19 de jun de 2014

Você precisa conhecer: Frida Sundemo explora os cantos ainda não descobertos do synthpop

frida-sundemo

por Caio Coletti

É fácil querer comparar Frida Sundemo com Robyn. A bem da verdade, parece ser um vício do jornalismo musical equiparar qualquer artista surgido no canto norte da Europa com a cantora dos hits “Call Your Girlfriend” e “Dancing on My Own”, simplesmente porque Robyn é o exemplo mais recente de sucesso para além das fronteiras de seu país, que já produziu incontáveis gemas pop. Isso não significa que a música de Sundemo não mereça atenção, ou não se mostre única em suas próprias elaborações melódicas e de produção. Pelo contrário, é preciso se despir das comparações para enxergar a refinação das experiências dessa sueca.

O primeiro impacto de Frida no mundo pop veio no final de 2012, com o lançamento da balançada “Indigo” (abaixo). Com sua batida metálica e sua melodia etérea, combinada com um clipe quase perturbador mostrando a relação da cantora com um ser vestido de coelho de pelúcia, “Indigo” a fez entrar na lista de apostas pop de muita gente. Menos de dois anos depois, a música viria a inspirar a batida de "Mr. President", faixa do Kiss me Once de Kylie Minogue. As duas canções seguintes anteciparam o lançamento do primeiro EP: as baladas "Snow" e "Home", essa segunda com uma vibe indie pop inconfundível (pense no MS MR com mais sintetizadores), mostraram que o talento de Frida é mesmo misturar o épico com o intimista.

A própria Frida confirma essa tendência. Em entrevista para o site de música PlanetNotion, ela contou: “Eu amo o contraste entre o grande e épico e o pequeno e frágil. Se você tem os dois ao mesmo tempo, eu acho que é mais fácil apreciá-los separadamente também”. A cantora também afirmou, na mesma entrevista, que muitas das suas influências vem da música clássica, especialmente do trabalho de Debussy e do compositor de trilhas-sonoras John Williams. Estão explicadas as sessões de cordas grandiosas que conduzem “Home”, e as melodias líricas que enchem todas as suas canções.

As cartas na manga da cantora não param por aí, no entanto. Dos singles soltos e vazamentos online os fãs montaram um primeiro álbum não-oficial para a cantora, intitulado For You, Love. A coleção mostra pequenas pérolas como a canção-título, que mostra um lado mais áspero e tragicamente romântico de Frida. O single “A Million Years” (abaixo), por sua vez, traz corais, instrumentos de sopro e uma versão mais “direto ao ponto” do lirismo sempre presente nas melodias de Frida – é uma canção pop forte, com um refrão pegajoso, mas é também excepcionalmente incomum para o gênero.

O lançamento mais recente da moça, antecipando a saída do seu segundo EP, Lit Up By Neon em Maio último, foi o interessante clipe de “Drawn to You” (abaixo). Reflexão do som mais contemporâneo da cantora para 2014, com pitadas de eletrônica noventista e um refrão matador que leva a voz da moça às alturas de forma delicada e esteticamente incrível, a canção é uma boa aposta para Frida, que deve ganhar mais e mais público conforme sua música for evoluindo e “infiltrando” a mente do púlico.

Em seu site oficial, a descrição da artista, provavelmente assinada por algum amigo muito lisonjeito, crava bem o espírito dela: “O futuro já está aqui para Frida Sundemo. Ela está esperando por você dentro dos seus ouvidos”.

Pra quem gosta de: Robyn, Niki & The Dove, Goldfrapp, The Golden Filter, Vanbot, The Sound of Arrows, M83

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