7 de mai de 2014

The Blacklist 1x19-21: The Pavlovich Brothers/The Kingmaker/Berlin

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ATENÇÃO: esses reviews contem spoilers!

por Caio Coletti

1x19 – The Pavlovich Brothers

Conforme The Blacklist vai se aproximando do final da temporada (que terá 22 episódios), fica cada vez mais evidente que, ao contrário do que acontece em outras séries muito mais justamente criticadas, a equipe de escritores da trama de Red e cia tem uma ideia muito clara de para onde estão indo. Desde o início de The Blacklist, lá em Setembro passado, na verdade, os roteiros da série se destacaram por terem uma consciência muito grande de cada passo dado em tela. É possível se desagradar com a direção para a qual eles seguem, mas não dá para negar que eles tem uma direção muito pensada, especialmente no sentido de saber o que revelar e o que deixar escondido, de acordo com o ritmo característico da trama. Que bom, porque “The Pavlovich Brothers” passa por momentos cruciais, e poucas vezes ficou tão em evidência o fato de que The Blacklist se move muito rápido com suas storylines.

À imagem e semelhança do ótimo “Mako Tanida”, também esse 19º episódio tem um cerne temático muito denso para casar com todo esse desenvolvimento de trama. “The Pavlovich Brothers”, ao colocar Liz e Tom frente a frente pela primeira vez despidos de máscaras, realiza um exame muito intrusivo do significado de descobrir que a parte mais importante e mais querida de sua vida por um tempo grande (2 anos, no caso), é uma mentira. Megan Boone está a altura do desafio, seja na postura solene que assume com Red em determinada cena antes do confronto com Tom, seja nesses momentos mais intensos em que a personagem se despe da fachada bem-construída e mostra uma raiva e agressividade extremamente compreensíveis.

Emocional, temática e pragmaticamente focado nas revelações envolvendo Tom, “The Pavlovich Brothers” deixa um pouco de lado os blacklisters da semana: os personagens-título já foram vistos antes na série, como os sequestradores de uma menininha-chave para a trama do episódio piloto. Os quatro irmãos russos são especializados nesse tipo de missão, e abduzem uma cientista chinesa que havia se comprometido a revelar segredos de estado para o serviço de inteligência americano. A roteirista Elizabeth Benjamin, em sua estreia na série (ela já assinou episódios de Bones, Rizoli & Isles e Red Widow), faz bem ao amarrar as duas tramas paralelas, porque assim uma pode emprestar força simbólica ao desenrolar da outra.

“The Pavlovich Brothers” termina em um cliffhanger, o que é recurso típico dos escritores de The Blacklilst, sempre ligados para não abandonar o lado pulp da série. Com atuações sólidas dos jogadores chaves da trama – além de Boone, entregam algumas de suas melhores performances Ryan Eggold e James Spader –, o episódio amarra as pontas da relação matrimonial de Liz e Tom de forma amarga, como é do costume da série. Por isso, talvez, soe tão apropriado o diálogo entre a protagonista e Red, perto do final: “How is this all gonna end?” “This is an end”.

Observações adicionais:

- O episódio é dirigido por Paul Edwards, um dos mais talentosos cineastas de televisão da atualidade. Ex-cameraman, o moço se destacou no time de diretores de Lost e já assinou Once Upon a Time, Supernatural, Under the Dome e Sleepy Hollow, entre muitos outros. É só observar a magistral sequencia em que Liz segue Tom no Arquivo Nacional de Washington para perceber a genialidade de Edwards, que acrescenta brilho a todo o episódio.

✰✰✰✰✰ (4,5/5)

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1x20 – The Kingmaker

“The Kingmaker” é um estranho no ninho na última leva de episódios de The Blacklist. Desde que voltou do Holiday break, a série de Liz, Red e cia tem tomado muito cuidado para se concentrar nos aspectos maiores de sua mitologia, especialmente a partir do momento em que começamos a ter uma definição mais concreta de quem está jogando para que lado do xadrez misterioso da série. A verdade é que, aqui, o contrário acontece justamente porque “The Kingmaker” é o último episódio solto antes do season finale duplo que será exibido nas semanas seguintes. Seguindo a cartilha desse tipo de episódio preparatório, The Blacklist nos entrega uma hora de televisão que tem momentos brilhantes em meio a uma trama da semana preguiçosa.

É difícil definir porque “The Kingmaker” não é tão bom quanto poderia ser, ou como The Blacklist ultimamente tem sido. O problema não é nenhum dos esperados: a construção do vilão da semana é bem calcada no pulp, mesmo que ele não ganhe uma história embasada como alguns dos blacklisters passados; a atuação do guest star Linus Roache (Law & Order) na pele do personagem-título é deliciosa de se assistir; Karen Gaviola estreia na série entregando uma direção agudamente observadora; e o roteiro assinado por J.R. Orci e Lukas Reiter amarra as pontas com precisão. Talvez o grande erro do episódio seja fazer tudo isso sem nenhuma inflexão assumida. “The Kingmaker” não aposta num efeito mais dramático (como “Mako Tanida” e “The Pavlovich Brothers”) ou em tintas de thriller (“The Stewmaker”, “Milton Bobbit”). Esse 20º episódio da temporada marca o momento em que The Blacklist mais se aproximou da rotina de que vivem todos os procedurals de longa vida por aí – e isso não é nada bom.

Defeitos a parte, o trabalho de Orci e Reiter no roteiro ainda é capaz de evocar a mitologia da série, e a sempre frutífera relação entre Liz e Red, para ganhar o espectador em alguns momentos do episódio. O trabalho em torno da misteriosa Aliança representada por Fitch (Alan Alda), o desenredar das relações de Red com essa organização e a forma como os ânimos são esquentados em preparação para o grande finale da temporada são marcas indeléveis da larga experiência de Orci na televisão. Ao mesmo tempo, Reiter tece elaborações emocionais que casam bem e acrescentam profundidade a todos esses acontecimentos, alcançando as notas certas ao apresentar o confronto entre Liz e Red no final, e fazer a protagonista recorrer ao amigo Ressler no momento de maior desespero.

Basicamente, “The Kingmaker” se aproveita da familiaridade que os outros episódios nos deram a esses personagens para carregar uma trama burocrática que só está aqui para servir de suporte e introdução para o finale da temporada. Esse é um procedimento muito comum na televisão americana, e pode até ser efeito colateral da própria organização do esquema de produção dessa mídia – mas isso não significa que não se possa exigir mais.

✰✰✰✰ (3,5/5)

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1x21 – Berlin

“Now it begins”. Com essas palavras o lindíssimo monólogo declamado pelo Red de James Spader termina, bem no final de “Berlin”, primeira parte do season finale explosivo de The Blacklist, a ser concluído na próxima semana. Poucos segundos antes, vemos o avião carregando seu mais temível algoz até o momento, o personagem-título (um Peter Stormare encapuzado, aguardem um parceiro de cena a altura para Spader no próximo episódio), cair em solo americano, completando um plano de ação que envolveu muitas mortes e serviu de caso da semana para essa primeira de duas horas de finale. O tal monólogo não é só uma das peças mais comoventes já representadas por Spader na série, mas também uma forma quase elegíaca de trazer de volta a The Blacklist a essencial ambiguidade moral que está em seu próprio princípio – e esse é um ótimo sinal para um final de temporada.

Esse retorno às raízes temáticas deve-se em grande parte à assinatura de Jon Bokenkamp, o próprio criador da série, no roteiro. Esse é só o quarto episódio em que o moço é creditado como roteirista principal, de novo ao lado de John Eisendrath, repetindo a dupla responsável pelo excelente “Mako Tanida”. Assim como naquele episódio, “Berlin” ganha pontos por manter a trama da semana num flerte saudável com o pulp (um vírus mortal! um cientista internado no sanatório! um plano multinacional que tem como alvo o próprio Red!), não perder a objetividade no caminho e jogar alguns dos melhores diálogos e caracterizações para os dois personagens principais.

Talvez o único deslize nesses sentidos seja limitar a fúria de Liz com Red a uma admissão de fragilidade. O que poderia ser um sonoro “basta!” para os desmandos do anti-herói na vida da agende do FBI, se torna um conformado “eu não suporto mais”. Megan Boone luta bravamente contra o roteiro para fazer de sua Liz Keen uma mulher mais forte do que ele sugere, mas seus dotes (fartos) como atriz só vão até certo ponto. O resultado é que “Berlin” é melhor quando se concentra em aspectos práticos, conduzindo a trama num ritmo impecável e inserindo as novas ideias, que começam a fechar o ciclo da temporada, de maneira elegante e inteligente. Auxiliada pela direção do veteraníssimo Michael Zinberg, sempre no ponto, o episódio apresenta uma das narrativas mais “redondinhas” que The Blacklist já entregou.

A expectativa que “Berlin” engendra para o finale de verdade – a segunda parte do episódio – não é pouca, mas a impressão que fica é que a equipe por trás de The Blacklist tem plenas habilidades de pagar suas promessas. Continuar batendo na tecla da ambiguidade moral e da relatividade dos conceitos de legalidade, decência e honradez seriam atitudes que certamente somariam pontos à cartela já cheia de estrelinhas da série.

✰✰✰✰ (4/5)

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