21 de jul de 2014

Masters of Sex, 2x01: Parallax

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A partir dessa segunda temporada, ao invés de fazer uma cobertura detalhada de cada episódio de Masters of Sex, O Anagrama vai trazer uma review por mês, de preferência de episódios marcantes para a continuidade da série, checando a quantas anda um dos nossos dramas preferidos.

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

“Parallax” marca uma nova era para Masters of Sex. O caro leitor pode pensar que essa frase de abertura é um pouco redundante, visto que o episódio é a estreia da segunda temporada do programa, mas não é bem assim: dificilmente uma série estreante muda tanto para o seu segundo ano quanto Masters mudou. Não é tão fácil de observar, no entanto, porque a produção acertadinha da Showtime raramente deixaria escapar algo tão díspar ao que o público já esperava. Esse primeiro capítulo de 2014 de Masters segue à risca a cartilha da sutileza que marcou a segunda metade do primeiro ano, revelando a transição de estilos apenas para quem assiste realmente de perto. “Parallax”, no entanto, ainda é o que é: a transição de Masters entre aquela série sobre a repressão sexual que buscava quietamente desconstruir os limites dos personagens e essa nova, que mostra um ambiente de muito mais diálogo e uma clareza que transpira de cada um deles.

Isso não significa que tudo são flores, só significa que os problemas virão de uma maneira muito mais confrontante, e que as “soluções” deles serão potencialmente mais cruéis. Como se absorvessem o conhecimento que o espectador agora tem deles, Bill, Virginia, Libby e cia precisam se enfrentar agora com toda a consciência de onde estão suas prioridades e seus limites. Nosso protagonista, de maneira espetacularmente trágica, precisa encarar suas falhas olho-a-olho, e Masters faz questão de lembrar o quanto Bill é um homem que deposita o peso de suas limitações nas costas de outros (a pobre Libby é, geralmente, o alvo). Por falar nela, a personagem de Caitlin FitzGerald mostra que há algo de resiliente na sua estoica missão de esposa perfeita, mas a postura e as expressões da atriz, muito pontuais como sempre, revelam que Libby aprendeu a ser muito menos fantoche e muito mais manipuladora do seu teatro social.

Os escritores de Masters (esse episódio de estreia é, obviamente, assinado pela criadora da série Michelle Ashford) também revelam que essa nova fase da trama, absurdamente mais verbal e com dilemas morais mais claros e complexos – quase contemporâneos –, é um bom ambiente para Virginia crescer como personagem. Conforme ela e Masters engatam de vez o que eles podem chamar de affair, e dessa vez sem fios e instrumentos de medição por perto, e ela sente as pressões de ter tido o seu nome em um estudo que se tornou assunto maldito na comunidade médica, Virginia se mostra muito mais afetada pela pressão social sobre seus pensamentos progressistas. Não há nada de errado na personagem ser uma mulher formidavelmente moderna como sempre foi, mas dar a ela alguma vulnerabilidade ao ambiente em que vive é uma mudança muito bem-vinda – e deixa a talentosíssima Lizzy Caplan muito mais a vontade.

Com a sua Super-Mulher não mais imune às aflições de todos os outros personagens, é claro que Masters não iria poupar os momentos de quebrar o coração estrelados por Barton e Margaret Scully. Os dois mais uma vez não estão removidos da trama, não constituem um “núcleo separado”. As breves aparições de Bill ao lado dos dois integrantes do casal garantem que isso não aconteça, e de quebra produzem ótimos diálogos. Enquanto for assim, as atuações da fabulosa Allison Janney e do igualmente espetacular Beau Bridges ainda são as forças mais poderosas que a série tem para perpetrar a sua crítica social. Como sempre, Masters tem todos os recursos para ilustrar seu retrato revoltante das muralhas imensuráveis do preconceito com os personagens à disposição. A diferença é que dessa vez, e pelas próximas 11 semanas, são as palavras deles que vão tentar transpassar essa barreira.

Observações adicionais:

- “Stella!”

- “Parallax”, a propósito, é um fenômeno ótico em que um objeto parece estar numa posição diferente para o observador de acordo com a posição deste em relação a ele. Na nossa humilde interpretação, trata-se de uma referência ao quanto o diálogo sistemático desse episódio é um contraponto perfeito para a explosão emocional e romântica do season finale passado. E ao fato de que esses dois comportamentos humanos convivem no mesmo universo. Engenhoso, não?

✰✰✰✰✰ (4,5/5)

Caitlin Fitzgerald as Libby Masters in Masters of Sex (season 2, episode 1) - Photo: Michael Desmond/SHOWTIME - Photo ID: MastersofSex_201_1401

Próximo Masters of Sex: 2x02 – Kyrie Eleison (20/07)
Próximo review: 2x05 – Giants (10/08)

1 comentários:

Anônimo disse...

Esta série tem me Masters of sex tinha ouvido falar sobre o livro que eu sempre acho muito interessante, e eu quero vê-lo.