17 de mar de 2014

Review: The Americans 02x03 – The Walk In

THE AMERICANS -- The Walk In -- Episode 3 (Airs Wednesday, March 12, 10:00 PM e/p) -- Pictured: (L-R) Keri Russell as Elizabeth Jennings, Matthew Rhys as Philip Jennings -- CR: Patrick Harbron/FX

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Nos seus melhores momentos, The Americans é como aquele tipo de livro que flui perfeitamente bem por inteiro, com uma narrativa bem construída e uma prosa interessante, mas que fica muito melhor a partir do momento em que você tem uma caneta em mãos para sublinhar algumas passagens. Esses trechos são partes de um todo admiravelmente bem azeitado, mas são também perfeitamente apreciáveis sozinhos, e o melhor é perceber que eles não seriam possíveis sem todo o trabalho de construção que veio antes e virá depois dele. “The Walk-In”, terceiro episódio do segundo ano da série da FX, tem uma falha fundamental nesse sentido: delega esse desenvolvimento para um segundo plano, em favor de resoluções de trama apressadas que fazem o grande clímax emocional brilhar sozinho em uma verdadeira bagunça de tons.

Isso não significa que o episódio seja propriamente ruim, só é excepcionalmente ordinário para os padrões que The Americans colocou para si mesma. Grande parte da culpa precisa ser creditada a dupla de roteiro-direção da semana: Stu Zichermann é o homem que escreveu Elektra, e Constantine Makris é um veterano da televisão que também dirigiu o ótimo drama australiano Um Caso de Amor nos anos 90. Enquanto o roteirista parece não entender muito bem o ritmo da série, estruturando o episódio como um thriller de espionagem que tem tudo, menos sutileza (o discurso revoltado-revolucionário do informante americano para a KGB antes de ser morto por Stan é o momento mais mão-pesada das duas temporadas de The Americans), o diretor confia cegamente em seus atores para conceder alguma dignidade a essas situações tão estranhas para o universo da série.

Claro, Makris encontra um apoio extraordinário nesse sentido, porque poucos elencos da televisão tem tanta consistência e noção de personagem quanto o de The Americans. Keri Russell – que vem fazendo uma temporada absolutamente extraordinária –, Matthew Rhys, Annet Mahendru e Noah Emmerich seguram o episódio com garras e dentes, e não deixam a trama geral da temporada sair dos trilhos com a pura força de suas atuações. A pouco aproveitada Susan Misner, intérprete da mulher do Agente Beeman, tem seu melhor momento da temporada em uma das cenas mais acertadas da primeira metade do episódio, que é francamente mais consistente que a segunda.

Dizer que “The Walk In” é um episódio apressado não é diminuir a capacidade que The Americans tem de desenrolar as tramas que eles mesmos tão brilhantemente jogam no ar – é dizer que a série já lidou com resoluções de maneira muito mais elegante, e muito mais centrada, do que aqui. Para uma produção tão excepcional quanto essa, se limitar a ser um thriller de espionagem comum é simplesmente trágico.

Observações adicionais:

- Um dos melhores aspectos do episódio são os flashbacks para 1966, mesmo que só porque Keri Russell e Matthew Rhys acertam tão fenomenalmente em seus retrados de Elizabeth e Phillip mais novos. Ela empresta à personagem um olhar diferente, recheado de insegurança e certa ingenuidade idealista, um contraste perfeito para o semblante duro e as prioridades diferentes da Elizabeth que conhecemos; e ele encontra o ponto perfeito de um Phillip que é essencialmente o mesmo homem com um verniz diferente.

- A trama de Paige e seu envolvimento cada vez maior com os segredos dos pais é a mais bem desenvolvida do episódio, apesar da cena quase escatológica de Phillip a repreendendo depois. Aguardem mais da personagem Kelly, da jovem Lizzy DeClement, porque no curto tempo em tela a atriz mostrou que há algo a mais na moça do que parece haver.

✮✮✮✮ (3,5/5)

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