito por Dan Dietz, em seu terceiro episódio na série, “Mors Praematura” não é tanto o clímax que se esperava na semana passada quanto é mais um passo em uma trama delicadamente construída para a temporada.

Observações adicionais:

- “Highly trained operative in a bad suit. This is CIA”

**** (4/5)

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Próximo Person of Interest: 03x07 – The Perfect Mark (05/11)

Caio

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