29 de set de 2014

Masters of Sex 2x12: The Revolution Will Not Be Televised [SEASON FINALE]

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A partir dessa segunda temporada, ao invés de fazer uma cobertura detalhada de cada episódio de Masters of Sex, O Anagrama vai trazer uma review por mês, de preferência de episódios marcantes para a continuidade da série, checando a quantas anda um dos nossos dramas preferidos.

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Masters of Sex não é numa daquelas histórias típicas nas quais tudo se resume, no final das contas, em uma mensagem simples: não importa o que aconteça, sempre haverá esperança. Talvez o grande mote de toda a produção narrativa humana, essa conclusão final sobre qualquer tragédia ou comédia da vida já foi modelada e remodelada de um bilhão de maneiras diferentes, e provavelmente chegamos a um ponto na nossa história como espécie criadora de ficção em que o formato da apresentação e os detalhes que cercam o tema central são mais importantes para determinar o impacto de uma narrativa do que qualquer outra coisa. “The Revolution Will Not Be Televised” é um dos finales mais eloquentes que este que vos fala já teve o prazer de ver, e alcança esse feito ao mostrar de que maneiras complicadas, perturbadas e sombrias seus personagens encontram uma perspectiva de esperança para o futuro.

De fato, o episódio discursa de maneira contundente sobre a constituição da vida desses personagens, o quanto há de complexo nelas, e o quanto o maniqueísmo é a ferramenta mais covarde do ser humano na hora de criar. Quando vemos Lester e Barb indo ao cinema, primeiro para ver o hollywoodiano Confissões à Meia-Noite, e depois A Aventura de Michelangelo Antonioni, parece que somos desafiados a observar o quanto a dureza de “The Revolution Will Not Be Televised” se aproxima muito mais da bagunça amorosa e sexual do diretor italiano do que da candura de Rock Hudson e Doris Day, não importa o quanto os diálogos entre os dois sejam espertos. Tomando comando da própria série mais uma vez ao assinar o roteiro, Michelle Ashford prova que nenhum escritor tem a visão mais clara sobre o conteúdo de Masters do que sua criadora.

A genialidade do roteiro vem da ousadia de criar um finale que não é cheio de fogos de artifício, como foi a impactante última cena de “Manhigh” (1x12), por exemplo. Ashford detecta a necessidade de trazer esses personagens, que estiveram em uma jornada incessante de auto-descobrimento durante essa temporada excepcional, de volta para o tempo e o lugar em que vivem. Agora que suas visões sobre si mesmos e sobre o mundo mudaram, é hora de Bill, Virginia e Libby encararem as consequências que seus atos trazem para o estabelecimento daquilo que achavam ser sua vida. Em uma cena absurdamente marcante entre Gini e Lib, a última diz: “Talvez essa seja a chave – deixar para trás esse tipo de ideal. Viver a vida que você tem, não a vida que você pensou que tinha”. A força de “The Revolution Will Not Be Televised” está na concretização de realizações dramáticas que os personagens tiveram uma temporada inteira para desenvolver.

Nós vemos Libby decidir que o caso que começou com Robert é importante para ela – como mulher e como pessoa, para que ela tenha a coragem de parar de se resignar a coadjuvância que Bill lhe impôs e possa sentir uma realização plena. É notável a serenidade que Caitlin FitzGerald imprime à personagem, especialmente continuando a tendência refrescante de criar uma Libby mais transparente com suas emoções, com as realidades que a cercam e com as possibilidades ao seu redor. Ao mesmo tempo, Virginia passa por um momento definitivo em que precisa ser honesta sobre suas prioridades, e chega à dolorosa realização de que talvez seus filhos estejam melhor sob a guarda de seu ex-marido e a nova esposa, uma cuidadosa e disponível figura materna. Lizzy Caplan faz um trabalho grandioso ao expor a fragilidade e a força da personagem – porque sim, como este humilde crítico havia previsto desde a primeira temporada, Virginia é uma mulher muito mais formidável por ser também (nessa segunda temporada) uma mulher vulnerável.

É claro que o caso de Bill é o mais complicado, e é preciso trazer de volta o sempre bem-vindo guest star Beau Bridges para que o nosso anti-herói seja lembrado daquilo que o impede de ter o que nós, pobres mortais, chamamos de felicidade. A rápida aparição do ator como Barton é a que estabelece com fundações firmes o terreno em que Masters está pisando nesse finale: ele entrega à Bill a sentença essencial de que a forma egoísta com a qual ele conduz seu trabalho e sua vida simplesmente não funciona, porque suas decisões não afetam só a ele mesmo, e quem tem que lidar com o inferno das consequências são sempre os que estão ao seu redor. “The Revolution Will Not Be Televised” fala de esperança, de dar um passo adiante por pura fé no futuro (e é genial que o episódio seja localizado temporalmente perto da posse de John F. Kennedy como presidente dos EUA), mas não esquece de nos dizer que não é tão simples assim.

Exatamente como a relação ferida de Lester e Barb, o choro de Virginia ao se entregar à realidade, as mentiras e meias-intenções de Bill, ou as negociações e corridas sórdidas por espaço na mídia, o mundo é um lugar complexo demais para andarmos por aí com uma venda nos olhos, esperando o que vier pela frente. Por outro lado, Masters parece nos perguntar, com o rosto limpo e o olhar sincero que adquiriu em uma temporada brilhante de televisão: que escolha temos?

✰✰✰✰✰ (5/5)

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A terceira temporada de Masters of Sex está confirmada!

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