6 de nov de 2013

Review: The Blacklist, 01x07 – Frederick Barnes

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

“What, are they gonna pull their guns and hold them all sideways at me?”. No mundo pulp de The Blacklist, caro Red, eu pouco estranharia se isso de fato acontecesse, mas é sempre um prazer ver que a série não esquece de dar a ocasional piscadela para o público. Sem ela, talvez fosse mais difícil de engolir alguns temas e acontecimentos de “Frederick Barnes”, episódio assinado pelo veterano de Fringe J.R. Orci, que carrega da série mais famosa em seu currículo o tato para explorar os erros e acertos passados de seus personagens centrais. O episódio ainda incorre em alguns dos erros mais crassos que The Blacklist já cometeu, mas, como quase toda semana nessa série até agora, o dia é salvo pelo fenomenal retrato da relação de Red e Liz.

A verdade é que os roteiristas da trama tem uma gema de ouro nas mãos quando colocam James Spader e Megan Boone juntos em cena, e enfatizar isso toda semana não é o bastante, porque é pela pura força dessa química e pelo bom-senso dos roteiristas de manter mistérios e dúvidas sempre a tona com esses dois personagens, que a série decola. As tramas semanais já foram melhores: nas últimas três semanas, The Blacklist tem escorregado com seus vilões e o tratamento dedicado a eles, mesmo que atores de peso como Robert Knepper, Margerita Levieva e, agora, Robert Sean Leonard (o Dr. Wilson de House!) tentem salvá-los.

O personagem título, dessa vez, é um brilhante cientista químico que se cansou de trabalhar para o governo construindo armas biológicas e passou a vender suas “criações” para o quem pagasse mais. O problema é que agora, aparentemente, o seu motivo é mais pessoal, uma vez que ele mesmo está realizando os ataques que causam a aceleração dos sintomas de uma doença raríssima. Liz logo descobre, ao entrar em contato com uma ex-parceira de pesquisa do terrorista, que a motivação por trás desses ataques vem do filho da moça, acometido da mesma doença. Claro, logo ela “deixa escapar” que o pai da criança é Barnes, fato ignorado pelo marido – destaque para a total falta de bedside manner de Liz ao abordar a moça, quase cômica.

Liz, aliás, nunca foi pintada como tão incompetente quanto aqui. Em certo ponto de “Frederick Barnes”, e esse é um daqueles “erros crassos” que eu comentei, Red é obrigado a dizer para a Agente, supostamente treinada e aprovada em perfilação de criminosos, que um assassino sempre retorna para “finalizar seu trabalho” se alguma sobrevivente saiu de seu atentado. A série brinca sem pensar com a morte, como se ela fosse um acontecimento sem consequencia, e ainda coloca sua protagonista, aquela com a qual deveríamos nos identificar, como alguém completamente inepto em seu trabalho.

Pontos positivos do episódio incluem a cena inicial, dirigida, editada, encenada e atuada brilhantemente, com um senso de pulp e de seriedade que falta em alguns momentos do episódio. Robert Sean Leonard faz um trabalho mais do que decente na pele do blacklister da vez, e foi escalado com perícia: poucos atores conseguiriam fazer um assassino em massa parecer tão plácido, resoluto e perigoso. É interessante que The Blacklist coloque na posição ostentosa de “homem mais perigoso do mundo” um cientista em busca de uma cura. O movimento de rebeldia em relação as organizações e ao aparato governamental aparentemente continua, com a rendição de Liz as consequencias de seu trabalho soando tanto como um momento de crescimento quanto como uma sombria curva em direção a um lugar mais sinistro para The Blacklist.

“Frederick Barnes”, no final das contas, é todo sobre aceitar o que o mundo coloca a nossa frente. Consequencias, ressentimentos, arrependimentos e dúvidas, tudo. O roteiro não faz questão, no entanto, de pintar o mundo como um lugar melhor assim que esse conflito está resolvido. Aposta na doçura por trás dos olhos turvos, e não na catarse que vem de uma transformação. Excepionalmente realista para a incansavelmente pulp The Blacklist.

Observações adicionais:

- A grande cena de ação da noite é uma perseguição/situação de reféns/resgate em uma casa de justiça de uma cidadezinha americana. Tudo muito divertido e improvável, exatamente como The Blacklist deve ser.

- “You g-men are top shelf, Let me guess: Ressler slipped in a banana shell?”

**** (4/5)

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Próximo The Blacklist: 01x08 – General Ludd (11/11)

Caio

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