10 de mar de 2014

Review: The Americans, 02x02 – Cardinal

THE AMERICANS -- The Cardinal -- Episode 2 (Airs Wednesday, March 5, 10:00 PM e/p) -- Pictured: (L-R) Matthew Rhys as Philip Jennings, Keri Russell as Elizabeth Jennings -- CR: Craig Blankenhorn/FX

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Na semana passada, The Americans entregou não só uma das melhores estreias de temporada do ano até o momento, como uma das melhore estreias de temporada que este que vos fala já viu. “Comrades” foi tão absolutamente brilhante, sutil, bem-pensado e acertado que as expectativas para a continuação da trama desse segundo ano da série do casal Jennings não poderiam ser mais altas. Portanto, é preciso entender que “Cardinal”, episódio dessa semana, tinha uma carga muito pesada para carregar antes mesmo de começar, e não é justo dizer que o capítulo decepciona. Há erros de ritmo e uma extrema multiplicidade de tramas que aparentemente vai ser o padrão nessa temporada, mas há também uma quantidade enorme de coisas, detalhes e elaborações temáticas importantes, que “Cardinal” acerta em cheio.

O primeiro desses pontos aparece permeando o episódio todo, confirmando que um dos temas da temporada vai ser tanto a oposição/simetria entre feminino e masculino quanto a força das mulheres no estado de guerra silencioso que The Americans retrata. É preciso aplaudir o diretor Daniel Sackheim (que assinou “Trust Me”, da temporada passada, e vários episódios de Lie to Me e Walking Dead) por capturar essa intenção no roteiro e dar às atrizes excepcionais que a série tem um tempo de tela privilegiado. Quando o diretor da Rezidentura está conversando com um segurança sobre o delator americano que acaba de entrar pela porta da embaixada (só uma das muitas tramas que “Cardinal” joga no ar para desenvolver nas próximas semanas), o foco da câmera está em Nina, recebendo a informação e elaborando cuidadosamente uma forma de lidar com ela no jogo duplo que está levando entre o Agente Beeman e a causa soviética.

Annet Mahendru é um absoluto enigma, como sempre, mas um incrivelmente fascinante. Talvez por isso sua interação com o novo funcionário da Rezidentura, Oleg Burov (o charmoso ator russo Costa Ronin), seja tão cativante de se assistir: com seu carisma meio gaiato, o personagem que aos poucos vai sendo explorado pela série parece olhar através das barreiras de Nina e ver aquilo que nem nós, espectadores, conseguimos completamente. Como nem só de Nina vive o lado feminino de The Americans, o episódio dedica um pedaço importante de sua duração a Elizabeth, dando a oportunidade para a sempre estupenda Keri Russell retratar as múltiplas facetas da personagem. Estóica quando corre ao socorro de uma outra agente comunista infiltrada nos EUA, paranóica e comoventemente humana ao perceber o quanto lhe assusta a possibilidade de ter Paige e Henry em perigo, Elizabeth é a essa altura uma das personagens mais sólidas da televisão americana.

Até a pobre Martha da sempre ótima Alison Wright (sério, ela merece mais elogios do que anda recebendo) ganha o seu momento de desafio feminista ao confrontar o “marido”, um sempre disfarçado Phillip, sobre a necessidade de ter uma arma para proteção pessoal. Ainda que fundamentalmente iludida, e uma figura empática de tão “usada”, Martha se agarra a uma dignidade essencialmente moderna para a mulher: “I don’t wanna be a victim”. Sem dúvida, nenhuma das moças de The Americans pode se qualificar como uma donzela em perigo.

Observações adicionais:

- Com a exploração temática aí em cima, não deu tempo de citar que a outra boa fatia do episódio lida com as consequencias do assassinato dos companheiros de Phillip e Elizabeth na semana passada. Phillip confronta o informante interpretado por John Carroll Lynch (Do No Harm) em uma cena tensa e emocional, e para chegar até lá a série ressucita um de seus aspectos mais legais: a espionagem a moda antiga, que traz uma urgência e uma diversão sempre muito bem-vindas para a trama.

- A reação de Matt Rhys e Keri Russell ao ver Stan chegando ao escritório deles é de ouro! O momento de hesitação e de receio em meio a essa crise paranóica, e depois a decisão de continuar com o ato, tudo em expressões. Daniel Sackheim os filma de longe e produz um momento brilhante.

- “I’m a feminist, Nina. I work only for Mother Russia”

✮✮✮✮✮ (4,5/5)

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Próximo The Americans: 02x03 – The Walk In (12/03)

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