27 de ago de 2014

Você precisa conhecer: O synthpop cristalino e apoteótico do Shindu

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por Caio Coletti

Shindu é o nome que escolheram Christopher, Maxime e Chibi, os três belgas que compõem um dos grupos de synthpop mais consistentes e interessantes da cena independente atual. A palavra indiana que batiza o trio significa “pureza” – uma bela epítome para a proposta musical bem cristalina que o grupo tem mostrado desde 2011. O primeiro single, “Happy House” (abaixo), já trazia a sonoridade caracteristicamente oitentista, mas também muito influenciada pelo dream pop do século XXI. Cover de um hit do Siouxsie and the Banshees, a canção denunciou para o mundo a contradição (no melhor sentido) do Shindu: a histeria do revival dos anos 80 versus a serenidade da eletrônica atual.

Dá para perceber melhor essa proposta com os lançamentos subsequentes do trio. Cada vez mais exigida por cima dos sintetizadores que se acumulavam, a vocalista Chibi provou que dá conta do recado. A apoteótica e sexy “Just Go” (abaixo) mostrou que pela podia alçar vôos muito mais ambiciosos do que o mezzo-electro primeiro single deixava transparecer.

Chibi é, de certa forma, o elemento intruso na química do Shindu. Os dois outros integrantes, Christopher e Maxime, viajaram anos juntos como a dupla de DJ’s mais celebrada da Bélgica – na época, atendiam pelo nome de Static & Greedy. “Depois de anos viajando pela Bélgica, nos sentimos ansiosos para trazer algo diferente sem nos alienar na música experimental, que soaria inacessível. Queríamos uma mistura de sons que gostávamos, mas sem privá-la do nosso próprio ‘sabor’”, explicou Christopher para o site da Kitsuné, gravadora francesa que apostou no trio.

Depois dos dois primeiros singles, o Shindu começou a preparar um EP de estreia, que acabou saindo no começo de Agosto. Trust Me traz apenas duas faixas, com dois remixes, mas parece que o longo trabalho no lançamento rendeu as canções mais bem-produzidas do Shindu até agora (e isso não é dizer pouco!). 

“Down the Line” (abaixo) ganhou clipe há algumas semanas, e é também o vídeo mais elaborado do trio até hoje. Combinando a orgásmica conjunção de sintetizadores com a história intensa de um homem passeando pelos pecados capitais e pelo estado de apatia, a peça é a melhor propaganda que o Shindu poderia fazer de si mesmo: sem grandes complicações, com uma proposta bem clara, eles produzem arte extremamente intrigante.

Dá pra baixar algumas faixas do Shindu de graça no Soundcloud deles.

Pra quem gosta de: Purity Ring, Robyn, Royksopp, La Roux

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