2 de abr de 2014

Review: The Americans, 02x05 - The Deal



ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Há uma mão cheia de cenas fortes em "The Deal" que almejam definir o tom emocional do episódio em e por si mesmas. Esse não é, geralmente, o procedimento de The Americans, mas exisite um motivo muito simples pelo qual ele funciona nesse capítulo em específico: "The Deal" é o retrato mais cruel de seus personagens que a série de Joe Weisberg e cia já ousou fazer. Com uma prerrogativa forte e um julgamento moral muito determinista (embora não maniqueista, são coisas diferentes), essa quinta entrada da segunda temporada mostra o casal Jennings e seus coadjuvantes como seres humanos tão esmagados pelas circunstâncias que, às vezes, precisam agir como se nem mesmo fossem capazes de sentir.

Isso fica bem claro na trama principal da semana, que lida com consequencias dos acontecimentos de "A Little Night Music": depois de perderem de vista o cientista judeu que estavam tentando repatriar a força, Phillip e Elizabeth encontram uma safehouse para manter o agente do Mossad que capturaram durante a luta. O personagem de Matthew Rhys acaba ficando responsável por fazer companhia ao prisioneiro, e a partir disso o roteiro de Angelina Burnett (Boss) explora a relação antagônica entre eles de forma brilhante, brincando com a compaixão que Phillip mostrou em momentos anteriores da série e o teste moral pelo qual o prisioneiro o faz passar.

Ao mesmo tempo, vemos Elizabeth em dois disfarces: como a "irmã" de Clark, o pseudônimo de Phillip para Martha, ela visita a "cunhada" e tenta acalmar os ânimos na crise do casamento dos dois (e impedir que a secretária exponha Phillip devido a essas brigas); e como a inocente vítima de estupro que interpreta para o militar Brad (o estreante Jefferson White, que merece muitos elogios), conseguindo as informações que queria dele e tendo que "terminar" breve relação que os dois tiveram. Keri Russell está brilhante na pele dessas três personalidades encarnadas pela mesma personagem, imbuindo um pouco do heartbreak de da verdadeira Elizabeth em cada uma delas.

Num episódio inteiramente calcado na oposição entre humanidade e política, buscando mostrar de formas sutis os conflitos e os paralelos entre os dois, Keri é uma jogadora ainda mais fundamental que o normal para o xadrez de The Americans. Mesmo sendo mais um capítulo assinado por uma roteirista estreante na série, "The Deal" nos coloca em xeque-mate porque combina intensidade e delicadeza para mostrar um lado desses personagens que ainda não havia sido explorado: é doloroso perceber o quanto eles são capazes de fazer "acordos" consigo mesmos para decidir que parte de suas vidas eles podem viver, e que partes é melhor ignorar.

Observações adicionais:

- A terceira trama da semana envolve o FBI e a Rezidentura, mais pontualmente o Agente Beeman e o esperto Oleg Burov, que decide usar as informações que conseguiu sobre o caso de Nina com Stan para negociar favores com o agente americano. Ver a interpretação de Costa Ronin passar do carismático para o ameaçador em uma mesma cena, e observar a reação de Noah Emmerich, é uma preciosidade que só The Americans nos traz.

- Conhecemos a nova handler de Phillip e Elizabeth, e ela é uma jovem ansiosa para provar seu valor, que ganha o rosto de Wrenn Schmidt, conhecida dos fãs de Boardwalk Empire.

✮✮✮✮ (4/5)


Próximo The Americans: 02x06 - Behind The Red Door (02/04)

0 comentários: