17 de ago de 2014

Masters of Sex 2x05: Giants

MASTERS OF SEX (SEASON 2)

A partir dessa segunda temporada, ao invés de fazer uma cobertura detalhada de cada episódio de Masters of Sex, O Anagrama vai trazer uma review por mês, de preferência de episódios marcantes para a continuidade da série, checando a quantas anda um dos nossos dramas preferidos.

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Para uma série que retrata as entranhas de uma revolução social histórica – a operada pelos doutores Masters e Johnson de verdade, há boas seis décadas atrás –, Masters of Sex nunca se predispôs a ser muito idealista. Era por isso que, na primeira temporada, a personagem de Virginia destoava tanto da trama, mesmo com os esforços admiráveis de Lizzy Caplan: em meio a um mundo em que a mudança encontra tantas barreiras sociais quanto íntimas (e às vezes esses dois âmbitos se misturam de forma absurdamente complexa), Gini era um ideal no qual era difícil de acreditar. Uma mãe solteira com sonhos grandiosos que era fantasiada por todos os homens que colocavam os olhos nela e enfrentava cada barreira de preconceito com um olhar de desdém e uma determinação de ferro – ela era inabalável. Na segunda temporada, a personagem está menos para ícone imbatível à la Beyoncé, e pode ser que as feministas sintam que perderam muito com isso. O que não percebem, e o que “Giants” deixa claro, é que Gini serve muito mais a seu propósito como personagem social se for meramente humana.

Ela é peça central nesse quinto episódio do ano, seguindo com mais uma obra-prima a sequencia espetacular dos anteriores “Fight” e “Dirty Jobs”, que mostraram a que veio a segunda temporada de Masters. Confrontada por Libby, por Lilian e até pelo próprio Bill, a personagem de Lizzy Caplan reage apropriadamente a uma pressão esmagadora que está escondida nas palavras dirigidas a ela. É satisfatório vê-la ceder aos caminhos para os quais essas duas outras mulheres da série a empurram, e não só porque isso faz dela menos infalível – também porque abre caminho para os escritores e a atriz mostrarem que o lado desafiador de Gini é ainda mais pungente quando ela está usando-o para escapar das próprias dúvidas. A cena no quarto de hotel em que ela e Bill repesam as medidas de poder no relacionamento é impressionante e marca mais do que nunca o quanto a conexão entre os dois é o centro nervoso da série.

Mesmo porque Masters faz bem de nos lembrar disso quando é capaz de criar coadjuvantes tão marcantes. Mesmo com a ausência já prolongada de Barton e Margaret Scully, a série investe em Libby e Betty para colorir as bordas da elaboração temática do episódio, emprestando dimensão humana a ele.

Não são poucos os fãs de Masters que reclamaram das atitudes da personagem de Caitlin FitzGerald nos últimos episódios, especialmente na trama focando na relação dela com Coral (a ótima Keke Palmer) – mas é preciso entender que esse retrato de Libby como uma mulher preconceituosa e essencialmente egoísta é parte de um arco de personagem que vem desde o primeiro ano. A bem da verdade, a esposa de Bill é e sempre foi uma prisioneira, e uma inteligente o bastante para enxergar as barras que a prendem. É um aspecto brilhante da performance de FitzGerald emprestar uma consciência muito aguda à Libby, enquanto os roteiristas continuam pintando-a como incapaz de se libertar das pré-concepções que seu marido tão rigorosamente ignora (com a exceção de algumas hipocrisias, é claro). Retratada assim, Libby é um trágico lembrete de que somos todos prisioneiros de só uma coisa: a nossa própria vontade.

“Giants” é um episódio que retrata os personagens de Masters como eles são, e isso inclui a mesquinha mania de se considerar melhor, ou maior, que o outro (nenhum título de episódio é a toa). Seja por orgulho, sentimento representado pela gloriosa leoa que é a Dra. DePaul da maravilhosa Julianne Nicholson; egoismo, auto-estima ou simplesmente porque a sociedade legitima esse seu preconceito com as maneiras ou a genética do outro. Em meio a tudo isso, a Betty de Annaleigh Ashford é novamente a unsung hero da série – numa terra em que todos pensam ser gigantes, ela tem plena consciência de que sua pequenez não a faz desprezível. Pelo contrário, inclusive, a faz absolutamente admirável.

✰✰✰✰✰ (4,5/5)

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Próximo Masters of Sex: 2x06 – Blackbird (17/08)
Próximo review: 2x10 – Below the Belt (19/09)

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