9 de dez de 2013

Review: Masters of Sex, 01x11 – Phallic Victories

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Aprender sobre uma série tão bem estruturada e certa de si mesma quando Masters of Sex na sua primeira temporada é sempre um prazer. “Phallic Victories”, 11º e penúltimo episódio dese ano de estreia da trama comandada por Michelle Ashford, mostra que Masters não é uma série afeita a fazer muito barulho quando um ciclo está chegando no final. Parte disso, é claro, vem do fato de que os episódios anteriores fizeram um trabalho extremamente sólido em construir os personagens e situações que vão se encaminhando aos poucos para um clímax aqui, mas é também mérito da equipe de escritores (esse episódio é assinado por Amy Lippman, em sua segunda contribuição para a série) por não cair na tentação de aumentar a dramaticidade e se sair com um episódio muito atípico. Na maré contrária a esta, “Phallic Victories” é um respiro de ar fresco e, também, um cumprimento de promessas que estavam na premissa da série desde o início.

Há uma sutileza e uma vontade de explorar clichês e percepções do tema sexualidade sob uma perspectiva humana talvez não inédita, mas indubitavelmente refrescante, que alguns episódios nessa corrida da temporada deixaram para trás. Essa semana estamos de volta também com os temas abrangentes que envolvem o episódio inteiro, levando os personagens de pontos diferentes na trama a uma mesma área conceitual, uma mesma “conclusão”. Na sua crônica dos tempos de Masters sem a ajuda de Virginia, com a data de apresentação do estudo se aproximando, a série vê a oportunidade de analisar as verdadeiras motivações e fraquezas de seu protagonista, e também voltar o foco ao seu casamento com Libby, que sempre foi uma das suas tramas mais intrigantes e bem urdidas. No extremo do episódio, Virginia e DePaul tomam um ônibus para ir a uma conferência e fazer sua própria apresentação de um projeto científico, mas acabam chegando atrasadas e, depois de um dia cansativo e uma rota alternativa de promoção da pesquisa (através das esposas dos médicos, I see what you did there, Masters!), a doutora se abre com a nova assistente sobre sua doença.

É possível dizer que “Phallic Victories”, por todos os lados, é um episódio sobre essas pessoas descobrindo exatamente quem são umas para as outras. Mesmo a terceira trama em tempo de tela, que envolve Ethan e o ex-marido de Virginia se (des)entendendo quando este último vem visitar os filhos enquanto a ex-esposa está em viagem, está aqui para definir o papel desse homem na vida de Virginia e no relacionamento dela com Ethan, e eventualmente deságua na dúbia definição do que os novos pombinhos são um para o outro. Muitas dessas mini-viagens de descoberta acabam assim, no ar, mesmo porque esse é um pré-season finale, e não o último episódio da série, e a trama tem todo o direito de se manter “em construção”, especialmente com uma segunda temporada já garantida. Ficamos sem entender completamente a relação entre Bill e Libby, mas adicionamos camadas ao que já conhecemos dele nesse processo incompleto. O episódio faz um trabalho especialmente bom em “desvilanizar” Bill, mostrando que o abismo que existe entre marido e mulher não pode ser culpado em só um dos lados dessa relação.

Aliás, Michael Sheen é premiado aqui nessa hora de televisão com a possibilidade de tornar o gelado Masters em um personagem muito mais humano. Durante toda a temporada, o ator vem entregando um desempenho maravilhoso e mantendo o equilíbrio mesmo quando todas as ações do personagem gritavam contra sua empatia com o espectador. É aqui, quando ele é privado de Virginia após ter conseguido tanta intimidade com o seu objeto de desejo (intimidade essa que o episódio realça logo no início, e nas constantes e desorientadoras aparições da moça, como um delírio do doutor), que Sheen tem a oportunidade de despí-lo da presumida importância e dá-lo o puro desespero interno prestes a entrar em erupção. É a coroação de um trabalho sólido que encontra seu discreto clímax aqui. As performances dele e de Julianne Nicholson colocam o episódio em outro patamar, e dão vida a esse longo, prazeroso e necessário respiro de ar fresco antes de um finale que, se depender das pequenas pontas deixadas soltas aqui, vai ganhar o posto de descida ao inferno mais elegante da temporada.

***** (5/5)

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Próximo Masters of Sex: 01x12 – Manhigh (15/12 – SEASON FINALE)

Caio

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