8 de mai de 2014

Você precisa conhecer: Allie X quer ser parte da revolução do pop – e está no caminho certo

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por Caio Coletti

Falando sobre a música contemporânea e o cenário pop em entrevista ao site Noisey.com (dá pra ver o artigo completo sobre ela aqui), Allie X cravou: “Você [o artista] caminha numa linha fina entre ser mainstream demais ou underground demais. Isso para mim é burro, porque boa música é boa música”. Só por essa declaração concisa dá para ter uma ideia das ideias centradíssimas dessa cantora-compositora canadense que há três meses atrás arriscou lançar sua primeira música, “Catch”, no Soundcloud e no Youtube.

“Arriscou” não é bem o termo certo, porque a canção chegou com todo um conceito visual e sonoro em torno dela, e pegou tão fácil quanto qualquer trabalho bem feito tende a pegar. Com a ajuda do fotógrafo Logan White e da stylist Krissie Togerson, “Catch” veio junto com uma série de fotos (uma delas aí em cima) apresentando Allie como a nova diva future-goth, fazendo alusões às várias imagens relacionadas à medicina presentes na ótima letra.

“Eu sempre me sinto atraída à temas médicos. É realmente um relacionamento interessante que se tem com um médico. Ele é seu traficante e seu Deus ao mesmo tempo. É tudo muito pessoal mas também clínico, e eles tem sua vida nas mãos deles, dependendo da situação”, ela disse ao Noisey. O refrão grudento de “Catch” atraiu até Katy Perry, que twittou o link da canção e se disse obcecada por Allie. A avalanche de propostas de gravadoras desde então foi rechaçada pela própria, que explica: “A indústria da música está mudando, e eu quero ser uma parte dessa revolução”.

Dois meses depois veio a segunda canção, intitulada “Prime”, que deixou mais claras as influências de hip hop e new wave no som da moça, criando uma mistura única que a coloca à parte de artistas como Icona Pop e Charli XCX, por exemplo. “Forget what I need/ Give me what I want/ And it should be fine”, canta ela com uma ponta de ironia em relação aos desejos desenfreados da geração que ela mesma representa. A propósito, o “X” do nome artístico é justificado pela própria: “Trazer um X à equação fez as coisas começarem a fazer mais sentido pra mim. Eu quero dar um mundo para as pessoas que não tem um mundo de outra forma”.

Camaleônica, Allie X lançou seu terceiro strike na carreira no último dia 30 de Abril. Sombria como nenhuma das anteriores propriamente é, a canção foi inspirada no conceito de shadowself do psicólogo Carl Jung – trata-se de uma espécie de versão “má” de nós mesmos que devemos libertar em algumas situações para evitarmos uma relação desequilibrada conosco mesmos. Ou, como a moça explica: “A shadowself personifica coisas que você não quer reconhecer sobre si mesmo, das quais tem vergonha”.

Criada na cena de indie rock de Toronto, no Canadá natal, Allie nem sempre foi voltada para melodias grudentas e sintetizadores climáticos. Indício disso é seu vocal calcado na respiração, que consegue ir de um suspiro a um grito furioso, mas controlado, em poucos segundos – ela é cantora e pianista classicamente treinada. Sobre a decisão de fazer música pop, ela diz que o momento ajudou, e cita o poder de misturar indie com pop, encarnado em artistas como Sky Ferreira e Lorde: “Eu acho que a atual popularidade tem a ver com agora termos pop eletrônico – tudo mudou quando Gaga chegou”.

“É necessário acreditar em si mesmo ao ponto do delírio de grandeza”, ela respondeu ao Noisey quando perguntada sobre seu processo criativo. “Se alguém quer ser bem-sucedido como artista é preciso projetar uma fantasia em direção a qual você está trabalhando, e para fazer isso é preciso acreditar que você é bom. Mas eu sou tão insegura quanto eu sou deliradamente confiante. Isso realmente vai para os dois lados”.