26 de fev de 2014

Review: Person of Interest, 03x15 – Last Call

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por Caio Coletti

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Person of Interest tem a melhor equipe de escritores da televisão aberta americana, ponto. Essa é a marca mais indelével que deixa o episódio dessa semana, primeiro depois do hiato por conta das Olimpíadas de Inverno. É aquela deliciosa sensação de perceber, porque já estamos acompanhando o funcionamento e a evolução dessa série por três temporadas, que nenhum passo é dado em falso e que esses roteiristas não tem medo de colocar vários pratos no ar de uma vez, sabendo muito bem que são capazes de juntá-los todos, e regojizando no barulho que eles todos vão fazer quando se espatifarem no chão, em meio ao caos organizado de uma season finale. Estamos a oito semanas desse momento, e Person ainda assim consegue ser entretenimento de primeira.

“Last Call”, para começar a conversa, realiza uma premissa que estava destinada a existir desde a própria concepção da série, mas mesmo assim nos deixa surpresos por não termos pensado nela antes: Finch disfarçado como um atendente do número de emergência, 911 (nosso 190). Como o responsável pelo roteiro, Dan Dietz (quarta colaboração, entre as anteriores os ótimos “2 Pi R” e “Trojan Horse”), faz questão de soletrar para o espectador, o trabalho de um atendente de emergência não é tão diferente daquele que Finch, Reese e Shaw realizam todos os dias (“At a desk, surrounded by monitors, helping people in danger. All you’re missing is the dog”). De fato, é ali que estão “os números que não chegam a nós”, como diz o personagem de Michael Emerson.

Se não bastasse isso, Person ainda monta uma trama engenhosa por cima dessa premissa, escalando e construindo um personagem da semana genuinamente cativante e ainda ensaiando os primeiros passos da introdução de um novo grande vilão para assombrar nossos heróis. O número da vez é Sandra Nicholson (Melissa Sagemiller, de Law & Order: SVU, em excelente atuação), atendente muito experiente que, um belo dia, recebe a ligação de um garoto que está tendo seu apartamento invadido por estranhos. Ele é sequestrado, e o responsável por isso liga no telefone pessoal de Sandra, fazendo uma série de exigências que incluem apagar um dia todo de ligações do banco de dados do sistema 911. Ao mesmo tempo, no Departamento de Homicídios, Fusco ajuda um policial novato com seu primeiro caso e percebe que ele pode estar ligado àquele no qual Finch e cia estão trabalhando.

Person já abusou do recurso de juntar duas subtramas em uma só resolução, é verdade. Chega ao ponto de que, quando a série joga essa carta, não é mais realmente surpreendente, e soa como um excesso de coincidência exorbitante. Mesmo assim, essas e outras reclamações em relação à condução das minúcias da série não fazem nenhuma frente a extraordinária ousadia e inteligência que a equipe de roteiristas demonstra ao trazer, a cada semana, uma nova perspectiva que se encaixa perfeitamente no tema e na filosofia de Person. Poucas séries, e talvez nenhuma outra hoje em dia, chegam num terceiro ano sabendo mexer no seu formato tão bem quanto essa, e essa é uma virtude que faz empalidecer quaisquer pequenas derrapadas que apareçam pelo caminho.

Observações adicionais:

- Muito legal também a série explorar o fato de que Fusco é muito respeitado dentro do departamento depois da prisão do chefão da HR. A relação de mentor com o novato Harrison (interpretado pelo também iniciante – mas promissor! – Gavin Stenhouse) é uma dinâmica cansada que os dois atores exploram muito bem para fazê-la interessante. É claro, existe pouquíssima coisa que Kevin Chapman, como ator, não consiga vender.

- O vilão que está falando com Sandra, e ao qual nos referimos aí no review como um futuro grande antagonista na série, tem os mesmos, senão mariores, recursos que Finch. O alcance da tecnologia, como sempre em Person, se estende para os dois lados.

- “Basically, Finch, he’s you. If you were evil”

- A forma como Harold lida com o capanga armado que aparece para encurralar Sandra perto do final é genuinamente badass. É bom ver que Michael Emerson ainda tem os nervos para uma atuação tensa como a exigida aqui. Ele ainda é supremamente bom.

✮✮✮✮✮ (4,5/5)

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Próximo Person of Interest: 03x16 – Ram (04/03)

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