19 de nov de 2013

Katy Perry e “Unconditionally”, uma obra de arte em forma de clipe

katy-perry-unconditionally-2013-fanmade

por Caio Coletti

“Some say the world will end in fire,
Some say in ice.
From what I've tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To know that for destruction ice
Is also great
And would suffice.”
(Fire and Ice, Robert Frost)

“Unconditionally” não é só o melhor videoclipe da carreira de Katy Perry. É também, provavelmente, o melhor videoclipe do ano. Ainda assim, no entanto, isso não basta para descrever o que a artista pop fez com esse novo single, em termos de beleza estética e narrativa cifrada. A poeminha aí em cima, um clássico, tem muito a ver com o que “Unconditionally” quer nos dizer. Além de, é claro, inspirar muito o simbolismo do clipe.

Durante os 4 minutos de vídeo, vemos Katy em dois ambientes diferentes, embora ambos pareçam se misturar devido aos dançarinos que realizam uma coreografia ininterrupta entre eles. No primeiro, um largo aposento luxuoso com uma enorme cama, aos poucos dá para perceber que vemos o mundo se consumir em fogo (primeiro a própria Katy, depois a cama), enquanto aos lados da cena vários atores posam para quadros vivos representando, não por acaso, os desejos humanos. É notável a beleza das composições que misturam figuras de maternidade, envelhecimento, afeto e atração sexual. São os momentos mais perfeitamente compostos do clipe.

No segundo ambiente, neva. O dançarinos prosseguem sua dança de entrelaçar de mãos e olhares ao ar livre, enquanto Katy canta e, lá perto do final, transforma o lugar em uma rodovia, onde é atingida por um carro que se despedaça. A tragédia, talvez como no cenário do fogo (e interligada a ela em uma assombrosa e linda imagem do carro batido transbordando em flores – as mesmas que explodem atrás de Katy no outro ambiente), consome as aspirações e beleza da “personagem” da cantora. Numa canção sobre amor incondicional não correspondido e, em última instância, sobre aprender a estender esse amor a si mesmo, é mais do que apropriado que a tragédia toda resulte em uma imagem tão bonita quanto a do final do clipe.

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