24 de set de 2014

Review: Sleepy Hollow estreia o segundo ano nos lembrando o que a faz uma das melhores séries no ar

Sleepy-Hollow-Poster

ATENÇÂO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Sleepy Hollow é a loucura mais bem controlada da televisão americana, e está começando a desafiar a própria longevidade. Na estreia da segunda temporada, exibida na última segunda-feira (22) pela FOX, a série não nos deixa esquecer de nada do que a fez uma das surpresas mais improváveis e deliciosas da última fall season: “This is War” é uma viagem alucinante, que subverte conceitos de narrativa, toma um tempo incomum para colocar à mesa todos os ingredientes do seu banquete, e mesmo assim nunca perde de vista o cerne emocional e temático de sua trama.

Nos primeiros 15 minutos de episódio, somos levados a acreditar que o roteirista Mark Goffman (já em sua sétima contribuição) começou sua trama um ano depois dos acontecimentos do finale, o que é no mínimo desesperador, considerando o cliffhanger que finalizou “Bad Blood”. Sleepy deixa o espectador se acostumar com esse grande pulo temporal para, em um dos movimentos mais audaciosos da televisão aberta americana em um bom tempo, jogar tudo de cabeça para baixo mais uma vez. Abbie ainda está no purgatório, Crane ainda está enterrado onde Henry/Jeremy/Cavaleiro da Guerra o deixou, e tudo o que vimos até aquele momento foi uma ilusão criada pelo vilão para descobrir a localização de uma “chave do purgatório”, que supostamente estava sob a tutela de Benjamin Franklin na época da Revolução.

Se o espectador pàra por dois segundos para pensar um pouco sobre tudo isso, “This Is War” é espantosamente formulaico. A virada de trama serve para deixar nossos personagens num status mais ou menos igual ao que estavam na temporada anterior – no final do episódio, nenhuma das duas mortes presumidas no finale passado realmente aconteceu, e a luta contra os demônios e as forças de Moloch continua na mera eminência. A introdução do tempo que Crane passou como aprendiz de um excêntrico Benjamin Franklin (Timothy Busfield, vencedor do Emmy por thirtysomething) serve como estepe para “refrescar” os flashbacks e introduzir mais uma versão divertidamente fantasiada de um dos pais fundadores da nação americana.

A condução do roteiro de Goffman e a mão firme dos developers Roberto Orci e Alex Kurtzman (Star Trek, O Espetacular Homem Aranha 2) não nos deixa esquecer, no entanto, da habilidade excepcional que a série tem de entreter e criar personagens absolutamente sólidos para apoiar essa loucura toda. Era de se esperar que, com uma temporada de 13 episódios para trás e uma de 18 pela frente, Sleepy Hollow eventualmente desmoronasse em algum deslize de roteiro que negligenciasse o roteiro pela pura pirotecnia visual – é fácil citar um exemplo de algo assim: a temporada Coven de American Horror Story. No entanto, a produção a FOX continua diligentemente contando sua história, não se esquecendo de desenhar motivos e evoluções para seus personagens no caminho.

Ou seja, contra todas as probabilidades imagináveis, Sleepy Hollow continua sendo uma das melhores aventuras sobrenturais/suspenses apocalípticos da televisão americana.

✰✰✰✰ (4/5)

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